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Atualizado às: 15 de maio, 2008 - 19h28 GMT (16h28 Brasília)
 
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Governo e Hezbollah chegam a acordo no Líbano
 

 
 
Bloqueio em avenida de Beirute
Após anúncio, Hezbollah decidiu encerrar bloqueio de avenidas
A delegação da Liga Árabe anunciou nesta quinta-feira que um acordo foi alcançado entre o governo libanês e a oposição liderada pelo Hezbollah para encerrar a crise que levou o Líbano à beira de uma guerra civil.

Segundo o ministro de Relações Exteriores do Catar, Hamad bin Jassim bin Jabr Al-Thani, que chefiava a delegação árabe, as duas facções concordaram em continuar o diálogo na capital do Catar, Doha.

O Líbano enfrenta uma crise política que se arrasta há 18 meses e está sem presidente desde novembro de 2007, quando Emile Lahoud, que é pró-Síria, deixou o cargo ao fim de seu mandato. Desde então, as duas facções políticas não conseguem eleger seu sucessor.

Segundo Al-Thani, as partes se comprometeram a voltar ao diálogo e discutir a eleição do novo presidente do país, novas leis eleitorais para 2009 e a formação de um novo governo de unidade nacional.

"Não há vencedores neste conflito", disse Al-Thani. "Precisamos ajudar o Líbano a solucionar a crise, e nós continuaremos pressionando por uma resolução."

Armas

Após a divulgação do acordo, o Hezbollah anunciou que estava encerrando a desobediência civil e desbloqueando estradas e avenidas da capital Beirute.

O acesso ao aeroporto internacional também foi liberado, com os fluxo de vôos voltando à normalidade.

Segundo analistas, ainda é cedo para dizer se a crise política no país está terminada, pois a questão das armas do Hezbollah ainda está fora da mesa de negociações.

O Hezbollah já havia dito que qualquer acordo não incluirá suas armas, e membros do movimento governista 14 de Março condicionaram o diálogo à discussão dos armamentos do grupo xiita.

Há um certo pessimismo entre analistas se o perigo real de um novo conflito está superado.

Conflito

A recente crise começou quando o governo aprovou duas medidas que previam uma investigação da rede de telecomunicações do Hezbollah e a exoneração do chefe de segurança do aeroporto de Beirute porque ele seria simpatizante do grupo xiita.

As medidas provocaram a ira do Hezbollah, que respondeu com protestos por Beirute e outros pontos do país e que logo enveredaram para a violência, em batalhas entre milícias pró e anti-governo, em que o grupo xiita (e seus aliados) derrotou as forças governistas, ocupando todo oeste de Beirute.

Combates pesados entre as duas facções na capital Beirute, em Trípoli, no norte, nas montanhas e em outras cidades do leste do país levaram vários estrangeiros e libaneses a deixarem o país.

Beirute oeste chegou a ser ocupada pelo Hezbollah e aliados por dois dias, se retirando depois a pedido do Exército.

A onda de violência, que durou seis dias, deixou ao menos 65 mortos e 200 feridos, na pior crise interna do Líbano desde o fim da última guerra civil, em 1990.

O Exército libanês foi obrigado a posicionar tropas e blindados em diversas regiões do Líbano para tentar garantir a segurança da população civil.

O governo do Líbano acabou voltando atrás na quarta-feira, revogando oficialmente as duas medidas contrárias ao Hezbollah como forma de abrir o caminho para negociações e acalmar a crise.

Os recentes conflitos nas ruas foram a pior crise no Líbano desde o final de sua sangrenta guerra civil (1975-1990).

 
 
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