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Atualizado às: 04 de outubro, 2004 - 07h51 GMT (04h51 Brasília)
 
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A volta dos milionários
 
Ivan Lessa
Feito na marcha-rancho de Paulinho Soledade: Ah, estão voltando os milionários! Só que para Paulinho eram flores. A Grã-Bretanha estufa o peito e regozija com o retorno.

No ano passado, os milionários (de mil mesmo, esqueça o “zilião”) chegaram a 750 mil, segundo um minucioso informe divulgado por uma companhia especializada em pesquisas de mercado.

Ou seja, um aumento de 16%, não contando o valor de suas residências. Há, agora, no país, mais milionários que professores.

O atual primeiro-ministro, Tony Blair, e prezada esposa, Cherie, bem-sucedida advogada, acabam de adquirir, pela bagatela de quase US$ 6,5 milhões, uma residência de luxo na benzérrima Connaught Square, uma praça paralela ao Hyde Park, onde BMWs, Jaguars e Alfa Romeos, descansam à noite das azáfamas da vida daqueles que podem se dar ao luxo de no luxo viver.

Vizinhos

Como Londres, feito toda boa cidade que se preza, é “cheia de contrastes”, a nova residência de Blair ficará a algumas centenas de metros de Edgware Road, rua em que islamitas de diversas origens coexistem em industriosa e serena prosperidade.

Entre eles, é de se supor, haverá muitos iraquianos. Com a segurança que uma residência de mais de US$ 6,5 milhões tende a oferecer, isso não será problema.

O primeiro-ministro, em seu terceiro e, segundo ele, último mandato, percebe a quantia de 178.922 libras por ano. Quer dizer, US$ 321.979. E, na devida ocasião, receberá um bom adiantamento pelas inevitáveis memórias, além dos cachês por conferências e nome cedido a diretorias de empresas.

Sua digníssima senhora, Cherie Blair, aufere (bom verbo) por volta dos US$ 360 mil por ano defendendo causas que nem sempre chegam aos jornais.

O casal ganha bem, trabalha bastante, merece tudo a que tem direito. Merece também – e tem – a detalhada perscrutação pública, e ela existe.

Tudo é pois muito natural. Política aqui neste país já foi posto de sacrifício, hoje é carreira com brilhante futuro nas contas bancárias. Também muito natural. Como as flores da marcha-rancho com que iniciei este relato pouco à vontade, nada natural.

 
 
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