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Atualizado às: 10 de maio, 2006 - 11h20 GMT (08h20 Brasília)
 
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Gasto com armas na América do Sul preocupa europeus
 

 
 
Hugo Chávez
Governo de Chávez é um dos que mais investe em armamentos
O aumento dos gastos com armamentos na América do Sul, que atingiu nível recorde em 2005, tem já é motivo de preocupação, segundo especialistas europeus ouvidos pela BBC Brasil.

De acordo com dados do britânico Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IIEE), no ano passado o Brasil destinou à área de Defesa R$ 32,3 bilhões (cerca de US$ 13,2 bilhões) para o setor de a compra de equipamentos militares, um aumento de 56% em relação a 2000, quando foram gastos R$ 20,7 bilhões.

Em 1995, o orçamento para a área não passava de R$ 13,1 bilhões. Entre os sul-americanos, os gastos brasileiros em 2005 só ficaram atrás dos de Chile e Venezuela: US$ 27,85 bilhões (cerca de R$ 57,3 bilhões) e US$ 22 bilhões (cerca de R$ 45,3 bilhões), respectivamente.

"Esse volume de investimento brasileiro em aparatos de guerra só se compara com os realizados durante a ditadura militar", afirma Mark Stokir, economista de defesa do IIEE.

Situação política

O deputado europeu Alain Lipietz, do Partido Verde, também compara os gastos militares na região com os do período datatorial. Para ele, a América do Sul tem um "problema cíclico com o rearmamento".

"Os governos sul-americanos fizeram fortes investimentos em armamento durante os anos 70 e 80, quando tinham regimes militares. Com a chegada da democracia, essas cifras foram diminuindo e chegaram ao menor nível no final dos anos 90. Agora voltamos a ver uma crescente preocupação com as armas, no mesmo momento em que volta o populismo."

Apesar de considerar que essa tendência não representa um "risco real", Lipietz acredita que é um "motivo de alerta" para a comunidade internacional.

Sonia Alda Mejía, especialista em defesa e América Latina do Instituto Gutierrez Mellado, na Espanha, diz que a preocupação aumenta por causa do atual momento político na região.

"A região enfrenta uma situação política delicada, o que dá espaço para preocupações em relação à atual corrida armamentista", diz. Além disso, disse Mejía, a América Latina "tem problemas fronteiriços maiores que os de muitos lugares do mundo".

"Possuir armas de última geração é, sem dúvida, um fator que intimida os vizinhos e ajuda a fazer pressão", diz Mejía.

Entretanto, a especialista ressalta que "há uma diferença grande entre ter e usar as armas" e afirma que "nenhum país sul-americano tem o perfil de quem utiliza a força para solucionar seus problemas".

Segundo Mejía, o rearmamento brasileiro "responde a um processo de modernização e renovação por que passam os equipamentos militares de todos os países". Ela acredita que o momento foi escolhido pela capacidade econômica atual e não pela situação política, opinião compartida pelo economista do IIEE.

"Em relação ao PIB, o investimento brasileiro atual é menor que o de dez anos atrás. Hoje os gastos em armas representam 1,6% do PIB. Em 1996 era igual a 2%", explica Stokir.

De acordo com o IIEE, mesmo com o significante aumento nas compras, a América Latina ainda é a região do mundo que menos gasta em equipamento militar: 1,3% do PIB, contra 2% na Europa e 5,5% no Oriente Médio.

 
 
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