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Atualizado às: 29 de agosto, 2005 - 08h14 GMT (05h14 Brasília)
 
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Carta é 'receita para caos', diz Liga Árabe
 
Amr Moussa
Moussa se disse preocupado com falta de consenso no Iraque
O secretário-geral da Liga Árabe, Amr Moussa, disse que partes do novo projeto de Constituição do Iraque são uma "receita para o caos".

Em entrevista à BBC, Moussa manifestou sua preocupação com a falta de consenso no Iraque sobre a Constituição, que foi aprovada por negociadores xiitas e curdos no domingo, sem o apoio de sunitas.

Segundo ele, a Liga Árabe tem a mesma preocupação dos sunitas em relação ao federalismo e também em relação ao fato de a Constituição não identificar o Iraque como um país árabe, aparentemente por concessão às minorias que não são árabes, como os curdos.

No domingo, o presidente americano, George W. Bush, elogiou a conclusão dos trabalhos para a criação da nova Constituição iraquiana e minimizou a decisão dos líderes muçulmanos sunitas de boicotar o documento.

'Liberdade'

"Obviamente existem divergências. Estamos assistindo ao desenrolar de um processo político", disse Bush.

"Alguns sunitas mostraram reservas sobre alguns pontos da Constituição. Esse é um direito deles como cidadãos livres vivendo em uma sociedade livre."

Também no domingo, o governo britânico divulgou nota conclamando os iraquianos para que participem do referendo sobre a nova Constituição, em outubro.

Após o fim das conversações, negociadores sunitas pediram a intervenção da ONU (Organização das Nações Unidas) e da Liga Árabe para resolver a disputa.

"Declaramos que não aceitamos e rejeitamos os artigos mencionados no texto e que não atingimos um consenso, tornando o documento ilegítimo", disse um comunicado sunita.

Os principais pontos de oposição sunita são a cassação dos direitos políticos de ex-integrantes do partido Baath, de Saddam Hussein (partido que governou o país entre 1969 e 2003), e a proposta de federalizar o país.

A minoria sunita teme que uma maior autonomia para os curdos no norte e para os xiitas no sul possa comprometer sua parcela na receita com o petróleo. As principais reservas do país estão nas regiões curdas e xiitas.

Otimismo

Para que a Constituição seja ratificada, ela precisa ser aprovada pela maioria do eleitorado e não pode ser rejeitada por dois terços ou mais dos eleitores em pelo menos três províncias.

Os sunitas são a grande maioria do eleitorado em pelo menos quatro das 18 províncias iraquianas, embora essas sejam algumas das regiões mais violentas do país – o que pode dificultar uma campanha sunita pelo “não”.

Muitos comentaristas temem que, se a Constituição for rejeitada, o Iraque se torne ainda mais instável e que se estabeleça um vácuo político, que pode ser preenchido pela insurgência predominantemente sunita.

O presidente interino do Iraque, Jalal Talabani, pediu para que os iraquianos ratifiquem o documento, dizendo que “com exceção do Corão, não existe livro perfeito".

"Esperamos que a Constituição seja aceita por todos os iraquianos. Estamos otimistas."

 
 
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