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Atualizado às: 07 de janeiro, 2004 - 15h35 GMT (13h35 Brasília)
 
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'Bluejacking', um trote high-tech, é a nova mania britânica
 

 
Para 'bluejaquear', é preciso ter um celular equipado com Bluetooth
 

O sujeito, dentro de um tranqüilo vagão de trem, falava em alto e bom som no seu celular quando recebeu, no próprio telefone, uma mensagem de texto alarmante:

"Por favor, desligue o seu celular, este é um vagão silencioso. Caso contrário, o cobrador vai lhe aplicar uma multa."

Constrangido, o conversador deixou o papo morrer enquanto, a poucos assentos do dele, o executivo da TDK Systems, Nick Hunn, de 48 anos, saboreava a sua vingança com um discreto sorriso.

Isso é BlueJacking – um trocadilho em inglês com as palavras Bluetooth e hijacking (seqüestro) – a última mania entre os britânicos ligados em acessórios high-tech.

"O mais legal é ver a expressão de surpresa no rosto das pessoas que recebem uma mensagem inesperada sem saber quem mandou", diz a adolescente Ellie, de 13 anos, codinome internáutico Jelly Ellie, que chegou a criar um site sobre o prazer de "bluejaquear".

Bluetooth

Os "bluejackers" usam os seus celulares de última geração equipados com a tecnologia Bluetooth, que utiliza ondas curtas de rádio para transmitir informações, para enviar mensagens anônimas e gratuitas.

O celular Bluetooth é capaz de rastrear as suas imediações e detectar equipamentos compatíveis.

Daí, é só escolher um deles e enviar as mensagens usando a função criada para passar cartões de visita entre celulares.

Qualquer usuário incauto de celulares com Bluetooth é uma vítima potencial de uma nova modalidade de "seqüestro".

Os melhores locais para isso são estações de trem, metrô e shoppings – qualquer lugar com grandes aglomerações – e as utilidades podem ser variadas.

"Para azarar é ótimo. Se você está de um lado da rua e vê alguém interessante com um celular com Bluetooth do outro, é só mandar um torpedo dizendo que gostou dele ou algo assim", diz Jelly Ellie.

Viking

A tecnologia que possibilita a brincadeira foi batizada pelos seus criadores escandinavos, as empresas Ericsson e Nokia em homenagem ao rei viking Harald Bluetooth, que levou o cristianismo aos países nórdicos.

A brincadeira está conquistando cada vez mais adeptos de todas as idades na Grã-Bretanha e já existem vários sites dedicados ao assunto.

Jelly Ellie, dona do www.bluejackq.com, concluiu recentemente uma pesquisa para descobrir a idade dos seus visitantes.

Dos 22 mil participantes, 82% disseram ter mais de 20 anos. A maioria deles se concentra na faixa entre 20 e 30 anos.

Indonésia

Acredita-se que o bluejacking foi inventado na Indonésia. Na Grã-Bretanha, a moda começou há mais ou menos um ano e não pára de crescer.

"O número de adeptos está crescendo aqui, e a coisa deve pegar mesmo quando atingirmos uma quantidade suficiente de aparelhos. As pessoas gostam de brincar com os seus celulares", afirma o executivo e "bluejacker" Nick Hunn.

Calcula-se que cerca cem milhões de unidades de celulares com a tecnologia Bluetooth tenham entrado no mercado mundial no ano passado.

Em outras palavras, a população de potenciais ''seqüestráveis'' está aumentando consideravelmente.

Mas e, se a pessoa não quiser ter o seu celular "bluejaqueado"? Fácil, é só desligar o Bluetooth.

 
 
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