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Atualizado às: 10 de setembro, 2003 - 14h51 GMT (12h51 Brasília)
 
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Islã e Ocidente se encaram com desconfiança
 

 
Mulher muçulmana cobrindo-se
As relações entre os muçulmanos e o Ocidente são permeadas de desconfiança
 

Não há como fugir disso. O mundo islâmico e o Ocidente olham, um para o outro, com desconfiança.

Um historiador pode dizer que sempre foi assim.

Mas, se foi, esse longo e turbulento relacionamento entrou em uma nova fase nos últimos 30 e poucos anos.

Uma série de eventos - do renascimento mundial do islamismo na década de 70 aos ataques contra os Estados Unidos no dia 11 de setembro de 2001 - alimentaram temores de que o mundo islâmico e o Ocidente estão em uma rota de colisão.

Mundos separados?

Cada lado tem uma lista de queixas.

Muitos no Ocidente associam o islamismo com violência e extremismo. Grupos militantes islâmicos como o Hamas e o Hezbollah estão constantemente nas manchetes dos jornais.

O mais famoso deles, a rede Al-Qaeda, e o seu líder, Osama Bin Laden, são os principais suspeitos dos ataques de 11 de setembro e de vários outros atentados - em Bali e Mombasa e, mais recentemente, em Casablanca, Riad e Jacarta.

Além disso, o mundo islâmico é visto como hostil à democracia, às mulheres, aos gays e às outras religiões.

Os muçulmanos, por sua vez, acusam o Ocidente de "islamofobia" - medo e hostilidade contra o mundo islâmico e os muçulmanos. Exemplos há aos montes - na política externa dos Estados Unidos, em charges de jornais e, ocasionalmente, em encontros cotidianos entre muçulmanos e não-muçulmanos.

Muçulmanos olham para conflitos em todo o mundo - na Faixa de Gaza e na Cisjordânia, na Caxemira, na Chechênia e em outros lugares - e vêem seus colegas muçulmanos no lado perdedor.

Eles sentem que são os perdedores na nova ordem mundial. Eles temem que o Ocidente deseje demonizá-los e dominá-los.

Um planeta

Os problemas são reais, mas as relações entre o mundo islâmico e o Ocidente vão além de batalhas e intolerância.

Por centenas de anos, viajantes, estudiosos, clérigos e comerciantes muçulmanos e não-muçulmanos trocaram bens, idéias e informações, e ainda o fazem.

É uma história de necessidade mútua. Também é uma história de mudança.

No tempo das Cruzadas havia dois blocos sólidos: o mundo cristão e o mundo islâmico. Não é mais assim. No nosso novo mundo globalizado, o "Ocidente" está em toda a parte - suas idéias e ideologias, sua ciência e tecnologia, seus filmes e música, seus hábitos alimentares.

O islamismo, atualmente, também é global. Milhões de muçulmanos agora vivem no Ocidente. Mesquitas, escolas muçulmanas e bancos islamistas tornaram-se lugar-comum. A velha geografia está desatualizada.

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Este especial da BBC Brasil abre um novo espaço para explorar o islamismo no século XXI.

Como você acha que o islamismo e o Ocidente podem reconciliar suas diferenças?

 
 
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