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Atualizado às: 24 de agosto, 2004 - 19h30 GMT (16h30 Brasília)
 
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Começam julgamentos em Guantánamo
 
Prisioneiros em Guantánamo
Os prisioneiros estão em Guantánamo há dois anos sem julgamento
Começou nesta terça-feira, na base militar de Guantánamo, o julgamento de quatro prisioneiros da guerra no Afeganistão.

Os quatro detidos - um australiano, dois iemenitas e um sudanês - são os primeiros a passar por esse tipo de julgamento, que não era usado há 50 anos.

O iemenita Salim Ahmed Hamdan, de 34 anos, ex-motorista de Osama Bin Laden, foi o primeiro a aparecer no tribunal.

Ele foi formalmente acusado de conspiração para cometer assassinato como membro da organização Al-Qaeda.

Algemas

Hamdan estava acorrentado e com algemas. Seu advogado, indicado pelos militares, Charlie Swift, disse antes da audiência que ele planejava pedir que as acusações sejam retiradas.

Ele afirmou que Hamdan, que nega a acusação de terrorismo, deveria ter tido a chance de contestar seu status de "combatente inimigo" em um tribunal civil.

O australiano David Hicks, de 29 anos, vai comparecer ao tribunal nesta quarta-feira. Ele também enfrenta acusações de tentativa de assassinato.

Ali Hamza Ahmad Sulayman Al Bahlul, de 33 anos, também do Iêmen, e Ibrahim Ahmed Mahmoud Al Qosi, de 44 anos, do Sudão, vão ao tribunal até o fim desta semana.

Acredita-se que os quatro foram detidos no Afeganistão em algum momento em 2001 ou 2002. Eles estavam presos em Guantánamo sem julgamento há dois anos.

É a primeira vez que procedimentos legais deste tipo estão sendo conduzidos pelos americanos desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

Segurança

A segurança foi reforçada e apenas oito jornalistas tiveram acesso ao tribunal. Os outros jornalistas assistiram tudo em monitores instalados em outra sala.

Os promotores e os advogados de defesa vêm das forças armadas.

Os julgamentos estão sofrendo críticas de grupos defensores de direitos humanos, que dizem que os procedimentos são ilegais. A Anistia Internacional mostrou preocupação nesta terça-feira por não ter tido acesso aos participantes.

Um porta-voz da promotoria disse que a comissão militar cumpre padrões internacionais para julgamentos justos.

O governo dos Estados Unidos diz que tribunais civis americanos não têm jurisdição sobre prisioneiros inimigos.

 
 
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