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Atualizado em: 09 de julho, 2003 - 12h41 GMT (09h41 Brasília)
 
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Transparências
 
 
 
Ivan Lessa, por Baptistão

A ex-primeira dama americana, e atual senadora, Hillary Rodham Clinton passou alguns dias na Inglaterra promovendo sua autobiografia.

No meio de uma entrevista, ela encaixou algo de interessante. Expressou vontade de que, em seu país também, a declaração de guerra não se limitasse ao simples ir à guerra depois de uma decisão do chefe de Estado.

"Gostaria que fosse mais como aqui, no Reino Unido, onde o primeiro-ministro foi ao Parlamento dar suas razões para, em seguida, obter autorização por meio do voto de representantes eleitos do povo."

A senadora americana tem razão. Agora, depois da Comissão Parlamentar de Inquérito ter investigado a alegação de que Tony Blair manipulara dois dossiês sobre o perigo oferecido pelo Iraque e suas inencontráveis “armas de destruição em massa”, os jornais procuram decifrar linhas e entrelinhas do relatório apresentado pela comissão.

O nome do relatório já é por demais simpático, cheirando a, digamos, 1905: “A Decisão de Ir à Guerra no Iraque”.

Os dois principais envolvidos na controvérsia se acreditam vencedores – governo e BBC que, em reportagem, relatou as declarações de um alto funcionário do serviço de inteligência de que, a pedido do governo, um dos dois dossiês sofrera, por assim dizer, uma intervenção cirúrgica estetizante tornando-o mais “sexy” aos olhos do povo.

O outro dossiê, esse ficou bem claro: continha uma tese estudantil contendo dados baseados em informações de até 12 anos atrás.

Todas as etapas que levaram ao presente momento foram televisadas. E assim continuam. Na terça-feira, lá estava o primeiro-ministro Tony Blair se defendendo. Isso tudo é saudável: a propalada “transparência” em ação.

Agora, só fica faltando a vitória de primeiro de maio. Aquela em que a coalizão se sagrou vencedora.

Na outra guerra, a de 1991, 40 dias depois de George Bush pai ter se declarado vencedor e voltado para casa com seus soldados, Saddam Hussein já resolvera os problemas básicos de infra-estrutura do país e a maior parte do Iraque já contava com água e eletricidade.

Hoje, vitorioso, o Ocidente, nesse sentido, nada deixa transparecer.

 
 
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