Defesas aéreas do Kuwait respondem a mais um ataque com mísseis
As forças armadas do Kuwait afirmam que suas defesas aéreas estão abatendo drones e mísseis após uma nova onda de ataques lançados do Irã.
Mais cedo, o presidente americano disse que o conflito está "praticamente concluído", enquanto Israel lançava nova onda de ataques contra Teerã.
Editado por Marina Rossi e Daniel Gallas, da BBC News Brasil em São Paulo e Londres, com informações da BBC Persa e de correspondentes em todo o Oriente Médio e nos EUA
As forças armadas do Kuwait afirmam que suas defesas aéreas estão abatendo drones e mísseis após uma nova onda de ataques lançados do Irã.
Por Steve Rosenberg, editor em Moscou
O Kremlin anunciou agora no fim da tarde que o presidente Trump havia telefonado para o presidente Putin para discutir “a atual situação internacional”, envolvendo principalmente o Irã e a Ucrânia.
Segundo Yuri Ushakov, assessor de política externa de Vladimir Putin, a conversa durou cerca de uma hora e foi “profissional, franca e construtiva”.
Ushakov disse a jornalistas que o presidente Putin “expressou diversas ideias com o objetivo de alcançar uma rápida resolução político-diplomática do conflito com o Irã, baseadas, entre outras coisas, em contatos mantidos com líderes dos países do Golfo, o presidente do Irã e líderes de outros países”.
Por ora, o Kremlin não divulgou mais detalhes sobre essas “ideias” e sobre que tipo de propostas Vladimir Putin possa ter apresentado a Donald Trump.
O dólar fechou em baixa após fala do presidente Donald Trump sinalizando um possível fim do conflito no Irã.
A moeda americana encerrou o dia em queda de 1,5% em relação ao real, sendo cotada a R$ 5,16.
Por Anthony Zurcher, correspondente na América do Norte
Donald Trump está pronto para declarar vitória na guerra contra o Irã? Seus comentários à CBS News parecem sugerir isso.
É claro que o significado de vitória em uma guerra cujos objetivos eram vagos e frequentemente contraditórios não é totalmente claro.
O presidente afirmou que as forças armadas do Irã foram significativamente enfraquecidas. "Não sobrou nada", disse ele à CBS.
Mas se os objetivos eram eliminar definitivamente o programa nuclear do país ou instaurar um governo mais alinhado aos EUA, o sucesso era muito menos garantido.
Trump, no entanto, começava a sentir a pressão. Durante o fim de semana, os preços do petróleo dispararam para mais de US$ 120 o barril. Os futuros do mercado de ações americano e os índices de câmbio estrangeiros estavam em queda.
Na noite de ontem, Trump publicou nas redes sociais que o preço mais alto do petróleo era um "pequeno preço a pagar" pela segurança dos EUA e do mundo.
Após as garantias de Trump na tarde de segunda-feira de que o fim estava próximo, o mercado de ações americano se recuperou e os preços do petróleo caíram drasticamente. Isso pode refletir uma firme convicção de que o presidente está, de fato, planejando encerrar sua operação militar e que os temores de um conflito regional prolongado foram exagerados.
Ou pode ser apenas otimismo. A história provou que iniciar uma guerra pode ser fácil, mas terminá-la – particularmente no Oriente Médio – é muito mais desafiador.
Donald Trump concedeu uma entrevista por telefone à CBS News, parceira da BBC nos EUA, na qual sinalizou que a guerra poderia terminar antes do que o governo havia indicado anteriormente.
O presidente americano deve dar uma entrevista coletiva por volta das 18h30 (horário de Brasília), na qual deve dar mais detalhes.
Enquanto aguardamos, aqui estão seus comentários à CBS na íntegra.
Sobre o progresso da guerra: "Acho que a guerra está praticamente concluída. Eles não têm marinha, nem comunicações, nem força aérea. Seus mísseis estão dispersos. Seus drones estão sendo destruídos por toda parte, inclusive a fábrica de drones. Se você observar, eles não têm mais nada. Não sobrou nada em termos militares."
Sobre o cronograma original da operação: "Estamos muito à frente do previsto... Não sei, depende. O fim da guerra é uma questão que só eu tenho em mente, e mais ninguém."
Sobre os mísseis iranianos: "Eles já dispararam tudo o que tinham para disparar, e é melhor não tentarem nada esperto, senão será o fim daquele país... Se fizerem alguma coisa ruim, será o fim do Irã e você nunca mais ouvirá falar desse nome."
Sobre o Estreito de Ormuz: Os EUA estão "pensando em assumi-lo" e poderiam fazer "muita coisa".
Sobre se ele tem um novo líder iraniano preferido em mente: "Não quero dizer nada sobre isso, mas sim, tenho."
Sobre o novo líder supremo, Mujahideen Khamenei: "Não tenho nenhuma mensagem para ele. Nenhuma, absolutamente nenhuma."

