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Atualizado às: 18 de julho, 2005 - 15h00 GMT (12h00 Brasília)
 
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Corte britânica condena afegão por liderar tortura
 
Faryadi Zardad era líder tribal e cometeu crimes no Afeganistão
Faryadi Zardad era líder tribal e cometeu crimes no Afeganistão
Um líder tribal afegão foi considerado culpado por uma corte britânica por tortura e sequestros no Afeganistão.

A condenação de Faryadi Zardad, de 41 anos e morador do bairro de Streatham, no sul de Londres, é considerada a primeira a ser dada a um cidadão afegão por crimes cometidos em sua terra natal e onde as testemunhas deram depoimento por videoconferência.

Zardad foi condenado em um segundo julgamento devido aos ataques que ele realizou em postos de fiscalização no Afeganistão entre 1991 e 1996.

O líder tribal afegão, que nega todas as acusações, deve ser sentenciado na terça-feira.

Investigação

Zardad foi encontrado vivendo no sul de Londres por uma reportagem do programa Newsnight da BBC.

Depois de ser visto por parlamentares britânicos, o programa foi exibido para autoridades da agência anti-terrorismo.

Em seguida foi realizada uma longa investigação da polícia, na Grã-Bretanha e Afeganistão e casos na Justiça, num custo total de pelo menos 3 milhões de libras (cerca de R$ 12 milhões).

A Justiça britânica considerou Zardad culpado depois de ouvir depoimentos sobre vários incidentes em que foram relatados execuções sumárias e tomada de reféns, num julgamento que durou sete semanas.

Zardad foi a julgamento por uma segunda vez depois que o júri em seu primeiro julgamento, em 2004, não conseguiu chegar a um veredicto.

Um dos desafios jurídicos foi mostrar que mesmo que Zardad não tenha, necessariamente, torturado alguém pessoalmente, ele ainda é responsável por ser o líder dos homens que administraram a tortura.

Nos dois julgamentos as testemunhas afegãs deram seus depoimentos por meio de videoconferência, transmitida para a corte em Londres direto da embaixada britânica na capital afegã, Cabul.

Segundo o Serviços de Promotoria Real esta foi a primeira vez no mundo em que crimes como tortura e tomada de reféns foram julgados em circunstâncias como esta.

"É ainda mais raro para uma corte britânica julgar um caso em que o réu e as testemunhas não são britânicos", declarou a Promotoria Real em uma declaração.

 
 
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