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Atualizado às: 30 de maio, 2005 - 16h26 GMT (13h26 Brasília)
 
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Chefe dos Médicos Sem Fronteiras é preso no Sudão
 
refugiada de Darfur
Estupro é considerado assunto sensível para governo do Sudão
Autoridades do Sudão prenderam nesta segunda-feira o chefe da ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF) no país, Paul Foreman, por causa de um relatório que detalha os casos de estupro em Darfur.

A Procuradoria do Sudão disse à agência Reuters que Foreman estava sendo preso por não ter repassado as evidências nas quais o relatório se baseia.

As mílicias favoráveis ao governo em Darfur são acusadas de estupro e assassinato em massa, mas o governo nega cumplicidade.

Foreman disse que "privilégio médico" e confidencialidade ao paciente não permitiam que ele entregasse os documentos exigidos pelas autoridades.

A Procuradoria-geral do Sudão disse ter chegado á conclusão de que o relatório é falso.

Segundo o correspondente da BBC no Sudão, Jonah Fisher, é provável que Foreman seja solto sob fiança e proibido de deixar o país.

Ele poderá ser condenado a até três anos de prisão se for julgado culpado de ter falsificado o relatório.

O chefe da ONU no Sudão, Jan Pronk, disse que lamentava a prisão.

"O documento é um documento não-político, baseado apenas na preocupação humanitária do MSF, que tem feito um excelente trabalho na ajuda às vítimas de estupro", disse Pronk à BBC.

Casos

O relatório, publicado em março, é baseado no tratamento de 500 mulheres em um período de 4,5 meses em Darfur.

O documento detalha cerca de 300 desses casos, com muitos escritos como depoimentos de testemunhas, segundo ele.

Estupro é um tema sensível para o governo do Sudão.

O governo do país tem insistido que como é contra o Islã, o estupro não acontece na escala que tem sido denunciada por inúmeras agências internacionais e da ONU.

Segundo a ONU, cerca de 180 mil pessoas morreram nos dois anos de conflito em Darfur e mais de 2 milhões foram expulsos de suas casas.

Segundo Foreman, o MSF tem uma presença significativa em Darfur, com mais de 300 funcionários internacionais e 3 mil locais que tratam cerca de 1 milhão de pacientes.

 
 
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