Análise: Negociações devem ser muito difíceis
Por Khashayar Joneidi, correspondente da BBC Persa em Washington
Há um déficit de confiança entre os Estados Unidos e o Irã, às vésperas de uma nova rodada de negociações.
Os dois países já negociaram duas vezes no último ano — e, em ambas as ocasiões, conflitos começaram no meio das conversas.
Apesar de a mídia estatal iraniana retratar o país como vitorioso, o Irã enfrenta uma posição frágil: seu Exército foi duramente atingido, a economia está em crise e o regime ainda lida com tensões internas com a oposição e a população.
Nos últimos dias, o governo iniciou a execução de algumas pessoas detidas durante os protestos de janeiro, em um movimento para reforçar o controle interno.
Mesmo nessa situação delicada, as exigências iranianas seguem difíceis de atender. Os EUA condicionaram o cessar-fogo à livre circulação de navios no Estreito de Ormuz, enquanto o Irã insiste em manter controle sobre o tráfego marítimo na região, citando sua posição geográfica como prioridade estratégica.
Outro ponto central de impasse é o programa nuclear iraniano. A mídia estatal do país afirma que os EUA teriam aceitado o enriquecimento de urânio no Irã, mas Washington sustenta a posição oposta: não quer que nenhum enriquecimento seja realizado no território iraniano.
Diante dessas divergências, especialistas avaliam que as próximas duas semanas serão decisivas — e extremamente difíceis.






