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Atualizado às: 04 de julho, 2008 - 09h00 GMT (06h00 Brasília)
 
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Fim iminente das Farc deixa 'aliviada' esquerda na AL, diz jornal
 
Presidentes Rafael Correa (Equador), Hugo Chávez (Venezuela) e Álvaro Uribe (Colômbia)
Uribe (dir.) entre os presidentes do Equador e da Venezuela
Uma reportagem publicada pelo jornal francês Le Figaro nesta sexta-feira analisa que as esquerdas latino-americanas estão "aliviadas" com a possibilidade de um fim iminente para as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), debilitadas pelas recentes derrotas infligidas pelo governo.

O artigo sugere que os governos de países vizinhos, incluindo o do Brasil, poderiam chegar a um termo com a dúbia relação que mantêm com a maior guerrilha ativa do continente, nascida dentro de uma ideologia marxista e hoje ligada a atividades ilícitas como o narcotráfico e seqüestros.

"De uma maneira geral, os governos latino-americanos de esquerda estão aliviados com o provável desaparecimento da grande guerrilha da região", afirma a correspondente do jornal no Rio de Janeiro.

"Incapazes de atacá-la de frente por razões de fidelidade histórica – mesmo o Brasil de Lula se recusava a qualificar as Farc como terroristas –, todos consideram que o movimento se tornou caduco. Sua internacionalização poderia até se tornar perigosa, considerando a porosidade das fronteiras amazônicas."

Para a repórter, triunfos recentes do governo na luta contra a guerrilha, como o assassinato do número 2 das Farc, Raúl Reyes, e a libertação de sua refém mais ilustre, a ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt, devem facilitar a aproximação do presidente direitista da Colômbia, Álvaro Uribe, com os vizinhos da esquerda, inclusive com o radical presidente venezuelano, Hugo Chávez.

"Hugo Chávez tem todo o interesse em parar de afrontar seu vizinho, cuja popularidade, já imensa, deve aumentar ainda mais com a perspectiva do fim da guerra civil", diz o Figaro.

"O dirigente venezuelano poderia inclusive tirar proveito disso: se Álvaro Uribe aproveitar o estado de graça a seu favor para modificar a Constituição colombiana para permitir-lhe brigar por um terceiro mandato, Hugo Chávez poderia ver nisso um argumento para fazer o mesmo em casa."

Além do mais, do ponto de vista de Lula e Chávez, atribuir as vitórias sobre a guerrilha ao governo colombiano seria melhor que creditá-las ao governo americano e ao Plano Colômbia, argumenta o jornal, lembrando que "há dois anos a América do Sul multiplica seus gestos para dar a entender aos EUA que toda intervenção no território é mal-vista".

 
 
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