Artemis 2: rumo à Lua, após meio século

Pela primeira vez em mais de 50 anos, a humanidade retorna à Lua, em uma viagem para o ponto mais distante da Terra já alcançado por seres humanos.

Quatro astronautas viajarão pelo céu por mais de 800 mil km e voltarão para casa em uma missão repleta de maravilhas, mas também marcada pelo perigo.

A missão Artemis 2, da Nasa, oferecerá visões deslumbrantes da Lua e novos conhecimentos sobre o ambiente lunar.

Ela também abrirá o caminho para novos pousos no nosso satélite natural e, eventualmente, uma base lunar - nosso primeiro passo para aprendermos a viver em outro mundo.

Mas a viagem também traz sérios perigos. A tripulação irá voar em uma espaçonave que, até hoje, nunca transportou seres humanos.

E haverá dificuldades pessoais. Afinal, os quatro astronautas passarão 10 dias confinados em uma nave do tamanho de um micro-ônibus.

Como irá funcionar esta missão de alto risco?

Comandante da missão
"É uma missão de teste e estamos prontos para todos os cenários... Será incrível"
Imagem do rosto do comandante Reid Wiseman em meio a uma conversa. Sua aparência é esportiva. Ele é branco, de meia-idade, com cabelos curtos e olhos azuis.
Reid Wiseman
Comandante da missão

Partindo para a Lua

Os astronautas começarão sua jornada no megafoguete lunar da Nasa, o Sistema de Lançamento Espacial (SLS, na sigla em inglês).

Trata-se do foguete mais poderoso já construído pela agência espacial americana. O lançamento ocorrerá no Centro Espacial Kennedy em Cabo Canaveral, na Flórida (EUA).

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Com 98 metros de altura, o SLS, até hoje, voou apenas uma vez. Ele foi lançado em 2022 para a missão não tripulada Artemis 1.

Ele tem dois enormes propulsores e quatro motores, para fornecer a energia necessária para o lançamento.

O estágio central em cor laranja é basicamente um tanque de combustível gigante. Ele contém mais de três milhões de litros de hidrogênio e oxigênio líquido.

A função do SLS é levar ao espaço a nave Orion, colocada no topo do foguete, com os astronautas a bordo

Se algo der errado nos primeiros estágios do lançamento, o Sistema de Abortagem de Lançamentos, no alto do foguete, impulsionará os astronautas para que fiquem em segurança.

​​​​O lançamento é uma das partes mais perigosas da missão. Tudo precisa funcionar perfeitamente.

Todos os astronautas contam que se reuniram com suas famílias e conversaram sobre os riscos envolvidos.

Piloto da missão
"Todos nós temos alguém, um astronauta, que estará com os nossos familiares quando eles assistirem ao lançamento, que pode ser um momento fabuloso e apavorante, ao mesmo tempo."
Imagem do rosto do piloto da Orion, Victor Glover. Ele é um homem negro de meia idade, calvo, fotografado em meio a uma conversa, com as sobrancelhas franzidas enquanto responde a uma pergunta.
Victor Glover
Piloto da missão

Os astronautas

Glover é um dentre quatro astronautas - três americanos e um canadense - que vêm treinando há mais de dois anos para a missão Artemis 2. Somados, eles têm décadas de experiência, mas um deles nunca esteve antes no espaço.

Retrato oficial da Nasa de Reid Wiseman com seu traje espacial laranja, visto da cintura para cima. A iluminação é teatral, com o lado direito do rosto com luz brilhante e sombras sobre o outro lado, fazendo com que ele tenha aparência heroica, mas com um leve sorriso ameaçando surgir no seu rosto.

Reid Wiseman   Bandeira dos EUA

Função | Comandante
Antecedentes | Veterano da Marinha
Experiência como astronauta | 16 anos
Tempo passado no espaço | 6 meses

Reid conta que sempre adorou voar, mas, na terra, tem medo de altura.

Retrato oficial da Nasa de Victor Glover, com seu traje espacial laranja, mostrado da cintura para cima. A iluminação é teatral, com alto contraste, fazendo com que ele tenha aparência heroica. Ele olha direto para a câmera, com expressão estoica.

