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Atualizado às: 19 de maio, 2004 - 15h16 GMT (12h16 Brasília)
 
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Evento paralelo a Cannes define novos lançamentos
 

 
 
O Homem que Copiava
'O Homem que Copiava' foi negociado no Festival de Berlim
Paralelo ao Festival de Cinema de Cannes ocorre o chamado Marché du Film, ou mercado do filme, dentro do Palais, a sede principal do festival.

Nenhuma equipe de televisão vai a este local, o tapete vermelho e as estrelas não estão lá, mas é aí que é decidido o que o público do mundo todo vai assistir.

Para se chegar ao setor onde os negócios são fechados em Cannes, é preciso descer ao subsolo do Palais. Lá existe uma espécie de feira, com barracas e estandes não só de filmes, mas também de longas para a televisão e documentários, todos expondo seus produtos para possíveis compradores.

Pitaya Sithi-Amnuai era um destes compradores que estava no Mercado na tarde de terça-feira. Ele representa uma distribuidora da Tailândia e tentava fechar negócios com produtores de filmes tailandeses.

No subsolo

"O glamour pode estar no festival de filmes, mas o mercado é o que mantém tudo em movimento. As pessoas vão ao festival para ver filmes e estrelas, e não o negócio. Mas quem fica no subsolo é quem faz o festival acontecer", definiu ele à BBC Brasil.

E ele confessa que não viu nenhum dos filmes em competição ou fora dela no Festival de Cannes.

Ron Gale, da distribuidora britânica Lighthouse Entertainment, vai a Cannes há 22 anos e lembra que o mercado paralelo começou há pouco tempo.

"Das 57 edições do festival, há apenas 20 o Marché acontece. Antes, Cannes era apenas um festival de cinema mesmo. Depois vieram os distribuidores para discutir o que iriam comprar. O festival de cinema e o mercado são duas entidades separadas, mas que precisam uma da outra."

Negócios brasileiros

Tarcísio Vidigal, presidente do Grupo Novo de Cinema, vem a Cannes pelo segundo ano consecutivo e está comemorando a boa fase do cinema brasileiro. Ele lembra que o que acontece no Marché vai determinar o que o público vai ver no cinema mais próximo.

"Os importadores estão aqui comprando filmes que serão lançados, com a velocidade de hoje, daqui a 60 dias. Compra-se o filme hoje aqui e de 60 a 90 dias ele pode estar passando na Alemanha."

"Em fevereiro, no Festival de Berlim, por exemplo, a gente vendeu O Homem que Copiava. Nos próximos 30 dias já está programado o lançamento do filme em várias cidades da Alemanha", afirmou.

Irã

Outro país que vem sendo prestigiado nos últimos festivais de cinema é o Irã. Reza Tashakkori, da Fundação de Cinema Iraniano Farabi, vem a Cannes fechar acordos de distribuição há cinco anos.

"O Marché é um evento necessário, pois quando alguém quer fazer algo no campo cultural, tem que considerar o aspecto financeiro e comercial. Não venho a Cannes apenas para negócios, mas também para promover culturalmente o cinema iraniano", disse.

Malgozata Janczak, da empresa distribuidora polonesa Film Polski, lembra que é no mercado que o cinema acontece.

"Quer as pessoas gostem ou não, filme é arte, mas também é um produto", disse. "Para que as pessoas conheçam seu produto ou sua arte, é preciso ter o Marché. Caso contrário, ninguém no resto do mundo conheceria o cinema polonês ou o brasileiro, por exemplo", afirmou.

 
 
Gilberto GilCannes
Festival de cinema faz homenagem a filmes brasileiros.
 
 
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