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Atualizado às: 19 de março, 2004 - 19h47 GMT (16h47 Brasília)
 
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Um ano depois, futuro do Iraque permanece indefinido
 

 
 
Soldados americanos no Iraque
Plano dos EUA é instituir um governo pleno até 2005 no Iraque
Um ano após a invasão e o desfecho ainda nem começou. A guerra que dividiu a opinião internacional não se mostrou ainda decisiva em moldar o futuro do próprio Iraque.

O resultado vai ajudar a determinar se os Estados Unidos e a Grã-Bretanha vão poder argumentar, independentemente das discussões em torno das armas de destruição em massa, que acabaram com uma ditadura. E que, como aconteceu com a Alemanha e com o Japão, reordenaram uma sociedade com implicações benéficas para a região e para o mundo.

Para outros, os fins nunca justificam os meios. Há os que vão continuar a argumentar que a ONU foi desprezada e que até agora a guerra que foi iniciada com base na melhor das hipóteses em exagero, na pior, em mentiras, trouxe implicações nefastas para o Oriente Médio e para o mundo.

Também não há acordo quanto às consequências da guerra do Iraque sobre a guerra ao terror declarada pelo presidente Bush depois dos ataques de 11 de setembro de 2001, nos Estados Unidos.

Planejamento

Claro que não se supunha que iria ser deste jeito. A idéia era ter os aliados triunfantes sendo recebidos como libertadores pelos iraquianos que, livres da liderança do partido Baath iriam rapidamente concordar na criação de novas estruturas democráticas de governo.

Foi provavelmente por isto que houve tão pouco planejamento para lidar com as consequências da guerra.

Um general americano reformado, Jay Garner, com uma sólida experiência em trabalhar entre os curdos depois da primeira Guerra do Golfo, foi enviado para chefiar a "Reconstrução e Ajuda Humanitária". A indicação deu um sinal claro sobre onde recaía a prioridade: na reconstrução da infra-estrutura.

Era como se a política fosse se resolver por ela mesma. Não se resolveu.

Rapidamente o general Garner foi substituído por Paul Bremer, um diplomata da escola antiterrorista. O plano inicial de Bremer para criar uma ordem constitucional mostrou-se muito moderado e o Iraque está provavelmente no plano C ou D.

Não ia mesmo ser fácil. O Império Britânico levou 100 anos ou mais para criar uma ordem democrática em algumas de suas colônias. No Iraque isto está sendo tentado há um ano.

Democracia

A idéia agora é entregar o poder a um governo interino no dia 30 de junho, quando Bremer vai embora. Eleições aconteceriam então em janeiro do próximo ano para eleger uma assembléia de transição. A futura assembléia iria então esboçar uma Constituição definitiva e marcar eleições para o final de 2005, elegendo então um governo iraquiano pleno.

Vozes pessimistas duvidam que isso vá funcionar.

Patrick Basham, pesquisador sênior do Centro de Representatividade Governamental do Instituto Cato, em Washington, questionou recentemente: "O Iraque é capaz de passar tranquilamente de uma ditadura para uma democracia?"

E ele mesmo concluiu: "A Casa Branca vai ficar decepcionada com o resultado deste esforço de estabelecer uma democracia liberal no Iraque, ou em qualquer outra nação que tenha uma grande população muçulmana ou árabe, pelo menos a curto e a médio prazo. Paradoxalmente, um Iraque mais democrático pode também ser um país mais repressivo. Uma coisa é adotar uma democracia formal, outra é chegar a uma democracia estável."

Por outro lado, os otimistas, apesar de não haver tantos assim, olham para o longo prazo. Jonathan Paris, do Centro do Oriente Médio do St. Antony's College da Universidade de Oxford, acredita que "as coisas vão piorar, antes de ficarem melhor".

"Acho que as chances de um período transicional acontecerem de forma tranquila são de 50%. O gráfico vai subir quando os iraquianos tiverem um governo que possam apoiar. Mas aí vão colocar no ostracismo quem estiver causando problemas", disse Paris à BBC.

"Também vai haver o efeito dos grandes contratos de reconstrução (no valor de US$ 8-9 bilhões), que os Estados Unidos estão assinando agora. Se não houver ânimo para a guerra civil, os efeitos do dinheiro vão ser sentidos", conclui.

Alguns dos indicadores econômicos favorecem os otimistas. Anthony Wayne, secretário-adjunto para Assuntos Econômicos do governo americano, disse ao Congresso em fevereiro que a produção iraquiana de petróleo, responsável por 95% das receitas do país, estava se sustentando na média de 2,2 milhões a 2,3 milhões de barris ao dia, apesar de sabotagens nos oleodutos do norte.

petróleo
Orçamento pode ganhar reforço com aumento da produção de petróleo

A meta, de acordo com Wayne, é alcançar uma produção diária de 3 milhões de barris ao final de 2004. Isto permitiria que o orçamento fosse rapidamente ampliado e houvesse superávit em 2005 e 2006.

Mas ainda há muita instabilidade para se saber como será o futuro. Indicadores econômicos nem sempre refletem a realidade política. No final dos anos 70, El Salvador, na América Central, tinha uma alta taxa de crescimento, pouco desemprego e uma moeda forte. Tinha também uma nascente guerra civil.

Se o Iraque produzir resultados positivos, pode haver uma trégua entre os Estados Unidos e seus críticos europeus, apesar de cicatrizes permanecerem.

Senão, suspeitas e acusações vão prolongar-se.

Quem disse que a história acabou?

 
 
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