Victor Glover Bandeira dos EUA

Função | Piloto
Antecedentes | Ex-piloto de testes
Experiência como astronauta | 12 anos
Tempo passado no espaço | 6 meses

Quando estava no Exército, seu indicativo era IKE, abreviação de "Eu Sei Tudo", em inglês.

Retrato oficial da Nasa de Christina Koch, com seu traje espacial laranja, vista da cintura para cima. A iluminação é teatral com alto contraste, fazendo com que ela tenha aparência heroica. Ela tem cabelo ondulado sobre os dois lados do rosto e olha em direção à câmera, com feição ao mesmo tempo contemplativa e determinada.

Christina Koch Bandeira dos EUA

Função | Especialista da missão
Antecedentes | Engenheira elétrica
Experiência como astronauta | 12 anos
Tempo passado no espaço | 1 ano

Christina fez história ao participar da primeira caminhada espacial exclusiva de mulheres na Estação Espacial Internacional.

Retrato oficial da Nasa de Jeremy Hansen com traje espacial laranja, visto da cintura para cima. Com cabelo curto e queixo dividido, certamente é um homem grande e parece um tanto desconfortável ao posar para a foto.

Jeremy Hansen Bandeira do Canadá

Função | Especialista
Antecedentes | Piloto de caça
Experiência como astronauta | 16 anos
Tempo passado no espaço | Nenhum

O piloto canadense levará cookies e xarope de bordo na sua viagem à Lua.

Retrato oficial da Nasa de Reid Wiseman com seu traje espacial laranja, visto da cintura para cima. A iluminação alternando claro e escuro de um ângulo alto ilumina o lado direito do seu rosto e lança sombras sobre o lado esquerdo. Um leve sorriso ameaça surgir no seu rosto.

Reid conta que sempre adorou voar, mas, na terra, tem medo de altura.

Retrato oficial da Nasa de Victor Glover, com seu traje espacial laranja, mostrado da cintura para cima. A iluminação é teatral, com alto contraste, fazendo com que ele tenha aparência heroica. Ele olha direto para a câmera, com expressão estoica.

Victor Glover Bandeira dos EUA

Função | Piloto
Antecedentes | Ex-piloto de testes
Experiência como astronauta | 12 anos
Tempo passado no espaço | 6 meses

Quando estava no Exército, o indicativo de Victor era IKE, abreviação de "Eu Sei Tudo", em inglês.

Retrato oficial da Nasa de Christina Koch, com seu traje espacial laranja, vista da cintura para cima. A iluminação é teatral com alto contraste, fazendo com que ela tenha aparência heroica. Ela tem cabelo ondulado sobre os dois lados do rosto e olha em direção à câmera, com feição ao mesmo tempo contemplativa e determinada.

Christina Koch Bandeira dos EUA

Função | Especialista da missão
Antecedentes | Engenheira elétrica
Experiência como astronauta | 12 anos
Tempo passado no espaço | 1 ano

Christina fez história ao participar da primeira caminhada espacial exclusiva de mulheres na Estação Espacial Internacional.

Retrato oficial da Nasa de Jeremy Hansen com traje espacial laranja, visto da cintura para cima. Com cabelo curto e queixo dividido, certamente é um homem grande e parece um tanto desconfortável ao posar para a foto.

Jeremy Hansen Bandeira do Canadá

Função | Especialista
Antecedentes | Piloto de caça
Experiência como astronauta | 16 anos
Tempo passado no espaço | Nenhum

O canadense levará cookies e xarope de bordo na sua viagem para a Lua.

Quando você vê todos juntos, fica claro o quanto eles se conhecem e gostam uns dos outros. O comandante Reid Wiseman disse que o quarteto passou tanto tempo junto que, agora, eles estão em total sintonia.

