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Atualizado às: 23 de dezembro, 2003 - 16h44 GMT (14h44 Brasília)
 
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Itália quer mudar lei da UE para ajudar Parmalat
Parmalat em perigo
No Brasil, a empresa deixou de pagar os seus fornecedores
 

O governo da Itália aprovou uma emenda à legislação do país para tentar salvar a multinacional Parmalat da falência e evitar uma crise na indústria de laticínios do país.

Em uma reunião realizada nesta terça-feira, o gabinete italiano também anunciou que vai pressionar a União Européia a modificar a legislação que proíbe o uso de verbas públicas no auxílio a empresas privadas.

A Itália está pedindo para a Comissão Européia abrir uma exceção ao país em relação à lei que impede o repasse de dinheiro a empresas em crise.

O governo de Silvio Berlusconi afirmou que a Parmalat, que emprega cerca de 35 mil pessoas, é muito importante para a economia italiana.

Ainda nesta terça-feira o conselho da empresa deve se reunir para pedir proteção contra pedidos de falência vindos dos credores.

Rombo

O ex-presidente e fundador da Parmalat, Calisto Tanzi, está sendo investigado por fraude depois que a empresa admitiu um rombo de quase US$ 5 bilhões em suas finanças.

Tanzi renunciou na semana passada como diretor da companhia.

O caso Parmalat já está sendo descrito como "Enron da Europa", em referência à gigante de energia americana que em 2001 foi alvo de um escândalo em suas contas, sacudindo o mundo das grandes corporações.

'Administração controlada'

A nova equipe de gerenciamento da empresa já havia anunciado que tentará fazer com que a companhia continue funcionando.

De acordo com informações da imprensa italiana, a empresa pode propor a "administração controlada" como forma de evitar pedidos de falência por parte de seus credores.

Essa é uma alternativa da lei italiana que daria à empresa um fôlego de até dois anos para administrar e equacionar as suas dívidas.

Sob a proteção dessa lei, os credores não poderiam pedir a falência da Parmalat, algo que seria possível dado que a empresa não tem conseguido honrar compromissos financeiros desde a semana passada.

A Parmalat declarou que tinha cerca de 4 bilhões de euros (quase US$ 5 bilhões) bloqueados em contas nas Ilhas Cayman.

No entanto, na semana passada, veio à tona a informação de que o Bank of America afirmou que essas contas não existem.

Há rumores na imprensa de que o rombo financeiro da empresa pode ser muito maior e passar dos 7 bilhões de euros.

A Parmalat do Brasil sofreu impacto direto da crise: a matriz internacional deixou de pagar na semana passada uma parcela da dívida de US$ 400 milhões que tem com credores.

A dívida de refere a uma recompra da ações feita pela empresa.

Além disso, a subsidiária brasileira estaria enfrentando problemas para pagar os seus fornecedores.

 
 
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