AO VIVO, Só Trump sabe o que fará quando prazo dado ao Irã acabar, diz porta-voz da Casa Branca

Perspectivas para o conflito no Oriente Médio se agravam com novas ameaças do líder da Casa Branca caso o Irã não aceite abrir o Estreito de Ormuz

Pontos-chave

Cobertura ao Vivo

  1. Irã incentiva formação de 'correntes humanas' para proteger usinas de energia de ataques

    Várias pessoas reunidas com bandeiras do Irã

    Crédito, Reuters

    Algumas autoridades no Irã estão incentivando os iranianos a formar "correntes humanas" ao redor de usinas de energia para impedir possíveis ataques dos Estados Unidos.

    O vice-ministro da Juventude e Esportes do Irã, Alireza Rahimi, publicou uma declaração no X afirmando que a campanha “Corrente Humana da Juventude Iraniana por um Amanhã Brilhante” foi realizada hoje "em todo o país".

    Imagens compartilhadas pela agência de notícias estatal iraniana Fars e verificadas pela BBC mostraram o que foi descrito como uma "corrente humana" em frente à usina de Kazerun.

    Em uma publicação no Telegram, uma conta do governo iraniano afirmou:"Aqueles que participaram desta campanha condenaram unanimemente a agressão americano-israelense e declararam seu forte apoio às forças armadas e de defesa do país. Neste movimento, jovens de todo o país consideraram qualquer ataque à infraestrutura do país um crime de guerra e condenaram essas ações com uma só voz."

    Em outra publicação na X, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, disse que 14 milhões de iranianos se inscreveram para 'sacrificar suas vidas para defender o Irã'. Os interessados ​​podem se inscrever enviando uma mensagem de texto para um número de telefone específico.

    Mais tarde, Donald Trump criticou o suposto uso de escudos humanos em torno da infraestrutura.

    "Totalmente ilegal", disse à NBC News. "Eles não têm permissão para fazer isso."

  2. Análise: Parlamentares pedem a destituição de Trump

    Por Ione Wells, de Washington para a BBC News

    Um número crescente de políticos democratas nos Estados Unidos está defendendo a aplicação da 25ª Emenda após as ameaças feitas por Donald Trump ao Irã.

    Esse é um mecanismo previsto na Constituição americana que permite ao vice-presidente assumir o cargo caso o presidente não consiga cumprir suas funções.

    A Seção 4 da emenda trata de situações em que o presidente não pode ou não quer declarar sua própria incapacidade. Se o vice-presidente e a maioria do gabinete concordarem que ele não está apto para o cargo, podem enviar uma declaração nesse sentido aos líderes do Congresso — o que o presidente ainda pode contestar.

    Não há sinais de que integrantes do gabinete de Trump ou o vice-presidente JD Vance estejam considerando essa possibilidade, o que torna o cenário improvável. Ainda assim, isso não impediu os democratas de defenderem a medida.

    Dezenas de parlamentares democratas acusaram Trump de "ameaçar cometer crimes de guerra genocidas" ou de ser "perigoso demais" para "ter acesso aos códigos nucleares".

    A deputada Alexandria Ocasio-Cortez escreveu nas redes sociais:"Isso é uma ameaça de genocídio e justifica sua remoção do cargo. As faculdades mentais do presidente estão entrando em colapso e ele não pode ser considerado confiável."

    Separadamente, líderes democratas na Câmara pediram que republicanos se juntem a eles em uma "votação para encerrar esta guerra imprudente e voluntária no Oriente Médio antes que Donald Trump arraste nosso país para a Terceira Guerra Mundial", classificando o presidente como "completamente desequilibrado".

    "Sua declaração ameaçando erradicar uma civilização inteira exige uma resposta firme do Congresso."

    A Câmara está atualmente em recesso e só deve retomar os trabalhos no dia 14 de abril.

  3. Papa Leão 14 classifica como 'inaceitáveis' ameaças contra população do Irã

    Davide Ghiglione, de Roma para a BBC News

    O Papa Leão 14 afirmou que ameaças contra a população do Irã são "inaceitáveis".

    A declaração foi feita poucas horas depois de Donald Trump afirmar que "toda uma civilização morrerá esta noite" caso o Irã não chegue a um acordo para reabrir o Estreito de Ormuz.

    O Papa, que é americano, tem intensificado as críticas à guerra envolvendo o Irã.

    Ao falar com jornalistas nesta terça, ele mencionou uma ameaça feita mais cedo contra o povo iraniano, classificando-a como "realmente inaceitável".

    Ele também pediu que pessoas ao redor do mundo entrem em contato com seus representantes políticos e pressionem pelo fim do conflito.