Os quatro astronautas da Artemis 2, com seus trajes espaciais laranja, juntos de pé em círculo, perto de uma piscina interna. Victor Glover e Reid Wiseman se entreolham ao fundo, com Jeremy Hansen e Christina Koch atrás deles. Eles parecem estar em uma reunião debatendo algum aspecto do treinamento que, talvez, não tenha corrido conforme o esperado. Outras pessoas ficam ao fundo, observando, mas sem participar da conversa entre os astronautas.
Nasa
Comandante da missão
"Você precisa chegar a um ponto em que não precisa comunicar mais nada - você simplesmente ouve tudo o que está acontecendo e todos os quatro observam uns aos outros e à missão, sem precisarmos nos falar - simplesmente, sabemos o que acontece."
Imagem do rosto do comandante Reid Wiseman em meio a uma conversa. Sua aparência é esportiva. Ele é branco, de meia idade, com cabelos curtos e olhos azuis.
Reid Wiseman
Comandante da missão

A vida a bordo da espaçonave Orion

Os astronautas passarão os 10 dias da sua missão espremidos na cápsula da tripulação da Orion. Ela tem cerca de 5 metros de largura por 3 m de altura.

Imagem isolada da cápsula da tripulação da Orion. Ela tem formato cônico com topo plano. Seu lado externo é coberto de ladrilhos de cerâmica, com um duas pequenas janelas quadradas no meio, em recesso em diferentes ângulos e com contornos pretos. No lado externo das janelas, há outras duas janelas quadradas ainda menores. Existem diversos pontos de conexão circulares pretos e cinza espalhados pelo lado externo da nave. A parte inferior curva é coberta por ladrilhos maiores, com cor bege, que formam o escudo térmico.

Para se acostumar a viver em um espaço tão confinado, a tripulação vem passando o máximo de tempo possível na companhia uns dos outros. Houve até "festas do pijama" entre os tripulantes da Artemis.

Grupo de engenheiros da Nasa com trajes espaciais laranja brilhantes, sentados na cápsula da tripulação da Orion. O lado interno da cápsula parece apertado, com todas as superfícies cobertas de equipamentos ou dutos prateados. Um engenheiro com traje espacial ao fundo sorri enquantro tenta se deitar ou levantar de um dos assentos. Perto dele, uma mulher com camisa polo azul e chapéu também sorri enquanto o observa com dificuldades para se movimentar. Uma fotógrafa, também com camisa polo e chapéu azul, aparece de pé no fundo, segurando sua câmera, pronta para tirar uma foto. Ela é emoldurada pela escotilha aberta. Mais atrás dela, uma mulher loira com blusa vermelha está sentada no lado de fora, com as mãos sobre os joelhos, sorrindo da cena levemente caótica que ocorre dentro da cápsula.
Nasa
Especialista da missão (1m 88cm de altura)
"Estou ganhando um pouco de consciência sobre o meu tamanho. O Canadá, de fato, conseguiu uma parcela desproporcionalmente maior do volume da missão ao me escolher."
Retrato do rosto de Jeremy Hansen, com cabelo curto, fotografado em meio a uma conversa, com a boca aberta e expressão levemente irônica.
Jeremy Hansen
Especialista da missão (1m 88cm de altura)
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O módulo da tripulação apresenta similaridades com as empregadas para as missões Apollo, 50 anos atrás. Mas seu interior é muito diferente.

Dentro deste compacto espaço de convivência, os quatro astronautas irão trabalhar, fazer exercícios, comer e dormir.

Há quatro assentos para o lançamento. Uma vez em órbita, a tripulação irá fechá-los para abrir mais espaço.

O ambiente sem gravidade faz com que todas as superfícies sejam acessíveis. Por isso, este painel de controle pode ficar no "teto".

Um bebedouro permite beber água e reidratar alimentos.

Cada astronauta escolheu suas refeições favoritas para a viagem.

Um degrau, logo abaixo da escotilha, também serve de máquina de exercício isoinercial.

Os astronautas puxam o cabo por 30 minutos, em um exercício cardiovascular e de resistência, todos os dias.

Mas talvez a instalação mais importante esteja guardada embaixo do piso.

É o banheiro da Orion - algo que os astronautas do programa Apollo não tinham, 50 anos atrás.

Ele foi especialmente projetado para superar os desafios de ir ao banheiro no espaço.

