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Atualizado às: 17 de janeiro, 2006 - 12h53 GMT (10h53 Brasília)
 
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Os demônios de Nixzmary
 
Quando o noticiário da TV local anuncia reportagem de criança morta pelos pais eu mudo de canal. Esta semana minha solução não funcionou. Em todos canais a história era sobre Nixzmary Brown.

A menina esquelética, de sete anos, com olhos castanhos fundos e um sorriso misteriosamente feliz, morreu há cinco dias quando o padrasto bateu sua cabeça na torneira e foi deixada na banheira cheia de água gelada.

A mãe estava no quarto e não socorreu a filha. Os exames ainda não concluíram se ela morreu da pancada ou de frio, mas o padastro e a mãe vão responder pela morte de Nixzmary.

A mãe disse que não interferiu porque tinha medo de apanhar do marido e porque a menina era “meio endiabrada”.

À noite ela abria a geladeira tomava a fórmula do bebe. No dia seguinte, levava uma surra do padrasto e era obrigada a dividir a comida com o gato. Estava sempre com marcas roxas ou mancando.

Desde novembro, Nixzmary foi a segunda criança que morreu dentro de uma banheira em Nova York. A outra foi Dahquay Gillians, de 1 ano e seis meses.

Ele morreu quando foi colocado pela mãe numa banheira de água quente enquanto ela ia ouvir música no quarto.

Em Nova York, a água da torneira fria sai quase gelada e, a quente, quase fervendo, como a água de chuveiro.

Em ambos os casos, de Nixzmary e Dahquay, a secretária responsável pela proteção de crianças tinha sido avisada de abusos e violências paternas, mas seus funcionários foram negligentes nas investigações.

O diretor da agência, John Mattingly, é considerado um gênio na área de proteção de crianças e foi contratado por Nova York depois de reformar o setor em outras cidades.

O prefeito disse que Nova York e todos nós, seus moradores, somos culpados pela morte de Nixzmary, mas não vai demitir nem aceitar a demissão do diretor da agência, John Matingly.

Pelas teses de Matingly, as crianças que vivem com os pais têm melhores chances na vida do que a que são tomadas pelo serviço de proteção e entregues a pais adotivos.

Em 2004, morreram 33 crianças em Nova York. Em 2005, morreram 30.

Para uma cidade com mais de 8 milhões de habitantes, não é um número capaz de rolar cabeças.

 
 
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