Crédito, Nathan Howard/Reuters
Donald Trump sugeriu que a guerra contra o Irã poderia terminar em breve, declarando à CBS News, parceira da BBC nos EUA:
"Acho que a guerra está praticamente concluída". Ele afirmou que os EUA estão "muito à frente do cronograma", acrescentando que o Irã "não tem marinha, não tem comunicações, não tem força aérea" e alega que seus mísseis estão "reduzidos a um número disperso".
Questionado se acredita que a guerra poderia terminar em breve, Trump respondeu: "A ideia de encerrar tudo ainda está na minha cabeça".
A Casa Branca já havia indicado que a guerra, que está em seu décimo dia, poderia durar mais de um mês.
Israel emitiu mais um alerta para que as pessoas se abriguem após identificar uma onda de mísseis lançados pelo Irã.
Vários avisos semelhantes foram emitidos ao longo do dia, mas não há relatos de danos significativos.
Por Ben Tavener, de Moscou
O presidente russo, Vladimir Putin, afirmou que a guerra entre os EUA e Israel contra o Irã desencadeou uma crise energética global, mas ofereceu ajuda para aliviar a situação com o fornecimento de petróleo e gás, inclusive para países europeus.
Em um pronunciamento televisionado diante de autoridades e executivos do setor de petróleo e gás, ele alertou que a produção de petróleo, que dependia das entregas pelo Estreito de Ormuz, poderia em breve parar completamente.
"[A produção] já começou a declinar", disse ele. O presidente russo afirmou que seu país está pronto para ajudar outros países com seus suprimentos de petróleo e gás – inclusive nações europeias – desde que os contratos possam ser assinados e a política seja mantida fora da equação.
Ele elogiou os exportadores russos, destacando sua "estabilidade". A Rússia é o segundo maior exportador de petróleo do mundo e detém as maiores reservas de gás natural do planeta, segundo a Reuters.
A maioria dos países europeus, embora não todos, tentou reduzir sua dependência do fornecimento de energia russa após Putin ter ordenado a entrada de tropas na Ucrânia em fevereiro de 2022.
Putin também afirmou que as empresas petrolíferas russas devem aproveitar o aumento "provavelmente temporário" dos preços do petróleo para quitar parte de suas dívidas. O governo russo, sem dúvida, também desejará usar a alta dos preços do petróleo para ajudar a reduzir o déficit nas finanças públicas do país.

Crédito, Getty Images
O presidente libanês, Joseph Aoun, pediu um "cessar-fogo completo com a suspensão de todos os ataques israelenses por terra, ar e mar contra o Líbano".
Israel tem realizado extensos ataques contra o Hezbollah, grupo armado com base no Líbano que exerce controle em algumas áreas, mas enfrenta a oposição do governo.
A escalada começou em 2 de março, quando o grupo armado, apoiado pelo Irã, lançou foguetes e drones contra Israel em represália ao assassinato do líder iraniano Ali Khamenei.
Joseph Aoun solicitou apoio internacional para as forças armadas de seu país, a fim de permitir que elas assumam o controle das áreas controladas pelo Hezbollah e desarmem o grupo. Ele afirmou que Israel e Líbano devem iniciar negociações com supervisão internacional.

