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Atualizado às: 11 de abril, 2005 - 10h12 GMT (07h12 Brasília)
 
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Febre eleitoral
 
Ivan Lessa
Primeiro, um funeral. Papa. Em seguida, outro. Principesco e monegasco. Vai-se, em sincronicidade jungiana, o escritor Saul Bellow. Depois, um, ou “o”, casamento, para ser mais preciso. Do casal Charles e Camilla, que se confessaram, em alto e bom som, pecadores, no que, como todo mundo, não faltaram com a verdade.

Temos aí quase que uma paráfrase daquele filme com o Hugh Grant.

Perpassando tudo, temos agora a febre eleitoral na Grã-Bretanha. Vai durar.

Nada que esbarre na campanha americana, que começa assim que um presidente toma posse, ou na brasileira, que deve ser por aí, estou por fora, já que, quando deixei meu país, ainda não tinham aderido ao que muitos ainda chamam de “fricote democrático”.

Na minha época, as eleições se passavam silenciosas e distantes, como se na Barra da Tijuca de então, e quem as decidia eram uns homens vestidos de verde-oliva e cobertos de medalhas multicores.

Numerologia

Mas – à febre eleitoral britânica. Eleições gerais no dia 5 de maio. Menos de um mês de homenzarrões em manga de camisa beijando criança e interagindo (ai, as interações, meu Senhor!) com donas-de-casa e senhores desocupados.

Felizmente, essas cenas deprimentes só aparecem nos telenoticiários, editorialmente equilibrados entre os três principais partidos, para não dar vantagem a ninguém.

No centro da cidade, nenhum caminhão berrando slogans, poste com volante pregado ou muro pichado. Há um horário eleitoral. Um febril horário eleitoral. Deve dar ao todo, para cada partido, uns 20 minutos distribuídos ao longo de 20 dias. Ninguém vê. As telenovelas e o futebol medíocre continuam firmes na liderança das programações.

Meu termômetro me diz que isso tudo aí – e já devo ter acompanhado, por assim dizer, umas oito eleições – anda lá pela casa dos 36 graus e meio. Nada de febre, pois. O que me parece saudável e bonitinho, assim feito os gráficos coloridos que os jornais publicam todos os dias.

Gosto mesmo, no entanto, numerologista que sou, de ficar escrevendo, como se preenchendo um cheque, a data do tedioso acontecimento: 05 do 05 do ano de 05 - 5 de maio de 2005.

Esse o aspecto mais interessante de toda essa história.

 
 
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