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Ramos Horta é escolhido novo premiê do Timor
 
José Ramos Horta
Nobel da Paz substituirá premiê acusado de incitar violência no país
O vencedor do Prêmio Nobel da Paz de 1996, José Ramos Horta, foi escolhido como novo primeiro-ministro do Timor Leste.

O cargo estava vago desde que o ex-premiê, Mari Alkatiri, renunciou no mês passado, após ter sido acusado de haver incitado a onda de violência no país que matou pelo menos 20 pessoas.

Ramos Horta, que exercia o cargo de ministro das Relações Exteriores do Timor, terá a incumbência de comandar um novo governo do país.

O governo da Austrália, que comandou as forças de paz internacionais que atuaram no Timor Leste, saudou a indicação.

Ramos Horta venceu o Nobel da Paz pelos seus esforços em pról da independência do Timor Leste, durante o período em que o Timor esteve sob ocupação da Indonésia.

O novo premiê não integra o partido governante, a Frente Revolucionária do Timor Leste Independente (Fretilin), mas é considerado o único político que conta com a aprovação das diferentes correntes da Fretilin.

Intimação

Mari Alkatiri, o antecessor de Ramos Horta, foi intimado a comparecer a um tribunal timorense, devido à acusação de que montou milícias para eliminar opositores políticos.

Alkatiri nega a acusação e se recusa a atender à convocação, sob alegação de que possui imunidade por ser membro do Parlamento.

No final de junho, Alkatiri havia sido intimado a depor pelo procurador-geral timorense, mas também se negou.

As acusações contra o ex-premiê se devem a informações dadas por um de seus aliados próximos, o o ex-ministro do Interior Rogério Lobato, que foi acusado de distribuir armas a milícias civis, supostamente a pedido de Alkatiri.

Renúncia

O ex-premiê renunciou ao cargo no mês passado, após ter sido responsabilizado pela onda de violência que atingiu o país em maio.

A revolta popular começou logo depois que o ex-primeiro-ministro ordenou a demissão de 600 soldados que reclamavam de discriminação étnica dentro das Forças Armadas.

Gangues de jovens começaram a se enfrentar nas ruas da capital, Díli, casas foram queimadas e centenas de milhares de pessoas deixaram tudo para trás para fugir da violência, antes que tropas da Austrália, Nova Zelândia, Portugal e Malásia chegassem ao país para conter o conflito.

 
 
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