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Atualizado às: 30 de dezembro, 2006 - 03h34 GMT (01h34 Brasília)
 
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Saddam manteve postura desafiadora durante julgamento
 
Saddam Hussein
Saddam foi condenado à morte pelo assassinato de 148 xiitas
O ex-presidente iraquiano Saddam Hussein manteve uma postura desafiadora até o final do julgamento que terminou por condená-lo à morte.

Sempre deixando claro que não reconhecia a autoridade do tribunal, o réu chegou a qualificar o processo judicial como uma "comédia" e como um show montado pela coalizão de governo xiita e curda, apoiada pelos Estados Unidos.

Nos 14 meses de julgamento, Saddam - que continuava se apresentando como "presidente do Iraque" - foi expulso diversas vezes do tribunal por desrespeitar os procedimentos.

Em uma das ocasiões, em outubro, o juiz Mohammed Oreibi al-Khalifa desligou o microfone de Saddam depois que ele, citando um verso do Corão, disse a frase "lutem contra eles e Deus os punirá". Em seguida, o juiz ordenou que funcionários da corte o retirassem da sala.

O ex-presidente manteve o tom desafiador até quando falava da acusação pela qual foi condenado à morte, o assassinato de 148 pessoas, a maioria xiitas, na cidade de Dujail, em 1982.

Em sessão em março, Saddam Hussein admitiu ter determinado o julgamento dos xiitas depois executados, mas defendeu a sua decisão, alegando que eles eram suspeitos de tramar um atentado contra ele.

"Onde está o crime? Onde está o crime?", perguntava.

Saddam não admitiu nem negou que tivesse aprovado as execuções, mas se disse o único responsável pelo processo contra os 148 xiitas, afirmando que os outros sete acusados pelo crime deveriam ser libertados.

"Naquele momento, eu estava no comando. Não tenho o hábito de passar minhas tarefas para as costas dos outros", afirmou Saddam.

O dramático discurso de Saddam aconteceu no dia seguinte à apresentação, pela acusação, de um decreto supostamente assinado por ele aprovando a sentença de morte para os 148 xiitas.

Em outro julgamento, iniciado em agosto, no qual era acusado de participar de uma ofensiva contra curdos em 1987 e 1988, a chamada Operação Anfal, Saddam negou-se a se declarar culpado ou inocente e, assim como havia feito no primeiro julgamento, questionou a legitimidade do tribunal.

Saddam foi executado antes da conclusão desse julgamento, em que ele e outros reús respondiam a acusações de genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade, relacionadas às mortes de cerca de 180 mil pessoas.

 
 
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