Trump ameaça retomar Canal do Panamá e anuncia 'emergência nacional' na fronteira
Novo presidente dos EUA tomou posse nesta segunda-feira e anunciou em seu primeiro discurso uma série de medidas prometidas ao longo da campanha. Ofensiva contra imigrantes e fim de políticas verdes estão entre as ações prometidas pelo republicano
Dia de cerimônias começou com uma missa e teve ápice com discurso do presidente republicano, que prometeu ofensiva na fronteira com o México e a retomada do Canal do Panamá
Biden perdoa familiares em momentos finais como presidente
Joe Biden acaba de conceder perdão para membros de sua família em seus últimos momentos como presidente.
"Minha família tem sido submetida a ataques e ameaças implacáveis, motivada apenas pelo desejo de me machucar — o pior tipo de política partidária. Infelizmente, não tenho motivos para acreditar que esses ataques acabarão", disse ele em uma declaração.
"É por isso que estou exercendo meu poder sob a Constituição para perdoar James B. Biden, Sara Jones Biden, Valerie Biden Owens, John T. Owens e Francis W. Biden."
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Rei Charles felicita Trump pela posse
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Legenda da foto, Rei Charles e Donald Trump em Londres em 2019
O Rei Charles enviou uma mensagem pessoal de felicitações ao presidente Trump por sua posse, refletindo sobre o relacionamento especial e duradouro entre o Reino Unido e os EUA, diz o Palácio de Buckingham.
O que Trump fará depois de assumir o cargo?
Após tomar posse, Trump planejou uma série de ordens executivas para entrar em vigor. Aqui estão algumas delas:
Migração:
Trump está declarando uma emergência nacional na fronteira com o México para enviar mais tropas e mão de obra para lá.
Ele está instruindo autoridades a reiniciar a construção do muro da fronteira.
O republicano quer revogar a cidadania por direito de nascimento para os filhos de imigrantes que estão nos EUA ilegalmente.
Ele planeja restabelecer a chamada política "Fique no México", que exige que os migrantes esperem por seus documentos no México.
Economia:
Trump planeja estabelecer uma emergência energética nacional, que ele diz que permitirá ao país produzir mais recursos naturais e criar empregos.
Ele também quer "colocar um fim ao mandato do veículo elétrico" e aos esforços para restringir a escolha do consumidor, de acordo com sua administração.
De acordo com o Wall Street Journal, Trump planeja direcionar o governo a avaliar as relações comerciais dos EUA com a China - mas ainda não planeja impor novas tarifas.
Diversidade e gênero:
Ele está planejando uma ordem executiva que "acabaria com DEI [diversidade, equidade e inclusão] dentro do governo federal".
Outra ordem executiva "definiria como política dos EUA reconhecer dois sexos - masculino e feminino" que não pode ser alterada.
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Trump chega ao Capitólio antes do juramento oficial
Donald Trump acaba de chegar ao Capitólio, onde os principais procedimentos da posse de hoje acontecerão.
Ele entrou lado a lado com o presidente Joe Biden.
Cartéis de drogas serão designados como grupos terroristas
Por Bernd Debusmann Jr, na Casa Branca
Um membro do novo governo Trump disse que várias organizações criminosas serão designadas como organizações terroristas estrangeiras (FTOs, na sigla em inglês) e terroristas globais – um termo que no passado foi aplicado à Al Qaeda, ao chamado Estado Islâmico, ao Hezbollah e a outros grupos.
Não está claro quantos grupos serão designados, mas o oficial mencionou especificamente a gangue MS-13, com origem em El Salvador, e o Trem de Aragua, um grupo baseado na Venezuela que foi descrito como "uma força armada irregular" do governo da Venezuela.
Espera-se também que Trump termine a admissão de refugiados por um período de quatro meses e "acabe" com o asilo por proclamação, o que permitirá que autoridades dos EUA deportem rapidamente os possíveis solicitantes de asilo que se apresentarem na fronteira entre os EUA e o México.
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Trump terá poder 'absoluto' em seu 2° mandato?
Para atingir seus
objetivos de fazer grandes mudanças nos EUA, Trump vai contar com um Partido
Republicano unido à sua volta e com maioria tanto na Câmara dos Representantes
quanto no Senado, formando o que os americanos chamam de "trifeta" — ou
governo unificado.
Além disso, a Suprema
Corte — que lidera o terceiro poder independente do Estado — conta atualmente
com uma maioria de seis juízes conservadores (três deles nomeados por Trump
durante seu primeiro mandato), em comparação com três juízes liberais.Isso significa que Donald Trump vai governar
sem qualquer tipo de contrapeso? Não. Essas são algumas razões:
Trump tem maiorias muito pequenas no Congresso. Ou seja, para que uma proposta não seja aprovada, basta
que poucos republicanos discordem do presidente.
