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Atualizado às: 10 de outubro, 2006 - 10h07 GMT (07h07 Brasília)
 
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'Pegadinha' expõe uso de drogas no parlamento italiano
 
Imagem do Coliseu, em Roma
O programa levantou grande discussão nos meios políticos
Com uma "pegadinha", um programa humorístico da TV italiana acabou expondo a extensão do uso de droga no parlamento italiano.

Os diretores do programaLe Iene (As Hienas), disseram que montaram a operação para testar 50 dos 630 deputados. Os políticos foram convidados a dar entrevistas sobre o orçamento do país para um programa inexistente da TV a cabo, mas enquanto estavam sendo preparados para a entrevista, tiveram amostras de suor retiradas de suas testas e supercílios para análise posterior.

O programa, que é produzido por uma emissora de TV pertencente ao ex-premiê Silvio Berlusconi, a Mediaset, deveria ir ao ar nesta terça-feira, mas teve sua exibição proibida por violação da privacidade dos 50 deputados.

A produção do programa afirma que os testes em 16 dos 50 deputados revelaram traços de uso de maconha ou cocaína consumidas nas 36 horas anteriores à coleta das amostras.

Para fazer o teste, a produção do programa utilizou o DrugWipe, um produto que detecta rapidamente a existência de algumas drogas em fluidos corporais como suor ou saliva ou em superfícies do corpo.

O sistema, usado pela polícia de vários países da Europa para averiguação de uso de drogas em motoristas, tem um índice de acerto de 100% e, segundo seu fabricante, não tem como acusar a presença da droga em quem não a tenha ingerido.

Reações distintas

Os políticos reagiram de maneiras diferentes ao anúncio do programa.

“Pessoalmente, eu não gosto desse tipo de intrusão na vida privada das pessoas”, disse o ministro da Solidariedade Social, Paolo Ferraro. “Mas os resultados parecem confirmar o que se diz a respeito do uso de droga por muitos parlamentares”, afirmou, segundo a agência Ansa.

A validade dos recursos usados pelo Le Iene foi contestada por muitos, como Carlo Giovanardi, deputado que tem um histórico ativo no combate ao uso de tóxicos. Mas mesmo Giovanardi, segundo a Ansa, não teria se surpreendido com as acusações feitas pelo programa.

O líder do Partido Radical, Daniele Capezzone, que liderou uma longa campanha em prol da legalização da maconha, disse à Ansa que também não ficou surpreso com os resultados.

“Sempre disse que quando um cachorro da polícia entrasse em determinados ambientes da política oficial, primeiro, seu nariz entraria em colapso e depois, ele desistiria”, afirmou Capezzone.

Para Paolo Cento, do Partido Verde italiano, se trata de uma hipocrisia existente no ambiente político italiano, onde “há quem vote leis moralistas e depois vai cheirar cocaína”.

Para Paolo Gambescia, da Democracia de Esquerda, também em entrevista à agência italiana, a preocupação é com o efeito que o programa poderia ter na discussão das novas leis sobre dependência de tóxicos.

 
 
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