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Argentina limita envio de gás ao Chile para evitar racionamento
 

 
 
Gasoduto
Sem gás argentino, governo do Chile adotou plano de emergência
A crise energética argentina levou o governo do presidente Néstor Kirchner a reduzir a quantidade de gás natural que envia normalmente ao Chile. O objetivo do governo é tentar evitar o racionamento do produto nas casas dos argentinos.

Nos últimos dias, as indústrias do país já estão sendo prejudicadas com a escassez de energia, tanto de gás quanto de eletricidade, e são obrigadas a mudar horários de produção ou a paralisar suas atividades.

De acordo com a Comissão Nacional de Energia (CNE) do Chile, o envio do gás argentino para o país caiu esta semana para 1,1 milhão de metros cúbicos por dia.

O número está abaixo do programado, que varia entre 1,5 milhão e 1,8 milhão de metros cúbicos, o suficiente para atender a demanda do comércio e das casas chilenas.

Emergência

A medida argentina levou o governo da presidente chilena, Michelle Bachelet, a adotar um plano de emergência que incluiu o uso das reservas de oito milhões de metros cúbicos, acumuladas e usadas apenas em situações extremas.

Com isso, pretende evitar o corte total de gás às casas dos chilenos. Mas não se sabe até quando essas reservas serão suficientes.

Essa não é a primeira vez que a Argentina reduz ou interrompe o abastecimento ao país vizinho.

 "Hoje só podemos rezar para que o frio não seja forte e que chova nas regiões onde estão as hidrelétricas na Argentina. Não há nada a fazer no curto prazo
 
Carlos Bastos, analista de energia

Já tinha adotado medida semelhante, por exemplo, em fevereiro, no auge do calor. Mas agora, as perspectivas são "piores", como afirmaram à imprensa argentina analistas do setor, como Francisco Mezzadri e Carlos Bastos.

"Hoje só podemos rezar para que o frio não seja forte e que chova nas regiões onde estão as hidrelétricas na Argentina. Não há nada a fazer no curto prazo", disse Bastos.

"A verdade é que hoje não sabemos exatamente onde estamos parados. Existe escassez de gás, de eletricidade e de diesel", afirmou Mezzadri.

Segundo ele, industriais que optaram, na emergência, por óleos combustíveis reclamam de desabastecimento, especialmente no interior do país.

"O surpreendente é o governo não admitir que aqui existe um problema, um sério problema", afirmou.

O óleo combustível usado na Argentina é abastecido, principalmente, pela Venezuela.

Frio

A crise energética argentina entrou numa fase crítica. A eletricidade extra importada do Brasil é insuficiente. E o gás boliviano, também extra, não alcança para atender a demanda interna.

Para completar, nevou, nesta segunda-feira, pela primeira vez em 80 anos, em Buenos Aires.

Nesta terça-feira, o frio continua intenso em quase todo o país.

O governo argumenta que a carência de fontes energéticas ocorre devido ao crescimento econômico recorde. Para analistas e opositores, faltam investimentos.

 
 
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