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Atualizado às: 30 de junho, 2004 - 22h54 GMT (19h54 Brasília)
 
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Governo do Sudão promete conter milícias em Darfur
 
Milicianos atacaram vilarejos sistematicamente nos últimos 15 meses
O governo do Sudão prometeu agir para reimpor a ordem na região de Darfur, no oeste do país, onde milícias apoiadas pelo governo têm sido acusadas de violência contra a população.

Mais de um milhão de pessoas tiveram que abandonar suas casas depois de repetidos ataques violentos em vilarejos realizados por milícias árabes, causando o que a ONU descreve como a pior crise humana do mundo.

O ministro das Relações Exteriores do Sudão, Mustafa Ismail, disse que mais forças de segurança foram enviadas a Darfur, e restrições ao trabalho de agências humanitárias na região foram aliviadas.

O Secretário de Estado americano, Colin Powell, e o Secretário-Geral da ONU, Kofi Annan, passaram o dia no país, discutindo a crise de Darfur.

Powell e Annan

Segundo Powell, a maior prioridade é restabelecer a segurança.

Annan disse aos representantes do governo sudanês que quer ver progressos nas próximas 48 horas.

Os Estados Unidos propuseram à ONU impor um embargo de armas e de viagens ao país por causa do conflito, que tem sido tachado por agências humanitárias como limpeza étnica.

Annan levantou a possibilidade de enviar tropas internacionais ao Sudão para proteger a população de Darfur.

"Acho que todos temos a responsabilidade de agir com urgência com relação à situação em Darfur", disse Annan ao gabinete de ministros sudaneses, ao início de um encontro que incluiu também representantes das Nações Unidas.

Powell acrescentou que apresentou um calendário para o desarmamento das milícias e que estava falando em dias ou semanas.

Durante a visita, os dois líderes disseram que esperam chamar a atenção da comunidade internacional para o problema e garantir que ele não será ignorado como foi o genocídio em Ruanda há uma década.

Campo de refugiados

Milhares de refugiados saíram de suas tendas e receberam Powell no campo de Abu Shouk, um dos acampamentos temporários em Darfur.

Esta foi a primeira visita de um Secretário de Estado americano à região em 26 anos. Ele evitou termos como "limpeza étnica" e disse que as pessoas estão nos campos "por causa da violência em seus vilarejos e no campo".

Na semana passada, Annan disse que a situação estava "beirando a limpeza étnica".

Por sua vez, a investigadora de direitos humanos da ONU, Asma Jahangir, disse nesta terça-feira que viu "indicações fortes de crimes contra a humanidade" durante a visita de 13 dias que fez a Darfur no princípio de junho.

 
 
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