O Poder Judiciário
continua com um elevado grau de independência, segundo analistas. Ou
seja, não é porque foram indicados por Trump que irão apoiá-lo em todas as
situações.
Os governos estaduais nos EUA têm muito
poder em questões como segurança, saúde, educação e benefícios sociais. Estes
poderes permitem que estas instâncias governamentais resistam ou se oponham a
algumas das iniciativas de Trump.
Assim como no
primeiro mandato, Trump pode encontrar resistência por parte dos
funcionários públicos, que se opuseram ou retardaram a execução de ordens que
consideravam ilegais ou inadequadas.
O presidente russo Vladimir Putin parabenizou o novo presidente dos EUA, Donald Trump, por sua posse.
Em um discurso televisionado ao seu conselho de segurança nacional, ele também reconheceu o desejo de Trump de retomar o contato com a Rússia e as observações anteriores do presidente eleito sobre fazer o possível para evitar uma terceira guerra mundial.
"É claro que saudamos essa posição e parabenizamos o recém-empossado presidente dos EUA por assumir o cargo", disse Putin.
O líder do Kremlin acrescentou que está aberto ao diálogo com o governo Trump sobre a guerra na Ucrânia e que sua posição é que "não deve haver um cessar-fogo temporário", mas sim uma "paz de longo prazo fundada no respeito aos interesses legítimos de todas as pessoas e nações que vivem nesta região".
"Naturalmente, defenderemos os interesses da Rússia", disse Putin.
Após encontro com Biden, Trump deixa a Casa Branca rumo ao Capitólio
O presidente Joe Biden e o presidente eleito Donald Trump deixaram a Casa Branca. Os dois entraram numa limusine, em direção ao Capitólio.
Crédito, Reuters
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Análise: Pelo menos por hoje, as tradições da Presidência foram retomadas
Por Anthony Zurcher, correspondente da BBC na América do Norte
Sorrisos e apertos de mão puderam ser vistos nas escadas da Casa Branca nesta manhã, quando Donald e Melania Trump foram recebidos por Joe e Jill Biden.
O encontro na Casa Branca para o chá é um desses momentos de posse que serve como um sinal visível da transferência pacífica de poder após uma eleição democrática. Normalmente, tem sido uma fonte de orgulho americano – que, apesar das diferenças partidárias, a nação fosse capaz de se unir ao menos por um dia.
Era uma tradição que foi abandonada há quatro anos, após o ataque de 6 de janeiro ao Capitólio dos EUA por apoiadores de Trump e a decisão do presidente em fim de mandato de não se reunir com Biden ou comparecer a qualquer uma das cerimônias de posse.
Após essa saída tumultuada, Biden se comprometeu a curar as divisões da América durante sua presidência – uma tarefa que, dada a amargura dos últimos quatro anos, permanece inacabada.
Mas pelo menos hoje, as normas e tradições da Presidência foram retomadas.
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Kamala Harris recebe J.D. Vance, novo vice-presidente dos EUA
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A vice-presidente dos EUA, Kamala Harris, e seu marido, Doug Emhoff, receberam na Casa Branca o novo vice-presidente, J.D. Vance, e sua esposa, Usha Vance.Nascido James David Bowman em Middletown, Estado de Ohio, Vance tem 40 anos e vem de uma família branca de classe trabalhadora, em sua maioria descendente de escoceses-irlandeses. Ele foi senador por seu estado-natal antes de concorrer junto a Trump nas eleições.A advogada Usha Vance é filha de imigrantes indianos e nasceu e foi criada nos subúrbios de San Diego, na Califórnia. O casal tem três filhos.
Trump pretende acabar com a cidadania por direito de nascença, mas o trâmite não é simples
Donald Trump pretende acabar com a cidadania por direito de nascença, de acordo com um briefing realizado recentemente com repórteres e um membro de sua equipe da Casa Branca, informa Bernd Debusmann Jr.
Isso significaria que os filhos de migrantes sem documentos que vivem nos EUA não serão mais considerados cidadãos americanos automaticamente.
O funcionário não forneceu detalhes sobre como o governo espera fazer isso.
A cidadania por direito de nascença está consagrada na constituição dos EUA, e uma ordem executiva de um presidente não seria capaz de mudar isso.
Para removê-la, seriam necessários dois terços dos votos em ambas as câmaras do Congresso, além de ser ratificada por três quartos das legislaturas estaduais. É um trâmite complexo fazer tais mudanças.
