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Atualizado às: 30 de agosto, 2004 - 11h57 GMT (08h57 Brasília)
 
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'Manifestante da maratona' paga fiança e é libertado
 
O agressor de Vanderlei de Lima
Cartaz do agressor trazia palavras supostamente proféticas
O ex-padre irlandês Cornelius Horan, que atacou o corredor brasileiro Vanderlei Cordeiro de Lima durante a maratona dos Jogos Olímpicos de Atenas, no domingo, foi libertado nesta segunda-feira.

Horan, que tem 57 anos e mora em Londres, foi condenado a 12 meses de sentença suspensa e teve de pagar fiança de 3 mil euros (mais de R$ 10 mil). Com isso, ele acabou sendo libertado. Ainda não se sabe se o ex-padre foi deportado da Grécia.

O irlandês disse à polícia que seu protesto na maratona foi uma preparação para "a segunda vinda de Jesus Cristo".

Cordeiro de Lima liderava a prova quando Horan invadiu a pista e o agarrou. Após desvencilhar-se do ex-padre, o brasileiro foi ultrapassado pelo italiano Stefano Baldini e pelo americano Mebrahtom Keflezighi, conquistando a medalha de bronze.

'Misericordioso'

Horan, que vestia uma saia e um gorro típicos da Irlanda foi preso e levado para a Divisão Geral da Polícia, em Ática, onde permaneceu durante toda a noite.

A polícia afirmou que o irlandês sofre de problemas mentais e "não estava muito bem".

"A obsessão religiosa está sendo considerada a causa das atitudes de Horan", afirmou uma porta-voz da polícia.

No ano passado, Horan invadiu a pista do autódromo de Silverstone, durante a realização do Grande Prêmio de Fórmula 1 e ficou preso por dois meses.

Leslie Broad, da editora Deunant, que publicou livro do irlandês, descreveu-o como um "homem tímido, inteligentíssimo e misericordioso".

"Mas, assim como ocorre com pessoas muito inteligentes, essa inteligência se manifesta de forma muito estranha", concluiu.

Apelação

O Comitê Olímpico Brasileiro (COB) anunciou que pretende apelar contra o resultado da prova.

Após a corrida, Cordeiro de Lima afirmou estar "contente" com a conquista do bronze.

Mas logo depois da cerimônia de entrega das medalhas, afirmou: "Se não fosse aquele maluco, tenho certeza de que teria ganho o ouro".

"Pela maneira como eu estava correndo, seria muito difícil me fazer parar."

Ele afirmou que Horan não o machucou, mas quebrou seu ritmo e prejudicou sua concentração.

Depois da prova, o Comitê Olímpico Internacional (COI) lamentou o incidente e condecorou Lima com a medalha Pierre de Coubertin, por seu espírito olímpico, na cerimônia de encerramento dos Jogos.

"Reconhecemos a excepcional demonstração de 'fair play' e valores olímpicos por parte de Vanderlei Cordeiro de Lima", afirmou um porta-voz do COI.

A Federação Internacional de Atletismo confirmou que o resultado da maratona não será alterado.

 
 
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