Crédito, AFP via Getty Images
Simon Jack, editor de Negócios
Todos os países membros da Associação Internacional de Energia são obrigados a manter reservas de petróleo para o caso de interrupções no fornecimento global.
O Reino Unido é membro e cumpre essa obrigação. A União Europeia possui um mecanismo semelhante. Ambos exigem que os países mantenham reservas equivalentes a aproximadamente 90 dias de suprimento para momentos como este.
O petróleo em si não está concentrado em um único local geográfico. Produtores de petróleo como a Shell e a BP mantêm estoques em terminais e refinarias em todo o Reino Unido e podem contabilizar estoques mantidos em outros locais como parte de suas reservas.
Quando o petróleo é liberado, isso não significa que um fluxo repentino de novo petróleo começará a circular. Significa que os produtores disponibilizarão mais petróleo no mercado para que as refinarias possam encomendá-lo.
No entanto, analistas de energia disseram à BBC que, dada a escassez de capacidade de refino, a liberação não é uma solução mágica para aumentar o fluxo de produtos refinados como gasolina e o querosene de aviação.
A liberação das reservas é mais uma medida para aumentar a confiança e tranquilizar os mercados, demonstrando que os governos reconheceram as ameaças e estão agindo de forma coordenada para enfrentá-las. Resumindo, pode não haver queda nos preços do petróleo, mas pode-se impedir que eles subam tanto quanto subiriam de outra forma.

Crédito, Reuters
Imagens da Reuters mostram israelenses deitados na beira da estrada durante um alerta aéreo mais cedo.
O exército israelense relatou lançamentos tanto do Irã quanto do Líbano, algumas horas atrás, e afirmou ter "interceptado vários lançamentos e que outros caíram em uma área aberta".

Crédito, Amir Levy/Getty Images
Em Bnei Brak, Israel, as pessoas se abriagaram nesta segunda em uma estação de metrô depois que sirenes foram tocadas, alertando para mísseis disparados do Irã.
O drone que atingiu a base da RAF em Akrotiri, no Chipre, na semana passada foi disparado do Líbano ou do Iraque, confirma o secretário de Defesa do Reino Unido.
O Ministério da Defesa já havia confirmado que o drone - que causou danos mínimos à base militar britânica - não foi lançado do Irã, mas não havia divulgado sua origem.
Para contextualizar: Um drone atingiu a base britânica no domingo retrasado (1/3), causando "danos mínimos" e nenhuma vítima.
No dia seguinte, outros dois drones que se dirigiam para Akrotiri foram interceptados, informou um porta-voz do governo do Chipre. O Ministério da Defesa disse que transferiria os familiares para acomodações alternativas como medida de precaução.