Mas ele não oferece muita privacidade.

Especialista da missão
"Na Estação Espacial Internacional, o banheiro é muito mais isolado. O nosso banheiro... fica no piso. Ficamos todos apertados ali, de forma que todos irão ouvir qualquer barulho que fizermos. Sim, é diferente."
Foto do rosto de Christina Koch, falando em um microfone. Sua mão esquerda está levantada na frente dela e o vento sopra seu cabelo enquanto ela fala.
Christina Koch
Especialista da missão

A viagem

Imagem gerada por computador do foguete SLS decolando da plataforma de lançamento. A vista é de cima, olhando para o foguete embaixo, que se move na nossa direção com uma nuvem de fumaça branca atrás, liberada pelos seus potentes motores. Uma bandeira dos Estados Unidos pintada se curva em torno da superfície da parte superior do foguete, que começa a deixar o quadro da imagem.

A missão lunar de ida e volta irá durar pouco mais de 10 dias. O número é incerto porque depende da hora exata do lançamento e das posições relativas da Terra e da Lua.

No primeiro dia da missão, os astronautas ficarão em órbita da Terra, em grande altitude - cerca de 70 mil quilômetros. Em termos de comparação, a Estação Espacial Internacional fica a cerca de 400 quilômetros acima do nosso planeta.

Eles precisarão se acostumar com o ambiente sem gravidade. E, para o novato no espaço Jeremy Hansen, o processo de aprendizagem será difícil.

"Acho que será meio que um ajuste para nós quando estivermos lá em cima... Vou aprender a flutuar, voar - e a bater nas coisas. Provavelmente vou precisar de um pouco de ajuda" - Jeremy Hansen, especialista da missão.

Os astronautas também verificarão os sistemas de suporte vital da espaçonave. E eles incluem o banheiro de bordo.

Eles também terão a possibilidade de conduzir a Orion para o seu primeiro test drive.

Cerca de três horas depois do lançamento, o estágio superior do foguete (o Estágio Provisório de Propulsão Criogênica - ICPS, na sigla em inglês) irá se soltar da espaçonave Orion.

A tripulação irá, então, manejar a Orion manualmente, se aproximando e se afastando do ICPS, para ver como a nave se comporta. É uma chance de praticar atracações para missões futuras.

Imagem gerada por computador da espaçonave Orion em órbita da Terra. A Orion ainda está conectada ao ICPS, o estágio final do foguete SLS. A curvatura da Terra aparece ao fundo, enquanto a Orion estende seus quatro conjuntos solares nas laterais do módulo de serviço. Na frente da nave, o cone prateado do módulo da tripulação brilha com a luz do Sol.

Agora, a equipe da Artemis precisa tomar uma decisão importante.

Enquanto os astronautas ainda estiverem perto da Terra, voltar para casa é relativamente fácil, se surgirem problemas que não possam ser consertados.

Por isso, o controle da missão precisa ter absoluta certeza, antes de emitir a ordem para uma manobra crítica, chamada injeção translunar.

É aqui que a Orion liga seu motor principal para sair da gravidade da Terra e definir sua trajetória para a Lua.

Gráfico mostrando a rota inicial da missão em órbita da Terra. A linha roxa é o trajeto que a Orion irá seguir quando se separar do ICPS e deixar a órbita da Terra, em direção à Lua.

A viagem pelo espaço leva quatro dias, atingindo cerca de 370 mil quilômetros de distância da Terra.

Os astronautas voarão em torno do lado oculto da Lua e dedicarão várias horas à observação do satélite.

A linha amarela mostra como a Orion passará em torno da Lua e será lançada de volta em direção à Terra. Ao se aproximar da Terra, o módulo da tripulação irá se separar do módulo de serviço e entrar na atmosfera da Terra, quando os para-quedas se abrirão para o pouso no Oceano Pacífico.

A viagem de retorno levará quatro dias, até o pouso no Oceano Pacífico.

