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Atualizado às: 18 de agosto, 2008 - 22h15 GMT (19h15 Brasília)
 
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Geórgia levanta dúvida sobre retirada russa
 
tropas russas em Gori
Tropas russas continuam a ocupar Gori
A Geórgia disse não ter provas de que a Rússia tenha começado a retirar tropas do seu território, como está previsto no cessar-fogo assinado pelos dois lados.

"O lado russo está violando gravemente as condições do acordo de paz assinado pelos presidentes de Geórgia, França e Rússia", diz um comunicado oficial do Ministério do Exterior georgiano, citando novas operações russas no seu território.

Um porta-voz do Ministério da Defesa russo, general Nikolay Uvarov, porém, afirmou que a retirada já foi iniciada, embora tenha dito que a operação levará dias para ser concluída.

O correspondente da BBC em Gori, Gabriel Gatehouse, disse que as forças russas permanecem em Igueti, a 35 quilômetros da capital georgiana, Tbilisi, e ainda controlam a entrada e a saída da cidade de Gori.

Além disso, há divergências sobre a extensão da retirada. Em nota, o Ministério do Exterior da Rússia afirma que o acordo permite que as forças russas recuem para uma zona de segurança localizada dentro da Geórgia, ao longo da Ossétia do Sul.

Já o presidente francês, Nicolas Sarkozy, que intermediou o acordo, disse que as tropas russas devem retornar às posições em que estavam antes do conflito.

O conflito em torno da Ossétia do Sul começou há 11 dias, quando o Exército georgiano tentou recuperar o controle da região rebelde, onde um movimento separatista luta pela unificação com a Ossétia do Norte, que fica em território russo. Em resposta à ofensiva de Tbilisi, a Rússia enviou tropas para expulsar os georgianos.

'O que for necessário'

Militares russos permanecem estacionados perto da capital da Geórgia, porque Moscou alega ter o direito de manter uma espécie de zona de segurança em torno da Ossétia do Sul.

Embora tenha prometido a Sarkozy que a retirada teria início nesta segunda-feira, o presidente russo, Dmitri Medvedev, disse que fará "o que for necessário" para manter a segurança na região.

"Se alguém pensa que pode matar os nossos cidadãos sem ser punido, ou matar os nossos soldados e oficiais militares, que estão em uma missão de paz, nós nunca vamos permitir isso", disse Medvedev, em visita à Ossétia do Norte, onde condecorou militares pela sua participação nos combates.

A retirada das tropas russas faz parte de um acordo de trégua assinado no fim de semana por autoridades da Geórgia e da Rússia, intermediado pelo presidente francês, que está no comando rotativo da União Européia.

Observadores internacionais

O líder da Ossétia do Sul, Eduard Kokoity, disse que pedirá à Rússia que instale uma base militar na região separatista e rejeitou a presença de observadores internacionais.

Kokity disse que os cidadãos russos na Ossétia do Sul "precisam ser protegidos da Geórgia".

Ainda nesta segunda-feira, os países-membros da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE, na sigla em inglês) não conseguiram chegar a um consenso sobre o envio de mais monitores para verificar a aplicação do cessar-fogo.

A organização tem apenas oito monitores militares e a proposta era que fossem enviados mais cem. Todos os 56 membros da OSCE precisam aprovar a missão para que ela aconteça. Correspondentes da BBC afirmam que a Rússia argumentou que os monitores não deveriam ser enviados até a retirada do que chamou de "forças ativas" da região.

O presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili, que até o domingo vinha adotando um tom agressivo em suas críticas em relação à Rússia, passou a adotar uma postura mais conciliatória.

Em um discurso transmitido pela televisão nesta segunda-feira, Saakashvili pediu à Rússia que retire suas tropas do país para "dar início ao diálogo".

“Nós pedimos a retirada das forças de ocupação russas para que possamos começar a refletir e negociar sobre como poderemos evitar a indiferença entre nossos países de forma definitiva.”

Até o domingo, Saakashvili vinha lançando repetidos ataques verbais contra a Rússia e chegou a acusar o país de fazer uma "limpeza étnica" dentro da Geórgia e de outros abusos contra os direitos humanos.

 
 
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