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Atualizado às: 22 de abril, 2004 - 09h27 GMT (06h27 Brasília)
 
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Relatório acusa Sudão de colaborar com 'atrocidades' em Darfur
 
Refugiados no Chade
Refugiados no Chade falam em estrupos e assassinatos
Um relatório das Nações Unidas aponta evidências detalhadas de que o governo do Sudão permitiu e ajudou diretamente milícias sudanesas a cometer atrocidades contra não-árabes em Darfur, no oeste do país.

A BBC teve acesso a uma versão preliminar do documento preparado por uma equipe do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), que constatou a ocorrência de abusos generalizados e supostas atrocidades no Sudão.

De acordo com o relatório, refugiados que deixaram suas casas por causa dos combates entre milícias no país são vítimas de graves abusos que podem ser considerados crimes contra a humanidade.

Segundo o documento, o Sudão usou sua Força Aérea para bombardear vilarejos e suas tropas expulsaram a população de determinadas áreas. As milícias apoiadas pelo governo forçaram cerca de 670 mil pessoas a fugir para o Chade, país vizinho.

Os refugiados também denunciam estupros, mortes arbitrárias e destruição de casas.

Discussões

Os abusos contra os refugiados sudaneses são tema de discussões nesta quinta-feira na sede da Acnur, em Genebra, na Suíça.

O relatório preliminar, no entanto, não será discutido no encontro porque o governo do Sudão, que nega envolvimento nos abusos, só concordou na segunda-feira em permitir que a equipe visite Darfur.

Grupos de defesa dos direitos humanos descreveram a decisão como uma "artimanha" do governo para evitar que o relatório seja discutido ainda neste ano.

Na quarta-feira, representantes do governo do Sudão e dos rebeldes de Darfur começaram uma segunda rodada de negociações de paz no Chade.

Conflito

O conflito na região pobre e árida de Darfur começou em meados de 2003 quando um grupo rebelde começou a atacar alvos do governo, alegando que a região estava sendo negligenciada pela administração central.

Os rebeldes alegam que o governo oprime os negros africanos em favor dos árabes. Historicamente, há registros de tensão entre as duas comunidades por causa de terras e pastagens para rebanhos.

Há dois grupos rebeldes no país – o Exército de Libertação do Sudão e o Movimento para a Igualdade e Justiça. Ambos têm ligações com um dos políticos mais destacados da oposição sudanesa, Hassan Al-Turabi.

O governo começou a mobilizar uma milícia árabe – Janjaweed – para lidar com a insurreição. Grupos de defesa dos direitos humanos acusaram os milicianos de abusos contra residentes não-árabes em Darfur.

O governo diz que controla a região, mas os rebeldes negam isso. Centenas de milhares de civis fugiram de suas casas e estima-se que milhares foram mortos.

Pelo menos 100 mil pessoas buscaram refúgio no Chade, mas várias estão acampadas ao longo de uma faixa de 600 quilômetros de fronteira e estão vulnerável a ataques do Sudão.

 
 
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