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Atualizado às: 24 de dezembro, 2006 - 12h35 GMT (10h35 Brasília)
 
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Etiópia admite ter tropas combatendo na Somália
 
Soldado somali em Baidoa
Etiópia engrossa forças do governo de Baidoa contra milícia islâmica
O governo da Etiópia admitiu pela primeira vez, neste domingo, que enviou tropas para a Somália, e que está lutando ao lado do governo interino somali para derrotar forças da milícia União dos Tribunais Islâmicos (UTI), na fronteira entre os dois países.

"Depois de muita paciência, o governo da Etiópia tomou uma medida de autodefesa e começou a contra-atacar as forças extremistas agressivas", disse o porta-voz do Ministério do Exterior etíope, Solomon Abebe, segundo agências de notícias.

É a primeira vez que a Etiópia admite o envio de tropas para o país vizinho, em uma escalada de violência que observadores temem ser o início de uma guerra regional no chamado Chifre da África.

No sábado, um dirigente da UTI afirmou que estava "em estado de guerra" contra a Etiópia, e pediu a estrangeiros que engrossem uma "guerra santa" contra as tropas etíopes.

Bombardeios

As tropas etíopes apóiam o governo interino estabelecido na cidade de Baidoa, que perdeu espaço para a UTI, milícia islâmica que controla o sul do país e a capital portuária, Mogadíscio.

Neste domingo, um dirigente da UTI afirmou que combatentes etíopes bombardearam a cidade de Beledweyne, localidade controlada pela milícia próxima à fronteira com a Etiópia.

"O inimigo de Alá começou a bombardear nossos civis", disse o xeque Hassan Derrow, segundo a agência France Presse.

Um morador da cidade, cerca de 300 quilômetros ao norte de Mogadíscio, disse à agência: "Estamos vendo aviões atacando, e combates pesados se intensificando em terra".

Combates também foram registrados em Baidoa pelo quinto dia consecutivo, e na região de Galkayo, ao norte.

Guerra regional

Observadores levantam a possibilidade de que a Somália esteja sendo palco de um conflito regional.

A Organização das Nações Unidas (ONU) estima que há cerca de 8 mil soldados etíopes no país, em apoio ao governo interino em Baidoa.

Por sua vez, a vizinha Eritréia, inimiga histórica da Etiópia, teria mandado 2 mil homens para lutar ao lado do efetivo da milícia islâmica.

Na sexta-feira, um comunicado do Ministério do Exterior etíope classificava a situação na Somália como "de mal a pior". "A Etiópia tem sido paciente até agora. Há um limite para isso", dizia a nota.

Mas, até então, o governo etíope em Adis-Abeba admitia ter enviado soldados para a Somália apenas para fins de treinamento.

 
 
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