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Atualizado às: 29 de setembro, 2003 - 11h26 GMT (08h26 Brasília)
 
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Para teólogos, nomeações do papa 'fortalecem conservadores'
 
O papa João Paulo 2º
O papa João Paulo 2º estaria tentando garantir o seu sucessor

A escolha dos 31 novos cardeais nomeados pelo papa João Paulo 2º deve fortalecer a ala conservadora da igreja Católica, segundo o padre e teólogo suíço Hans Küng.

Para ele, a não ser que entre os nomeados esteja disfarçado um "Gorbachov católico" – ou seja, um reformista – a eleição para o novo papa seguirá a linha conservadora defendida por João Paulo 2º.

"Está claro que o papa pretende predeterminar as eleições papais", afirmou Küng.

Com as novas indicações, 96% dos cardeais atuais foram escolhidos por João Paulo 2º. Entre eles está Dom Eusébio Oscar Scheid, arcebispo do Rio de Janeiro.

Além dele, foram nomeados sete funcionários do Vaticano e ainda arcebispos de países como Itália, Nigéria, França, Espanha, Vietnã, Polônia, Estados Unidos, Guatemala e Índia.

Saúde

Com a saúde de João Paulo 2º cada vez mais debilitada, crescem as especulações sobre seu sucessor, em um momento em que a igreja Católica atravessa uma das fases mais difíceis de sua existência.

"Hoje, a igreja Católica nos Estados Unidos está à beira de um declínio irreversível ou de uma transformação completa", diz Küng, referindo-se aos estragos causados pelos casos de pedofilia envolvendo padres da região de Boston.

O especialista em teologia, Francisco Pimentel, concorda com a análise. Para ele, o estrago foi tão grande que dentro da cúpula católica existe quase uma unanimidade sobre a necessidade de mudanças.

"O próximo papa tem que ser progressista, os cardeais sabem disso", afirma Pimentel.

"O número de fiéis no mundo inteiro está caindo. No Brasil a igreja católica perde milhares de fiéis para as igrejas evangélicas a cada ano."

Reformista

Apesar das pressões por mudanças, o padre suíço Küng acha difícil que entre os recém-nomeados cardeais esteja algum reformista.

"Nunca ouvi qualquer coisa sobre qualquer um deles que mostre que eles são mais abertos", destaca.

Dom Eusébio, entretanto, já causou polêmica ao defender a descriminação das drogas do Brasil, embora, apesar disso, seja considerado conservador.

Todos os cardeais com menos de 80 anos têm o direito de participar da eleição papal.

O nome de um dos cardeais nomeados foi mantido em sigilo. O Vaticano age assim quando o cardeal apontado vem de um país em que a igreja é oprimida.

Os indicados assumem o cardinalato em uma assembléia de cardeais – conhecida como consistório – presidida pelo papa, no dia 21 de outubro.

Esta foi a nona ocasião em que o papa João Paulo 2º nomeou novos cardeais.

 
 
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