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Atualizado às: 25 de outubro, 2004 - 11h06 GMT (08h06 Brasília)
 
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Diana: a fonte secou
 
Ivan Lessa
A imprensa britânica não se cansa de lembrar de como Diana, a princesa de Gales, passou do mais desenfreado pranto coletivo já visto nestas ilhas (beirando mesmo a histeria coletiva, segundo muitos) ao mais despreocupado esquecimento também coletivo.

Quase que como se 8 em 10 concorrentes, quando perguntados quem foi ela, num programa de perguntas e respostas da televisão, coçassem a cabeça e arriscassem: ”Mulher de Churchill?”.

Em julho, a rainha Elizabeth inaugurou, no Hyde Park, uma fonte em lembrança e homenagem à falecida princesa.

A fonte, um vasto anel de granito, no qual a água corre em duas direções, a velocidades diferentes, é um projeto da arquiteta americana Kathryn Gustafson, que, como todo seu colega de profissão, explicou o pensamento que orientava a obra: “Ela procura refletir a vida da princesa”.

Vem refletindo mal, muito mal. Quem ainda se lembra da princesa de Gales, não a reconheceria. Em menos de uma semana após a inauguração, a fonte passou por diversos percalços.

Primeiro, o acúmulo de folhas entupiu o sistema de escoamento e a fonte transbordou. Segundo, teve criança tentando andar na fonte e levando tombo.

Logo depois, a fonte secou, pelo mesmo motivo anterior, segundo as autoridades: as folhas voltaram, desta vez bloqueando o funcionamento da bomba de água, embora fosse verão e ninguém conseguisse enxergar folha caindo de árvore alguma.

O Joe Big Public (Zé Povão) começou a achar que os mais de R$ 20 milhões poderiam ter sido investidos em outro tipo de memorial. Talvez até mesmo estátua de bronze, conforme acontece com colunista social carioca tombado no cumprimento do dever.

Agora, em outubro, a arquiteta, Dona Gustafson, pediu de público, desculpas à população britânica. Disse que não poderia prever tanta gente correndo para sua (e de Diana, né?) fonte e que era impossível prever algumas das coisas mais “revoltantes” – palavras dela – praticadas pelos visitantes, uma vez na fonte e cercanias.

Isso porque, esqueci-me de dizer, deu lama pra cachorro por lá e cachorro, por lá também, andou fazendo bobagens números um e dois.

Finalizando uma pequena entrevista, a pouco festejada profissional americana se disse feliz de não ser a princesa de Gales (claro, uai! Está viva) e que passar por tanto escrutínio não era brincadeira. Prometeu nunca mais tentar transformar uma pessoa em coisa. É de se esperar que ela cumpra a promessa.

 
 
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