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Biden recebe Trump na Casa Branca para um chá de boas-vindas
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O presidente Biden e sua mulher, Jill, acabaram de dar as boas-vindas a Donald Trump e Melania na Casa Branca.
Eles se sentarão para tomar um chá antes de seguirem para o Capitólio.
É a primeira vez que os dois se encontram hoje.
Momentos antes, vimos membros da família de Trump entrando no prédio do Capitólio, para onde o presidente eleito irá em seguida.
Trump vai declarar emergência na fronteira com o México e tomará 10 ações executivas hoje
O novo governo Trump vai declarar uma "emergência nacional" na fronteira EUA-México e ordenará que o departamento de defesa "feche a fronteira" como parte de uma série de ações executivas destinadas a restaurar a "política de imigração de senso comum", de acordo com novos funcionários do governo da Casa Branca.
Em uma breve ligação com repórteres, um novo funcionário disse que 10 ações executivas serão assinadas por Donald Trump hoje, todas referentes à fronteira EUA-México, informa Bernd Debusmann Jr, da Casa Branca.
Os funcionários disseram que, como parte das ordens, o Pentágono enviará recursos e pessoal adicionais para a fronteira, incluindo capacidades antidrones.
Além disso, Trump ordenará que os funcionários reiniciem a construção do muro da fronteira, cerca 724 km de extensão, iniciada durante seu primeiro governo. Ele também vai reestabelecer a política "Permaneça no México", que exige que os migrantes esperem por seus procedimentos de visto no lado mexicano da fronteira.
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Trump deixa a igreja rumo à Casa Branca, enquanto em Londres, manifestantes protestam
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O presidente eleito Donald Trump já deixou a igreja St. John com a mulher, Melania, e seguiram para a Casa Branca para cumprir a agenda de posse.
Enquanto isso, em Londres, ativistas ambientais colocaram uma grande faixa chamando o presidente americano de "genocida do clima".
Crédito, Reuters
Os bilionários da tecnologia Mark Zuckerberg e Jeff Bezos comparecem ao culto
Os convidados que compareceram ao culto na Igreja de St. John na manhã de hoje incluem várias figuras-chave na órbita de Donald Trump, bem como CEOs influentes da tecnologia e o ex-primeiro-ministro do Reino Unido Boris Johnson.
Mark Zuckerberg da Meta, Jeff Bezos e Lauren Sanchez da Amazon, bem como Johnson, estão todos sentados na mesma fileira.
Também vimos o magnata da mídia, Rupert Murdoch e o presidente da FIFA, Gianni Infantino.
Trump, Melania e seu filho Barron sentaram-se no banco da frente. O culto já terminou.
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Posse é feita de vários eventos ao longo do dia todo; confira os horários
A posse do novo presidente dos Estados Unidos é feita de vários eventos ao longo de todo o dia. Incluirá uma cerimônia formal de juramento, apresentações musicais e vários bailes formais. Confira a programação, pelo horário de Brasília:
10h30: Missa na igreja St. John
11h: Joe Biden recebe Trump na Casa Branca
11h30 Trump e Biden deixam a Casa Branca
12h: Trump chega ao Capitólio
13:09: Apresentação de JD Vance, o vice-presidente eleito
13:13: Apresentação de Trump
13:36 Juramento de JD Vance
13:47: Juramento de Trump
13:53: Discurso de Trump, até as 14h35
14h40: Cerimônia de despedida de Biden
15h: Cerimônia de assinatura no Capitólio
15h10: Almoço, até as 16h15
19h30: Cerimônia de assinatura na Casa Branca
Crédito, Fabrizio Bensch/Reuters
Nas horas finais, Biden concede perdão a servidores apontados como 'inimigos' de Trump
Poucas horas antes de terminar seu governo, o presidente dos EUA Joe Biden, emitiu perdões preventivos para vários servidores "ameaçados com processos criminais", incluindo o Dr. Anthony Fauci e o ex-presidente do Estado-Maior Conjunto Mark Milley.
Em uma declaração, a Casa Branca diz que os perdões preventivos são para oficiais que testemunharam no Comitê Seleto da Câmara, bem como para os membros e funcionários do comitê. O comitê investigou o motim de 6 de janeiro de 2021 no Capitólio dos EUA e o papel de Trump nos eventos daquele dia.
Fauci - que supervisionou a resposta dos EUA à pandemia de Covid-19 - tem sido frequentemente criticado por Trump e seus aliados políticos. Mark Milley, por sua vez, tornou-se um crítico aberto de Trump e se referiu a ele como "um fascista até a medula".
