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Análise: Bush quer mostrar apoio a Mahmoud Abbas | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O encontro desta quinta-feira entre o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, e o líder palestino, Mahmoud Abbas, será o primeiro entre Bush e um líder palestino na Casa Branca. Bush evitou encontros com o falecido Yasser Arafat, acusado por Israel e pelos americanos de corrupção e apoio ao terrorismo. A eleição de Abbas foi vista em Washington como um marco para a política de democratização do mundo árabe. Mas embora sejam comuns os elogios ao novo presidente da Autoridade Palestina na capital americana, por seu compromisso com a democracia e o combate ao terrorismo, ainda existe a impressão de que suas palavras ainda não foram acompanhadas por ações. A secretária de Estado, Condoleezza Rice, tem repetido exigências de que os palestinos "desmantelem a infra-estrutura do terrorismo e organizações terroristas". Hamas Os Estados Unidos se preocupam com a crescente influência do Hamas. Alguns analistas dizem que a imagem de corrupção da Autoridade Palestina é um dos motivos para a popularidade do movimento radical islâmico. Na visão de Washington, a prioridade na agenda política não são as eleições parlamentares palestinas (que provavelmente serão adiadas de sua data original em julho), mas sim a manutenção do controle sobre parte dos palestinos no momento em que Israel prepara a sua retirada da Faixa de Gaza. Abbas espera conseguir uma grande ajuda financeira de Washington – ele precisa de milhões de dólares para reconstruir Gaza. Bush já separou no Orçamento US$ 350 milhões em ajuda aos palestinos. Mas o Congresso americano tem impedido que a maior parte desta verba seja entregue diretamente à Autoridade Palestina.
Em vez disso, o Congresso, cujos membros continuam achando que a administração palestina é corrupta, exige que o dinheiro seja dado a agências de ajuda humanitária e ONGs. Ainda assim, Bush deve prometer doar recursos diretamente aos cofres controlados por Abbas – embora provavelmente isso fique bem longe do valor desejado pelos palestinos. Assentamentos O presidente palestino também tenta neste encontro obter de Washington uma posição mais dura sobre a continuação das construções nos assentamentos judaicos na Cisjordânia. Bush pode utilizar a oportunidade para reafirmar que se opõe a esse tipo de atividade. Mas é difícil imaginar os Estados Unidos fazendo algo mais do que simplesmente expressar preocupação a respeito. O primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, também esteve em Washington durante esta semana. Ele tentou buscar apoio da comunidade judaica americana aos seus planos de saída de Gaza. Embora tenha recebido bastante apoio, foi alvo de manifestantes pró-assentamentos que organizaram protestos contra o seu governo. Diante desse cenário, Washington ainda precisa continuar ao lado do governo de Israel. Simbolismo A visita de Abbas deve ter importância muito mais simbólica do que trazer resultados concretos. O encontro traz outra oportunidade para Bush se declarar comprometido com a criação de um Estado palestino independente, coexistindo pacificamente ao lado de Israel. Ele já disse antes que o novo Estado palestino terá de ter contigüidade territorial – o que já representa um avanço para os palestinos. Mas a imagem do presidente dos Estados Unidos e do presidente palestino lado a lado na Casa Branca deve durar bem mais do que quaisquer palavras. Bush enxerga em Mahmoud Abbas a sua melhor oportunidade para criar uma paz duradoura no Oriente Médio, e ele quer mostrar que está disposto a ajudá-lo. |
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