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Atualizado às: 21 de abril, 2005 - 09h37 GMT (06h37 Brasília)
 
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Após virar papa, Ratzinger deixa tom 'alarmante' e adota moderação, diz jornal
 
O cardeal Joseph Ratzinger passou a moderar o seu tom "alarmante" depois de se tornar papa Bento 16, segundo a edição desta quinta-feira do jornal espanhol El Periodico.

O diário editado em Barcelona comparou as homilias das missas rezadas por Ratzinger antes e depois de ser eleito papa.

Na primeira homilia, ele advertiu contra o "relativismo" e adotou um tom "alarmante", segundo o jornal. O segundo pronunciamento teria sido "moderado".

Como papa, Bento 16 "defendeu a cooperação e colegialismo entre os bispos, a atualização do (Concílio) Vaticano 2º e a unidade entre todos os cristãos".

"Este é um bom sinal, mas as mesmas palavras freqüentemente são usadas para dizer exatamente o oposto do que se quer dizer", afirmou o El Periodico, que conclui que teremos que "esperar para ver".

O jornal diz ainda que a "controvérsia" causada pela eleição papal "é um sinal revelador de como a instituição (da Igreja) se distanciou da realidade social", diz o jornal espanhol.

'Desafios'

O britânico Financial Times enumera três grandes desafios para o novo papa em seu editorial "Bento ainda precisa construir pontes".

Segundo o jornal, Bento 16 precisa "lidar com o aumento do secularismo" visto particularmente na Europa Ocidental. O editorial admite que o cardeal Ratzinger foi aberto ao diálogo com filósofos seculares, mas "tal diálogo é interrompido bruscamente quando quer que o Vaticano invoque a doutrina da infalibilidade papal".

O segundo desafio apresentado no Financial Times é "continuar a falar em nome dos pobres do mundo". O jornal destaca a visão absolutista da Igreja em relação a comportamento sexual e a ligação entre a propagação da Aids e a falta de uso de camisinha.

O terceiro desafio é melhorar as relações com outras "seitas cristãs" e outras religiões. "Sua qualificação das igrejas cristãs não-católicas como "deficientes" e sua oposição pública a que a Turquia, que é predominantemente muçulmana, passe a integrar a União Européia, podem destruir parte do trabalho ecumênico feito pelo Vaticano no passado."

O jornal espanhol La Razón diz que há uma necessidade de reformas na Igreja "para refletir mais fielmente a pluralidade dentro do mundo católico e superar o ainda dominante Eurocentrismo".

Rice na Rússia

Os jornais russos dizem que o governo americano suavizou sua posição durante a visita da secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, a Moscou.

"Durante seu encontro com o presidente Vladimir Putin, Rice, que chamou atenção num cenário de sóbrios ternos pretos em seu traje totalmente vermelho, escolheu suas palavras com extrema cautela", disse o Rossiyskaya Gazeta.

Segundo o jornal, isso contrasta com as "declarações críticas sobre a natureza da democracia russa", que ela fez às vésperas de sua visita a Moscou.

Outra publicação russa, Novyye Izvestiya, concordou com essa análise, dizendo que "Rice evitou fazer declarações duras. Ela tentou criticar as autoridades russas pela democracia insuficiente no tom mais suave possível".

O Kommersant acredita que "tal interação permite que a Rússia mantenha o status quo em suas relações com os Estados Unidos o tempo que desejar".

"Vladimir Putin ganha com essa situação. Mas pode se dizer o mesmo sobre George Bush", pergunta o jornal russo.

A situação dos direitos humanos na Rússia foi destacada pelo jornal espanhol El País, por ocasião da divulgação de um relatório sobre o tema pelo Conselho da Europa.

O relatório, segundo El País, fornece "mais provas de que, sob Vladimir Putin, a Rússia está se tornando cada vez mais uma autocracia mal liderada".

O jornal diz que Putin é "um autocrata de formação e instinto" que usou o poder para "fortalecer sua influência pessoal" no país e suas instituições, mídia e forças econômicas.

 
 
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