Agora aposentado, Mark Milley disse anteriormente que estava preocupado em ser chamado de volta ao uniforme e levado à corte marcial pelo governo Trump. Ele observou que Steve Bannon, um aliado-chave de Trump, prometeu "responsabilizá-lo".
"Esses servidores públicos serviram nossa nação com honra e distinção e não merecem ser alvos de processos injustificados e politicamente motivados", diz a declaração da Casa Branca.
"A emissão desses perdões não deve ser confundida com um reconhecimento de que qualquer indivíduo se envolveu em qualquer delito, nem a aceitação deve ser mal interpretada como uma admissão de culpa por qualquer delito."
Crédito, Nathan Howard/Reuters
Trump e Melania chegam para culto religioso antes da posse
Donald Trump e a mulher, Melania, acabaram de chegar à Igreja de St. John.
O culto na igreja - uma tradição no dia da posse- está marcado para começar às 8:30, horário local (10:30 de Brasília).
Crédito, Reuters
Trump pedirá "revolução do senso comum"
Donald Trump planeja dizer aos americanos que espera inaugurar uma "nova era emocionante de sucesso nacional", de acordo com trechos de seu discurso de posse obtidos pela CBS, parceira da BBC nos EUA.
A informação é de Bernd Debusmann Jr, que reporta diretamente da Casa Branca para a BBC News.
Em seus comentários, Trump também deve dizer que uma "maré de mudanças está varrendo o país".
Ele também delineará uma "série de ordens executivas históricas" para iniciar sua presidência.
Foi relatado anteriormente que aproximadamente 200 ações executivas podem ser assinadas somente hoje, incluindo sobre imigração, a fronteira EUA-México e a economia.
"Com essas ações, começaremos a restauração completa da América e a revolução do senso comum", ele acrescentará.
"Minha mensagem aos americanos hoje é que é hora de agirmos novamente com coragem, vigor e a vitalidade da maior civilização da história".
Crédito, Carlos Barría/Reuters
O possível impacto do governo Trump no Brasil
O segundo mandato de Donald Trump promete trazer diversas medidas que podem afetar diretamente o Brasil, com repercussões em várias áreas, como economia, imigração e questões ambientais. Embora ainda seja incerto o momento de implementação dessas políticas, elas já geram grande expectativa.
A reportagem de Mariana Sanches, correspondente da BBC News Brasil em Washington, traz quatro áreas que possivelmente sofrerão mudanças:
Economia: tarifas e impactos no câmbio
Uma das principais ferramentas da política econômica de Trump são as tarifas sobre produtos estrangeiros. A expectativa é que o anúncio de novas taxas, com a volta do republicano à Casa Branca, gere volatilidade no câmbio global, afetando o real, que já experimentava uma desvalorização em 2024. O fortalecimento do dólar pode prejudicar a economia brasileira, pressionando a inflação interna e impactando a política monetária.
Analistas apontam que, se as tarifas forem implementadas, o Brasil, que não possui um acordo de livre comércio com os EUA, pode ser afetado, especialmente em relação aos países do bloco dos Brics. Trump já anunciou que poderá aplicar tarifas de 100% sobre produtos desses países, incluindo o Brasil, caso busquem alternativas ao dólar nas transações comerciais.
Imigração: deportações em massa
Trump tem como uma de suas promessas de campanha a deportação em massa de imigrantes indocumentados, o que pode afetar cerca de 230 mil brasileiros nos EUA. A medida ainda depende de como será implementada, mas fontes ligadas ao novo governo americano indicam que os brasileiros não são o principal alvo. No entanto, a possibilidade de deportações em grande escala pode afetar economicamente países latino-americanos que dependem das remessas enviadas pelos imigrantes.
Pressões sobre o STF e as redes sociais
Outra área de possível impacto envolve as redes sociais e a regulação do setor. Trump, que conta com apoio de grandes nomes da tecnologia, como Elon Musk e Mark Zuckerberg, pode pressionar o Supremo Tribunal Federal (STF) brasileiro a rever suas decisões sobre o controle de notícias falsas. Em 2023, o STF já teve embates com Musk, proprietário da rede social X, sobre o bloqueio da plataforma no Brasil. A intensificação dessa pressão poderia resultar em tensões diplomáticas.
Embora a Amazônia e outros compromissos ambientais possam ser ignorados, especialistas indicam que há potencial para um diálogo pragmático entre Brasil e EUA em áreas como energias renováveis, já que ambos os países estão investindo em energia eólica e solar.
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Legenda da foto, Donald Trump em 2019 durante uma coletiva de imprensa com o então presidente brasileiro Jair Bolsonaro