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Atualizado às: 31 de agosto, 2005 - 04h24 GMT (01h24 Brasília)
 
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ONU questiona suspeitos na morte de Hariri
 
No sentido horário: Sayyed, al-Hajj, Azar, Qandil e o general Mustafa Hamdan no centro
Sayyed, al-Hajj, Azar, Qandil e Hamdan são suspeitos de envolvimento no crime
Investigadores da ONU questionaram nesta terça-feira cinco suspeitos no assassinato do ex-primeiro-ministro libanês Rafik Hariri.

Três deles foram presos, incluindo Jamil Al-Sayyed, considerado uma das figuras mais poderosas do Líbano entre o final da guerra civil em 1990 e a retirada das forças sírias no início de 2005.

Além de Sayyed, foram detidos o ex-chefe das Forças de Seguranças Internas, Ali al-Hajj, e o ex-chefe do serviço secreto militar, Raymond Azar.

Dois outros – o comandante da guarda presidencial, brigadeiro-general Mustafa Hamdan e o ex-parlamentar Nassir Qandil – entregaram-se aos investigadores da ONU.

Todos eles ocupavam cargos na estrutura político-administrativa do Líbano e são tidos como aliados da Síria, acusada de envolvimento na explosão que matou o ex-premiê e outras 20 pessoas em fevereiro deste ano, em Beirute.

O governo sírio nega participação no crime, mas foi criticado por prejudicar o trabalho dos investigadores das Nações Unidas.

Quinto suspeito

Hamdan, aliado próximo do presidente Émile Lahoud, foi o único alto funcionário pró-Síria a manter o seu cargo depois das eleições em junho, que resultaram na eleição de uma maioria anti-Síria.

Sayyed, Hajj e Azar renunciaram em meio a grandes protestos anti-Síria por causa da morte de Hariri.

Qandil, o último a ser preso, retornou de Damasco nesta terça-feira para ser interrogado pela equipe da ONU, levada para o Líbano pelo Conselho de Segurança depois que a entidade concluiu que o país não tinha condições de conduzir uma investigação com credibilidade.

O presidente libanês tratou as prisões com pouca importância e disse que os cinco são inocentes até que se prove o contrário.

Falando a uma delegação de parlamentares dos Estados Unidos, Lahoud defendeu
Hamdan como um leal oficial do Exército que salvou a sua vida em 1983, durante a guerra civil no Líbano.

O próprio presidente foi acusado por políticos da oposição libanesa de cumplicidade no assassinato de Hariri.

Avanço

O investigador-chefe da ONU para o caso, o promotor alemão Detlev Mehlis, deve fazer um relatório de sua investigação para o Conselho de Segurança nas próximas semanas.

Kim Ghattas, correspondente da BBC no Líbano, afirma que as prisões desta terça-feira foram os primeiros grandes avanços na investigação da morte de Rafiq Hariri.

O primeiro-ministro libanês, Fouad Siniora, disse que o promotor Detlev Mehlis deu detalhes da investigação e ele decidiu reunir os quatro ex-chefes de departamentos de segurança "para questioná-los como suspeitos".

A equipe da ONU não tem poder para prender ou acusar suspeitos, mas conta com a cooperação das autoridades libanesas e pode pedir a ação dos serviços de segurança libaneses.

 
 
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