'Se faz isso com um cão, pode fazer o mesmo com pessoas': sargento da PM é acusado de matar cadela a tiros no Pará
Atenção: esta reportagem tem imagens que podem ser consideradas fortes.
Estrela passava o dia brincando nas ruas do bairro onde vivia na periferia de Belém, no Pará. Era comum vê-la pulando, rolando no chão e latindo com os outros quatro cães que moravam na mesma casa que ela. Mas dois tiros interromperam a brincadeira na última segunda-feira.
Prenha há dois meses, a cadela foi atingida por dois tiros feitos por um sargento da Polícia Militar, afirma sua dona. Mesmo ferida, chegou a subir as escadas da casa onde mora em busca de abrigo, mas desabou a um passo da entrada.
A cabeleireira e eletricista Almira Lúcia Costa Cordeiro, de 42 anos, publicou no Facebook um relato sobre o caso. O texto é acompanhado de um vídeo que compila imagens de câmeras de segurança mostrando o animal caindo à beira da porta e, depois, um homem saindo do local no mesmo momento - segundo ela, o PM.
Até o início da tarde desta sexta-feira, a postagem já havia sido compartilhada mais de 24 mil vezes.
"Eu estava em casa e ouvi os disparos logo depois do almoço. Meu esposo olhou pela janela e viu que ele (PM) estava guardando a arma na cintura e perguntou o que ele tinha acontecido. O homem só respondeu: 'Ele veio querer me atacar'", contou a cabeleireira à BBC Brasil.
Cordeiro diz ter pensado que o vizinho tivesse atirado depois de sofrer uma tentativa de assalto. Mas seu sobrinho de 13 anos viu que Estrela estava caída sangrando na escada da casa.
A cabeleireira fez um boletim de ocorrência e denunciou o sargento, que mora a um quarteirão de sua casa. O corpo da cadela foi levado para passar por uma perícia na Ufra (Universidade Federal Rural da Amazônia).
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública do Pará informou que o sargento foi identificado e que prestaria depoimento sobre o caso na Dema (Divisão Especializada em Meio Ambiente) nesta quinta-feira. Até o início da noite, a pasta não informou se o policial foi ouvido.
Depressão
Desde a morte de Estrela, sua dona não conversou com o sargento. Mas ela relata que seus vizinhos contaram que o policial argumentou ter atirado porque se sentiu ameaçado pelo cão e disse sofrer de depressão e sentir uma profunda tristeza.
"Ele não tem preparo psicológico para ter uma arma. Já que a pena é tão branda e ele pode nem ser preso, eu queria que esse policial perdesse o direito de ter uma pistola e que fosse pelo menos para um canil aprender a ter amor pelos animais. Se ele faz isso com um cão, ele pode fazer o mesmo com pessoas", afirmou ela.
Segundo Cordeiro, o vizinho nunca demonstrou ser uma pessoa violenta e sempre cumprimentava ela e sua família quando os via no bairro. Diz ainda que Estrela era dócil e costumava brincar não só com seus familiares, mas também com outras pessoas na rua.
"Meus cães são muito tranquilos. Foram todos criados sem coleira, com muito carinho e nunca foram agressivos."
Depois da morte de Estrela, os outros quatro cães que vivem na mesma casa ficaram agitados e, depois, deprimidos, contou ela. Billy, irmão da cadela morta, é o que mais teria sentido o impacto da morte.
"Ele só quer ficar deitado o tempo inteiro. O meu sentimento é de indignação e revolta. Eu quero que ele (sargento) perca o direito dele de usar a arma, porque do mesmo jeito que ele fez com um cão, ele fez com qualquer pessoa. Tristeza não se justifica com um tiro."
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