    Papa Leão com as mãos cruzadas

    Crédito, Getty Images

  4. Governo do Kuwait orienta população a permanecer em casa esta noite

    Pessoas no Kuwait estão sendo orientadas a evitar sair de casa entre meia-noite e 6h da manhã de amanhã.

    O Ministério do Interior informou, em comunicado publicado na rede social X, que "cidadãos e residentes devem permanecer em casa e sair apenas se for absolutamente necessário".

    Segundo o órgão, a medida tem como objetivo "manter a segurança, apoiar as operações das forças de segurança e garantir a estabilidade".

  5. Nação 'civilizada' prevalecerá sobre a 'força bruta', diz o Ministério das Relações Exteriores do Irã

    Porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã

    Crédito, Getty Images

    O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, afirmou que a "lógica" de um país "civilizado" prevalecerá sobre a "força bruta".

    Em uma declaração publicada no X nesta tarde, ele escreveu: "A força da cultura de uma nação 'CIVILIZADA', de sua lógica e de sua fé na justiça de sua causa certamente prevalecerá sobre a lógica da força bruta."

    Ele acrescentou: "Uma nação que acredita plenamente na justiça de seu caminho mobilizará todas as suas capacidades e recursos para proteger seus direitos e interesses legítimos."

    A mensagem foi compartilhada com a hashtag #IranWillWin, que na tradução livre para o português signidica #OIrãVencerá.

  6. Primeiro-ministro do Paquistão pede a Trump que estenda o prazo

    Primeiro-ministro do Paquistão

    Crédito, Reuters

    O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, pediu ao presidente dos EUA, Donald Trump, que estenda o prazo por duas semanas "para permitir que a diplomacia siga seu curso".

    Em uma publicação no X, Sharif escreveu:

    "Os esforços diplomáticos para uma solução pacífica da guerra em curso no Oriente Médio estão progredindo de forma constante, forte e eficaz, com potencial para levar a resultados substanciais em um futuro próximo. Para permitir que a diplomacia siga seu curso, solicito encarecidamente ao presidente Trump que estenda o prazo por duas semanas."

    Ele também pediu que o Irã abra o Estreito de Ormuz.

    "O Paquistão solicita aos irmãos iranianos que abram o Estreito de Ormuz por um período correspondente de duas semanas como um gesto de boa vontade. Solicitamos também todas as partes em conflito a cumprirem um cessar-fogo por duas semanas, para permitir que a diplomacia alcance o fim definitivo da guerra, no interesse da paz e estabilidade de longo prazo na região", acrescentou.

  7. 'Só Trump sabe o que ele fará', diz secretária de imprensa dos EUA

    Secretária de imprensa dos EUA

    Crédito, Getty Images

    A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse nesta terça-feira (7/4) que somente Donald Trump "sabe o que ele fará", quando o prazo estabelecido pelos Estados Unidos para o Irã abrir o Estreito de Ormuz acabar.

    A declaração de Leavitt foi uma resposta a um pedido de esclarecimento da BBC sobre os comentários feitos mais cedo pelo presidente dos EUA e seu vice-presidente, JD Vance.

    Trump afirmou que "uma civilização inteira morrerá esta noite" a menos que o Irã chegue a um acordo sobre a abertura do Estreito de Ormuz.

    O presidente americano acrescentou que não quer que isso aconteça, "mas provavelmente acontecerá".

    Já Vance disse que o regime iraniano precisa saber que os EUA têm "ferramentas em nosso arsenal que ainda não decidimos usar".

    "O presidente dos Estados Unidos pode decidir usá-las e decidirá usá-las se os iranianos não mudarem sua conduta", afirmou.

    Respondendo a uma alegação nas redes sociais de que Vance teria sugerido que os EUA poderiam usar armas nucleares, a Casa Branca disse que "literalmente nada" do que Vance disse insinuou essa possibilidade.

    Questionada pela BBC sobre sua posição em relação ao uso de armas nucleares, a secretária de imprensa da Casa Branca enviou a seguinte declaração:

    "O regime iraniano tem até as 20h, horário do leste dos EUA, para se adequar à situação e chegar a um acordo com os Estados Unidos. Somente o presidente sabe qual é a situação atual e o que ele fará."

  8. Iranianos se preparam para ataques à infraestrutura civil do país enquanto prazo do ultimato de Trump se aproxima

    À medida que se aproxima o prazo do ultimato dado pelo presidente americano, Donald Trump, que ameaçou destruir as usinas de energia e as pontes do Irã a menos que o país reabra o Estreito de Ormuz, cidadãos iranianos contaram à BBC como estão vendo a situação.

    "Acho que cada vez mais pessoas no Irã perceberam que Trump não se importa nem um pouco com elas", disse um deles.