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Atualizado às: 22 de agosto, 2005 - 10h41 GMT (07h41 Brasília)
 
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Sobre e sob a roupa de baixo
 
Ivan Lessa
Na minha época, o nome era lingerie. Não que nós, os 10 do Posto 4 e meio, em Copacabana, a tivéssemos visto em ação, isto é, cumprindo sua função básica de roupa íntima feminina, cercada de mulher por todos os lados.

Copacabana era tão atrasada que nem sequer havia, à mostra, varal expondo as peças em questão. Sim, claro, senhoras e senhoritas usavam maiô de duas peças, e nós os admirávamos com a devida seriedade.

Mas, cá entre nós, não chegavam aos pés da roupa íntima feminina. Os mais carentes, ou mais saudáveis, não sei bem, paravam diante das vitrinas das lojas Sloper e ficavam, digamos assim, admirando as roupas íntimas dispostas e expostas em manequins de frio gesso – o calor ficava por conta deles.

Além do mais, meu São Sebastião do Rio de Janeiro, lingerie! O nome vinha em francês! Pode ser mais sensual? Aliás, havia uma estrela de cinema chamada Martine Carol que…

Mas isso é outra história. O que interessa hoje são as roupas de baixo, as peças íntimas femininas, a lingerie chinesa.

Não tenho sequer idéia se, na China, a moda existe ou não. Sei apenas que os jornais estão preocupados com uma diretiva da União Européia, tão rica em diretivas, ameaçando a safra chinesa dos artigos em questão. Querem limitar a importação de lingerie confeccionada com tecido barato.

Nesse ponto, deixo de lado a compostura e dou o nome do que nos atormentou a nós, os do 4 e meio: calcinhas e soutiens! Que, destinados às grandes e pequenas lojas desta ilha, estão se amontoando nos portos, juntamente com camisetas e calças masculinas que, para ser franco, não me interessam e as dispenso solenemente, no sentido figurado, claro.

O que me preocupa é a roupa de baixo feminina chinesa. O fato de que Espanha, França e Itália estão fulas da vida nas calças com os preços de arrasar dos chineses me é secundário.

Todo meu instinto, apesar de nunca ter parado na tal vitrina das lojas Sloper, me diz que, hoje em dia, potência nuclear, a China bate qualquer outro país em matéria de – e vou repetir porque sou um velho safado e bobo – calcinha, soutien, roupa de baixo, peça íntima feminina, lingerie e até mesmo (eu havia me esquecido) anágua.

 
 
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