Crédito, Kevin Lamarque/Reuters
Por Bernd Debusmann Jr, viajando com o presidente
Donald Trump acaba de anunciar uma entrevista coletiva inesperada às 17h30, horário local (18h30 em Brasília), em Doral, subúrbio de Miami onde passou o fim de semana.
A coletiva acontecerá após um evento republicano no qual Trump se reunirá com o presidente da Câmara dos Representantes, Mike Johnson, e outros membros republicanos da Câmara.
O presidente americano tem feito alguns telefonemas para jornalistas para falar sobre o Irã, e conversamos com ele no Air Force One no sábado.
No entanto, esta será a primeira entrevista coletiva formal desde o início das hostilidades. Sua última coletiva, na sala de imprensa da Casa Branca, ocorreu em 20 de fevereiro.
Enquanto o evento de Trump na Flórida se concentra na política interna, a operação conjunta EUA-Israel no Irã continua sendo o foco da mídia do país. É provável que Trump seja questionado sobre o aumento dos preços da gasolina, bem como sobre sua opinião a respeito da nova liderança iraniana e como ele vê o possível desfecho da situação no país.
As ações europeias fecharam em baixa nesta segunda-feira, mas recuperaram as fortes perdas registradas no início do dia.
O índice FTSE 100 de Londres se recuperou e encerrou o dia com queda de apenas 0,3%, após ter chegado a cair 1,86% e atingir seu menor nível em quase dois meses.
O índice FTSE 250, por sua vez, fechou em queda de cerca de 1,6%, após dificuldades para recuperar as perdas iniciais.
As gigantes do petróleo estiveram entre as maiores altas em Londres, com as ações da Shell subindo 2,4% nesta segunda-feira e as da BP ganhando 1,9%.
Em outros mercados, o índice DAX da Alemanha caiu 0,7% nesta segunda-feira, enquanto o CAC 40 da França encerrou o dia com queda de 0,9%.
Aqui no Brasil, o Ibovespa iniciou o dia recuando até os 177.637 pontos, mas se afastou desta mínima no fim da manhã, oscilando e registrando agora 179.158 pontos, uma baixa de 0,12%. O pregão ainda não fechou.
As Forças de Defesa de Israel (IDF) afirmam ter atacado a sede de drones da Guarda Revolucionária Islâmica em sua mais recente onda de ataques.
Os ataques continuam a "agravar os danos" à capacidade militar do Irã, com ataques contra "dezenas de instalações de infraestrutura" também realizados hoje.
A companhia aérea Emirates afirmou em um comunicado que está operando com horário de voos reduzidos, após a reabertura parcial do espaço áreo regional.
"Clientes em conexão em Dubai só poderão embarcar caso o voo de conexão esteja operando normalmente", diz a companhia. "Não vá ao aeroporto sem uma reserva confirmada para esses voos".
A companhia recomenda que seus clientes olhem os comunicados no site, verifiquem seus e-mails e consultem previamente o status do voo.
"A Emirates segue monitorando o cenário atual e desenvolverá sua programação de voos de acordo com as circunstâncias. As últimas atualizações de voo serão publicadas em nosso site", diz a companhia.
As Forças de Defesa de Israel (IDF) informaram que uma operação de busca e resgate está em andamento no centro de Israel após o lançamento de projéteis do Líbano.
Os serviços de emergência israelenses disseram que duas pessoas na faixa dos 30 anos estão sendo atendidas com "ferimentos leves" após o impacto.
As autoridades não confirmaram exatamente onde o projétil foi atingido, nem quantas outras pessoas podem ter ficado feridas. Em outra notícia, a IDF informou que detectou uma nova onda de mísseis vindos do Irã e ordenou que as pessoas se abrigassem.
O número de mortos no Líbano desde 2 de março subiu para 486, informa a agência de notícias estatal NNA.
A agência acrescenta que 1.313 pessoas ficaram feridas, segundo o Ministério da Saúde Pública do Líbano.

Crédito, Aboutaleb Nadri/ Iran's Presidential website/WANA/Reuters
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, elogiou a nomeação de Mojtaba, filho de Ali Khamenei, como o novo líder supremo do país.
Em uma postagem no X, Pezeshkian afirma que a eleição de Mojtaba é "uma manifestação da vontade popular na governança".
Ele acrescentou que os problemas do Irã podem ser resolvidos com a "liderança sábia" do novo líder supremo, bem como com a criação de um ambiente "baseado na confiança e na participação pública".
Pezeshkian foi eleito presidente do país em julho de 2024, derrotando o rival conservador linha-dura Saeed Jalili com 53,3% dos votos.
O descontentamento generalizado levou milhões de pessoas a boicotarem as eleições. Na manhã de sábado, ele pediu desculpas aos países vizinhos do Irã pelos recentes ataques contra eles.
A Turquia, os Emirados Árabes Unidos e o Catar afirmaram na segunda-feira ter interceptado mísseis iranianos, dois dias após o pedido de desculpas de Pezeshkian, com relatos também de ataques durante o fim de semana.