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Atualizado às: 04 de junho, 2005 - 00h28 GMT (21h28 Brasília)
 
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Alcorão foi chutado em Guantánamo, diz Pentágono
 
O Alcorão é o livro sagrado dos muçulmanos
Notícia de profanação do Alcorão gerou protestos no mundo islâmico
Guardas americanos do centro de detenção dos Estados Unidos na baía de Guantánamo, em Cuba, desrespeitaram o Alcorão, chutando um exemplar e molhando outros com água e urina, revelou o Pentágono nesta sexta-feira.

O Pentágono divulgou detalhes de cinco incidentes em que o Alcorão foi profanado por americanos que trabalham no acampamento. Alguns casos teriam sido deliberados e outros, acidentais.

Em uma ocasião, por exemplo, um guarda urinou perto de um ponto de ventilação e o vento, supostamente, fez com que a urina molhasse um prisioneiro e o seu exemplar do Alcorão.

De acordo com relatório do Pentágono, o guarda foi punido e o detento recebeu um novo uniforme e um novo livro.

Outros exemplares do Alcorão ficaram molhados depois que guardas do turno da noite jogaram sacos cheios de água em celas, segundo o documento.

Em um terceiro caso, um militar que conduzia interrogatórios pediu desculpas a um detido depois de ter pisado em sua cópia do Alcorão. Em um outro incidente, um soldado chutou deliberadamente o livro sagrado dos muçulmanos.

Palavras obscenas também foram escritas em inglês dentro da capa do livro por soldados.

O desrespeito ao livro dos muçulmanos violou normas militares.

Protestos

O Pentágono realizou uma investigação depois que a revista Newsweek publicou um artigo dizendo que uma cópia do livro foi jogada em um vaso sanitário.

A reportagem da Newsweek provocou protestos em diversas partes do mundo árabe. No Afeganistão, distúrbios resultaram na morte de pelo menos 15 pessoas.

Depois a revista se retratou alegando que não podia confirmar a informação.

O detento de Guantánamo que fez a alegação original de que o Alcorão fora jogado numa privada também se retratou, disse o comandante da prisão, general Jay Hood.

A Casa Branca disse que a reportagem causou "danos duradouros" à imagem dos Estados Unidos no mundo árabe.

Há cerca de 500 prisioneiros em Guantánamo - a maioria suspeitos de envolvimento em "terrorismo".

 
 
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