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Abbas renuncia a cargo-chave no movimento Fatah
 
 
 
Arafat lidera a Fatah, que anunciou um cessar-fogo de seis meses
Arafat lidera a Fatah, que anunciou um cessar-fogo de seis meses

O primeiro-ministro palestino, Mahmoud Abbas, também conhecido como Abu Mazen, apresentou sua renúncia a um posto-chave de liderança do movimento Fatah.

A decisão de Abbas foi anunciada em um momento em que há fortes divergências dentro do grupo – liderado por Yasser Arafat – sobre o futuro das negociações com Israel.

Para se tornar efetiva, a renúncia tem que ser aceita pelo comitê central do Fatah e por Arafat.

No entanto, segundo o correspondente da BBC em Jerusalém, Michael Voss, até o momento não há sinais de que Arafat tenha aceitado a renúncia. Também há informações de que a Fatah teria rejeitado o pedido do premiê.

Prisioneiros

Abbas apresentou sua renúncia em uma carta a Arafat.

No documento, o primeiro-ministro da Autoridade Palestina pede ao Fatah que explique como deveria ser a linha de ação dos palestinos em relação a Israel, e diz que está disposto a renunciar ao cargo de premiê se a sua forma de negociar for considerada inadequada.

A crise interna no Fatah se agravou depois do anúncio de que apenas uma pequena parte dos mais de 6 mil prisioneiros palestinos detidos em prisões israelenses seria libertada.

O número reduzido de prisioneiros que Israel prometeu libertar deixou decepcionados muitos palestinos, que vêem poucas conquistas desde o início da implementação do novo plano de paz para a região.

 

 Eu acredito que é uma decisão sincera do senhor Abbas. Ele está dizendo aos membros do Fatah: 'se vocês pensam que eu devo ser o culpado, aqui está minha renúncia, e vocês podem arrumar as coisas'.

Saeb Erekat, membro do Fatah

 

Os Estados Unidos, que apresentaram o plano juntamente com a União Européia, a Rússia e a ONU, reafirmaram seu apoio a Abbas.

"Nós estamos com o primeiro-ministro Abbas. Seus esforços para acabar com o extremismo e a violência representaram uma oportunidade real de avanço", disse o porta-voz do Departamento de Estado Philip Reeker.

Divisão

De acordo com o ex-negociador palestino Saeb Erekat, um dos membros do Fatah, a decisão de Abbas reflete a seriedade das divisões internas na liderança palestina.

"Eu acredito que é uma decisão sincera do senhor Abbas. Ele está dizendo aos membros da Fatah: 'se vocês pensam que eu devo ser o culpado, aqui está minha renúncia, e vocês podem arrumar as coisas'", disse Erekat.

Um pouco antes de apresentar a renúncia ao Fatah, Abbas cancelou um encontro que teria com o primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, para discutir o assunto.

A reunião entre os dois primeiros-ministros deveria ser realizada nesta quarta-feira.

O Fatah é um dos três maiores grupos palestinos que, no último dia 29, anunciaram um cessar-fogo para suspender os ataques a alvos israelenses.

 
 
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