Gráfico mostrando a rota inicial da missão em torno da Terra. A linha roxa mostra o caminho que a Orion irá seguir enquanto se separa do ICPS e, depois, deixa a órbita da Terra e se dirige para a Lua. A linha amarela mostra como a Orion irá passar em torno da Lua e, em seguida, será impulsionada de volta, em direção ao nosso planeta. Ao se aproximar da Terra, o módulo da tripulação irá se separar do módulo de serviço e entrar na atmosfera terrestre, quando os para-quedas se abrirão para o pouso no Oceano Pacífico.

Quando os astronautas estiverem a caminho da Lua, voltar para casa não será uma tarefa fácil, nem rápida. Eles estarão em meio à sua longa jornada em torno da Lua.

Neste período, a tripulação continuará a verificar os sistemas da espaçonave. Mas os astronautas também serão avaliados e monitorados.

É uma oportunidade para usar os tripulantes como cobaias. Experimentos a bordo da nave revelarão os efeitos verificados sobre o corpo humano no espaço.

Uma das preocupações mais importantes é a radiação. O Sol pode emitir partículas nocivas de alta energia.

Os astronautas levarão um aparelho chamado dosímetro, para medir a quantidade de radiação a que estarão expostos. Eles também irão praticar o uso do seu escudo contra a radiação, que fica sob o piso da espaçonave.

A tripulação precisa saber vestir o traje rapidamente, se uma tempestade solar estiver a caminho.

Por isso, em outra sessão prática para ajudar a preparar os astronautas para eventos inesperados, eles irão vestir seus trajes espaciais laranja brilhantes, chamados de Sistema de Sobrevivência da Tripulação da Orion (OCSS, na sigla em inglês).

Os trajes são usados durante o lançamento e na reentrada. E também servem de proteção vital em caso de problemas com a cápsula.

Imagem isolada do traje espacial laranja da Orion, com etiquetas apontando para o traje e para o zíper na braguilha.

O traje é como uma miniespaçonave vestível, pressurizada e com sistemas embutidos de suporte à vida.

O zíper foi especialmente projetado para permitir que os astronautas vistam o traje rapidamente.

Imagem isolada do traje espacial laranja da Orion com o capacete, as luvas e conectores de suporte à vida na cintura destacados, com etiquetas apontando para cada um deles.

O traje também inclui o capacete, mais leve e resistente, que pode ser facilmente conectado aos sistemas de comunicação.

O sistema de suporte vital fornece ar e retira o dióxido de carbono exalado e as novas e duráveis luvas podem ser usadas para operar touchscreens.

Imagem isolada do traje espacial da Orion sem etiquetas.

Quando os astronautas estiverem a caminho da Lua, voltar para casa não será uma tarefa fácil, nem rápida. Eles estarão em meio à sua longa jornada em torno da Lua.

Neste período, a tripulação continuará a verificar os sistemas da espaçonave. Mas os astronautas também serão avaliados e monitorados.

É uma oportunidade para usar os tripulantes como cobaias. Experimentos a bordo revelarão os efeitos verificados sobre o corpo humano no espaço.

Uma das preocupações mais importantes é a radiação. O Sol pode emitir partículas nocivas de alta energia.

Os astronautas levarão um aparelho chamado dosímetro, para medir a quantidade de radiação a que estarão expostos. Eles também irão praticar o uso do seu escudo contra a radiação, que fica sob o piso da espaçonave.

A tripulação precisa saber vestir o traje rapidamente, se uma tempestade solar estiver a caminho.

Por isso, em outra sessão prática para ajudar a preparar os astronautas para eventos inesperados, eles irão vestir seus trajes espaciais laranja brilhantes, chamados de Sistema de Sobrevivência da Tripulação da Orion (OCSS, na sigla em inglês).

Os trajes são usados durante o lançamento e na reentrada. E também servem de proteção vital em caso de problemas com a cápsula. O traje é como uma miniespaçonave vestível, pressurizado com sistemas de suporte vital embutidos.

