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Atualizado às: 25 de fevereiro, 2004 - 18h36 GMT (15h36 Brasília)
 
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Arquivado caso contra tradutora que 'vazou' e-mail
 
Katharine Gun
Gun foi demitida em junho e processada em novembro
A tradutora do governo britânico que havia sido demitida por revelar um e-mail secreto teve a acusação contra si retirada nesta quarta-feira.

Katharine Gun divulgou um e-mail em que espiões americanos supostamente estariam pedindo ao governo britânico para grampear o telefone de países que votariam sobre a guerra contra o Iraque na ONU.

Gun disse ter agido "para prevenir a guerra". Já fora do tribunal, ela declarou: "Não me arrependo e faria de novo".

O vazamento para o jornal britânico The Observer gerou polêmica, e o caso de Gun se tornou uma causa famosa nos Estados Unidos, recebendo o apoio do ativista de direitos civis Jesse Jackson e do ator Sean Penn.

Constrangimento

O grupo de direitos humanos Liberty, que apoiou a tradutora durante o julgamento, disse ser possível que a promotoria tenha sofrido uma interferência política.

O correspondete da BBC Guto Harri disse que um porta-voz do governo sugeriu que a decisão de arquivar o caso pode ter sido tomada porque Gun planejava alegar ter vazado o e-mail "para evitar que pessoas morressem na guerra", um argumento que poderia persuadir o júri e manchar a reputação do governo britânico.

"Fiquei horrorizada e achei que o serviço secreto britânico estava sendo requisitado a fazer algo que poderia prejudicar todo o processo democrático das Nações Unidas", disse a tradutora.

O e-mail, vazado em janeiro de 2003, dizia que a Agência de Segurança Nacional da Grã-Bretanha havia começado a espionar países-membros do Conselho de Segurança da ONU que seriam cruciais para a votação da segunda resolução para a guerra no Iraque.

Governantes de Angola, Camarões, Chile, Bulgária, Guiné e Paquistão tiveram seus telefones grampeados.

Shami Chakrabarti, do Liberty, disse que documentos poderiam se tornar públicos nesse julgamento e ser "constrangedores".

Após Gun ter se declarado inocente, a promotoria anunciou que não iria em frente com a acusação.

Mark Ellison, da promotoria, declarou que "não existem mais evidências suficientes para uma perspectiva real de condenação".

 
 
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