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Atualizado às: 18 de janeiro, 2006 - 11h53 GMT (09h53 Brasília)
 
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A britanicidade vem aí
 
Ivan Lessa
Duas coisas que pegam: gripe aviária e bandeira.

A primeira provoca atchins, a segunda agitações. Ambas são profundamente envolventes. Gripe aviária há como conter, bandeira agitada é mais difícil.

Os britânicos empregam com relativa moderação as bandeiras.

Em dia de jogo da seleção, em comício de extrema-direita, para dar dois exemplos. As coisas agora ameaçam mudar.

O ministro da Fazenda, Gordon Brown, na semana passada, em empolgado discurso queixou-se da falta de patriotismo dos britânicos.

Disse ele diante da "Fabian Society", sociedade socialista que data de 1883 e responsável parcial pela criação do partido Trabalhista, que "em qualquer levantamento as instituições mais populares vão da monarquia ao sistema de saúde pública."

Mas pediu que pensássemos: "Onde está o nosso 4 de Julho? Qual o dia de nossa independência? Onde está nossa declaração de direitos? Qual é o nosso equivalente a uma bandeira em cada jardim?"

O chanceler do Erário queixou-se da inexistência de um "dia britânico". Lamentou as ilhas não terem um dia exclusivo para se comemorar o que chamou de "britishness", ou seja, "britanicidade".

Para ele, o "Remembrance Day", o dia mais próximo a 11 de novembro, em que são lembrados, com dignidade e respeito, os cidadãos britânicos e canadenses mortos em guerras mundiais, é pouco.

Na certa moderado em excesso.

Crônicas, artigos e cartas nos jornais continuam a espocar e tremular. Lembram que os americanos festejam libertarem-se do colonialismo britânico – ou "jugo", como diriam muitos – assim como o fazem até hoje a Índia e o Quênia, mas não, evidentemente (até o momento em que escrevo), o Iraque.

E anão em jardim, uma "britanicidade” em seu estado mais puro, é mais divertido e estético que bandeira americana hasteada entre estampidos de foguetes e fogos de artifício.

Por fim, vale lembrar apenas – apenas! – que Gordon Brown tem ambições de se tornar o próximo primeiro-ministro do Reino Unido, e que, devido à sua pronunciada e sempre lembrada "escocesidade" – a Escócia é um dos países que compõem a Grã-Bretanha --, gostaria de deixar patente como um general de brigada (outros chegados a bandeira e dia pátrio) sua "britanicidade".

Daí que a patriótica peroração foi toda feita diante de… claro, um "Union Jack", o lábaro nada estrelado do Reino Unido.

 
 
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