Imagem isolada do traje espacial laranja da Orion com áreas de interesse marcadas. Traje - ajustado para cada astronauta e pressurizado em caso de perda de pressão na cápsula. Capacete - leve, resistente e de fácil conexão aos sistemas de comunicação. Suporte vital - pode fornecer oxigênio e eliminar o dióxido de carbono exalado. Luvas - duráveis e podem funcionar com touchscreens. Zíper - permite vestir o traje rapidamente. Camada externa - resistente ao fogo e de cor laranja para que seja mais fácil ver os astronautas após o pouso.

No caso de emergência no caminho de ida ou volta da Lua, os astronautas podem se vestir rapidamente. O traje espacial é projetado para mantê-los vivos por até seis dias, enquanto eles voltam para a Terra.

A tripulação também irá participar de estudos para analisar seu equilíbrio, massa muscular e mudanças do seu microbioma, além da saúde dos olhos e do cérebro.

Amostras de saliva, lançadas sobre papel especial, também serão retiradas antes, durante e depois da missão, para analisar o sistema imunológico da tripulação, que pode se enfraquecer no espaço.

Especialista da missão
"Algo fascinante sobre o ambiente no espaço é que ele realmente altera o sistema imunológico do nosso corpo, o que é muito importante para nós e para os nossos amigos. Muitos de nós vivenciamos isso quando fomos para a Estação Espacial Internacional e, realmente, precisaremos lidar com isso em missões de longa duração."
Foto do rosto de Christina Koch falando ao microfone. Sua mão esquerda está levantada à sua frente e o vento sopra seu cabelo enquanto ela fala.
Christina Koch
Especialista da missão

Frente a frente com a Lua

Agora, chegou o momento que o mundo esperava há mais de meio século: o retorno da humanidade à Lua.

Os astronautas irão voar em torno do lado oculto do nosso satélite natural (o que não podemos ver da Terra) a uma distância de 6.500 a 9.500 km da superfície lunar.

A Orion irá se voltar em direção à Lua para obter as melhores imagens. A tripulação terá três horas completas dedicadas à observação lunar. Os astronautas poderão olhar, tirar fotos e aprender mais sobre sua geologia, o que ajudará a planejar futuros pousos na Lua.

Imagem isolada da Lua em alto contraste, mostrando sua superfície repleta de crateras.
Especialista da missão
"Dependendo da hora do lançamento, da iluminação no lado oculto da Lua... Poderemos ver partes da Lua que os olhos humanos nunca observaram. E, acredite ou não, o olho humano é um dos melhores instrumentos científicos que temos."
Foto do rosto de Christina Koch falando ao microfone. Sua mão esquerda está levantada à sua frente e o vento sopra seu cabelo enquanto ela fala.
Christina Koch
Especialista da missão

Deste ponto privilegiado, os astronautas poderão observar a Terra e a Lua juntas das janelas da Orion - a Lua mais próxima, em primeiro plano, com a Terra distante ao fundo.

Cada um dos astronautas recebeu autorização de levar objetos especiais a bordo para aquele momento único da missão. Victor Glover levará uma Bíblia e heranças de família. Para Christina Koch, serão bilhetes escritos à mão por entes queridos, enquanto Jeremy Hansen irá levar pingentes com a forma da Lua, pertencentes à sua esposa e suas três filhas.

Mas Reid Wiseman escolheu algo muito simples.

“Tenho uma folha de papel em branco e um lápis e mal posso esperar para escrever alguns pensamentos. Não sei o que esperar e não quero viajar com ideias preconcebidas.” Reid Wiseman, comandante da missão.

Imagem da Orion em órbita da Lua, gerada por computador. A nave tem seus quatro conjuntos solares estrendidos em cruz e está lado a lado com a Lua, exibida atrás com a luz do Sol vindo da direita, formando sombras profundas nas crateras da superfície. O lado esquerdo da Lua, para onde a Orion se dirige, está em completa escuridão.

Mas, enquanto os astronautas se maravilham durante seu voo sobre a Lua, haverá um momento de tensão para o controle da missão e para os espectadores que acompanharem a jornada da Orion em casa.

Quando os atronautas voarem atrás da Lua, eles ficarão sem comunicação com a Terra por 30 a 50 minutos.

