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Atualizado às: 25 de janeiro, 2006 - 10h13 GMT (08h13 Brasília)
 
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Marcha contra a guerra no Iraque abre Fórum Mundial
 
Centro de Caracas foi tomado por manifestantes
Cerca de 80 mil ativistas de todo o mundo estão reunidos em Caracas desde terça-feira para o fórum alternativo à conferência econômica de Davos, na Suíça.

O Fórum Social Mundial foi realizado pela primeira vez no Brasil, em 2001, e coincide com o Fórum Econômico Mundial de líderes políticos e do setor privado, que começou na quarta-feira em Davos.

Os delegados dos movimentos políticos e sociais reunidos na Venezuela devem debater um amplo espectro de temas, entre eles o comércio justo, o perdão da dívida dos países pobres e os direitos dos indígenas.

O encontro começou com uma marcha contra a guerra no Iraque em Caracas, na qual milhares de pessoas empunhavam cartazes criticando o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, e a intervenção americana no Iraque.

Mundo melhor

Estudantes, sindicalistas, políticos e acadêmicos de 54 países planejam discutir, trocar e chegar a consensos sobre como construir um mundo melhor.

Cerca de dois mil eventos, incluindo seminários, discursos e concertos vão acontecer em Caracas esta semana. Entre as estrelas do FSM estão o escritor uruguaio, Eduardo Galeano; o argentino Adolfo Perez Esquivel, ganhador do Prêmio Nobel da Paz e a ex-primeira dama da França, Danielle Mitterrand.

A maior concentração de ativistas está na Venezuela, mas o fórum deste ano está sendo realizado em três países: um pequeno, que acabou na segunda-feira em Mali e outro no Paquistão, em dois meses.

Chávez

O presidente venezulano, Hugo Chávez, é o centro das atenções do Fórum Social este ano. Muitos dos delegados foram à Venezuela para inteirar-se em primeira mão sobre as reformas implementadas por seu governo nos setores de saúde pública e educação.

Nestor Petrola, que viajou de ônibus da Argentina para Caracas, acredita que outros líderes latino-americanos deveriam ver Chávez como um exemplo.

"Ele fez mais em termos de reforma agrária e de impedir a privatização de serviços públicos que os outros e é por isto que ainda está no poder", disse Petrola.

Chávez, um ex-militar de esquerda e aliado próximo do presidente cubano, Fidel Castro, deve fazer o discurso de encerramento do fórum.

Desde que chegou à presidência, em 1999, ele gastou milhões de dólares dos lucros venezuelanos com a venda de petróleo para programas sociais, fez mudanças na constituição garantindo novos direitos para os índios venezuelanos e criou centenas de cooperativas estatais.

Conhecido como "O Comandante" entre seus correligionários, ele também é um dos maiores oponentes da política de comércio internacional dos Estados Unidos e tornou-se um símbolo do anti-imperialismo americano na região.

De acordo com a agência Reuters, o fato de Chávez chamar tanta atenção preocupa alguns dos delegados, que temem que a agenda venezuelana domine as discussões, tomando espaço de debate para outros temas e tirando o caráter global do fórum.

A maioria dos participantes veio de países vizinhos, como o Brasil e a Colômbia.

Pelo menos quatro estudantes brasileiros morreram e 11 ficaram feridos em um acidente de carro no Peru, a caminho do fórum.

 
 
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