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Atualizado às: 05 de dezembro, 2003 - 12h24 GMT (10h24 Brasília)
 
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Blair: Tá louco, sô?


Ivan Lessa

De repente, todos os analistas políticos cismaram que o primeiro-ministro Tony Blair enlouqueceu. Não entendo. Nada nele entrega o jogo. Suas expressões faciais e corporais continuam as mesmas.

Sim, é verdade, há um quê de estranho em seu olhar. Como se estivesse vendo, atrás de seus interlocutores, um bando de assassinos armados de afiadas adagas.

Isso, somado a um ar por vezes meio perdido, como de um pequeno animal farejando a floresta, já lhe valeu o apelido de "Bambi", no metiê e entre o grande público.

Tony Blair, no mais, parece um homem normal. Se líder político pode ser normal. O fato de se dar bem com George W. Bush, convenhamos, é meio bizarro. De resto, ele é são como seu marqueteiro favorito.

No entanto, no início da semana, sem que ninguém tivesse lhe perguntado nada, o psiquiatra dr. Allan Beveridge, do hospital Queen Margaret, em Dunfermline, na Escócia, escreveu, na mais importante publicação britânica especializada no gênero, o Jornal da Real Sociedade de Medicina, o seguinte:

"As qualidades que vêm sendo citadas para provar que Blair é um psicopata são: o seu charme, sua insinceridade e seu talento para dramatizar as coisas." Mas como assim, "seu" doutor? Eu já vi xingarem o Blair de muita coisa. Psicopata é a primeira vez.

Mal o artigo chegou às mãos de seus exclusivos leitores, logo veio gente assuntar, conforme se dizia. O colunista político Matthew Parris, do The Times, declarou que o contato de Blair com a realidade começa a se tornar ténue.

O neuropsicólogo dr. Paul Broks pôs panos quentes: limitou-se a chamar Blair de "um psicopata plausível" na revista de esquerda The New Statesman.

Para ilustrar isso tudo, o cartunista Martin Rowson, do The Guardian, tacou uma charge em 12 etapas mostrando Blair em 12 fases de decomposição de sua saúde mental: da fixação neurótica à mania religiosa, passando pela paranóia galopante.

O dr. Beveridge encerra seu instigante artigo argumentando que, se a condição do primeiro-ministro não for mais que uma tentativa de se enganar, o fato é – e cito o ilustre psiquiatra – "profundamente ofensivo às pessoas que realmente sofrem das faculdades mentais."

Pobre Blair. Se correr o bicho pega, se ficar...

 
 
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