"Não poderemos falar para o planeta e para os nossos amigos, nem mesmo para os que estão na Estação Espacial Internacional. Mas eu adoraria que todo o mundo, esses oito bilhões de pessoas, pudesse se reunir e simplesmente esperar e rezar para nós conseguirmos reaver o sinal e voltar a ficar em contato com todos." - Victor Glover, piloto.

Após o suspiro de alívio coletivo do controle da missão, com o restabelecimento do contato, será a hora dos astronautas começarem a viagem de volta para casa.

O perigoso retorno

A viagem de volta levará mais quatro dias. Mas esta última parte da missão é uma das mais arriscadas.

Para esta manobra final, o módulo da tripulação se separará do restante da espaçonave. A cápsula irá virar para que seu escudo térmico possa suportar as dificuldades impostas pelas temperaturas abrasadoras geradas pela reentrada na atmosfera terrestre e manter os astronautas em segurança no interior da nave.

A espaçonave irá atravessar a atmosfera da Terra a 40 mil km/h, enfrentando temperaturas de cerca de 2.700 ºC, metade da temperatura da superfície do Sol.

Impressão artística do módulo da tripulação da Orion reentrando na atmosfera da Terra. A cápsula cônica está bem acima da superfície do planeta e é rodeada por um brilho incandescente durante sua descida. É possível observar uma onda de pressão se curvando logo à frente do escudo térmico e uma trilha laranja atrás da cápsula.
Nasa

O escudo térmico mereceu muita atenção da equipe técnica, pois ele sofreu graves danos durante a primeira missão Artemis não tripulada. Mas, ajustando o ângulo da reentrada, os engenheiros estão confiantes de terem resolvido o problema.

Depois que a espaçonave entrar na atmosfera terrestre com segurança, os para-quedas se abrirão para ajudar a reduzir sua velocidade.

Os astronautas farão um suave pouso na água, perto do litoral da Califórnia, no Oceano Pacífico, onde uma equipe de resgate estará à sua espera.

A cápsula pode pousar em posição vertical, de cabeça para baixo ou de lado. Airbags de cor laranja brilhantes se inflarão para ajudar a orientá-la na posição correta e permitir a saída da tripulação com segurança.

Para Victor Glover, o retorno para casa é a parte da missão que ele aguarda com mais entusiasmo.

Cápsula da Orion sendo recuperada do oceano pela Marinha americana, durante a missão Artemis 1. A cápsula está flutuando no oceano com cinco balões laranja brilhantes em volta do seu topo. A superfície externa da cápsula parece queimada do calor da reentrada. Um barco inflável com seis homens com uniformes militares e capacetes flutua à esquerda, com uma linha na água. Outro barco maior, quase fora da imagem no fundo, já tem uma linha presa na cápsula. Duas outras linhas fixadas na frente da cápsula são puxadas para fora do quadro. Aparentemente, elas estão rebocando lentamente a cápsula pela água.
Nasa
Piloto
"Realmente, aguardo ansiosamente para ver aqueles belos para-quedas e o pouso nas águas do Oceano Pacífico. Sei que é naquele momento que minha esposa irá respirar de verdade pela primeira vez e isso, para mim, significa muito. É realmente um desafio para as famílias e, por isso, sei que é o momento que será muito especial para ela e, por isso, especial para mim."
Imagem do rosto do piloto da Orion, Victor Glover. Ele é um homem negro, calvo, fotografado em meio a uma conversa com as sobrancelhas franzidas enquanto responde a uma pergunta.
Victor Glover
Piloto

Com a missão cumprida, os astronautas serão levados de avião para o continente. Será sua primeira chance de pisar novamente sobre terra firme e refletir sobre a viagem das suas vidas.

Eles terão entrado para um grupo de elite. Apenas 24 astronautas já voaram em torno da Lua.

Mas este é apenas o começo das missões Artemis. Os dados científicos coletados serão profundamente analisados para as etapas seguintes, que serão ainda mais desafiadoras: elas irão levar novamente os seres humanos para a superfície lunar, desta vez para ficar.

Modelos 3D por

Thomas Doykinitsas, Ammar Al Yasiri, Zoë Thomas, Fadi Jibara e Beam Immersive