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Atualizado às: 30 de junho, 2008 - 21h59 GMT (18h59 Brasília)
 
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Policiais do caso Jean Charles ganham direito a anonimato
 
Jean Charles de Menezes, morto em Londres em 2005 (arquivo)
Jean Charles foi morto a tiros por policiais em Londres em 2005
A Justiça britânica acatou os pedidos de 44 policiais para ter a sua identidade preservada no novo inquérito que vai investigar a morte do brasileiro Jean Charles de Menezes, morto a tiros por policiais em Londres em julho de 2005 ao ser supostamente confundido com um homem-bomba.

Com o anonimato garantido, os policiais poderão ter os seus nomes modificados e prestar depoimentos com os seus rostos ocultos.

A decisão foi anunciada nesta segunda-feira pelo juiz Michael Wright, encarregado de conduzir a investigação, durante uma audiência em um tribunal de Southwark, no sul de Londres.

Wright permitiu apenas que os familiares do brasileiro possam ver os depoentes, depois que a família apresentou questionamentos sobre a lisura do processo.

O magistrado justificou a decisão com o fato de muitos policiais continuarem a participar de operações contra o terrorismo e o crime organizado.

Segundo ele, esses policiais e as suas famílias poderiam ficar em perigo se prestassem depoimento sem anonimato.

Nem todos os agentes que devem prestar depoimentos escritos ou orais pediram anonimato, incluindo a vice-comissária assistente Cressida Dick, que estava no comando da operação que acabou com a morte do brasileiro.

Família 'desapontada'

Um porta-voz da família de Jean Charles disse em uma mensagem divulgada à imprensa que eles estão "profundamente desapontados" com a decisão favorável ao anonimato dos policiais, que vai contra o espírito de uma investigação aberta e transparente.

"Nós achamos muito difícil acreditar que todos esses policiais precisam de tal nível de proteção", diz a mensagem enviada por email a meios de imprensa.

"Ao invés disso, parece que a Polícia Metropolitana continua a promover táticas para garantir que indivíduos nomeados escapem da responsabilidade pelo assassinato deliberado de um homem inocente."

O juiz também confirmou que o inquérito terá início no dia 22 de setembro e que terá um cronograma rígido, com duração máxima de 12 semanas. Segundo Wright, haverá um site na internet com informações sobre o processo.

No ano passado, a Polícia Metropolitana de Londres foi multada em mais de R$ 600 mil, além de custos legais, por quebrar regras de segurança pública.

No entanto, nenhum policial foi condenado pela morte do brasileiro.

 
 
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