CPI da Covid: 3 questões sobre a reunião fechada que senadores querem fazer com Witzel

Crédito, Agência Senado

Legenda da foto, Witzel deixou a CPI antes do fim da sessão
Tempo de leitura: 4 min

O ex-governador do Rio de Janeiro Wilson Witzel (PSC) pode voltar a falar à CPI da Covid, mas desta vez em uma sessão fechada. Ele se justificou dizendo que tem "acusações gravíssimas" a fazer.

O primeiro depoimento de Witzel terminou abruptamente quando ele abandonou a sessão de quarta-feira (16/6) após embates com governistas e um bate-boca com o senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ).

O ex-governador pôde sair no meio do depoimento porque tinha um habeas corpus concedido pelo ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), que garantia a ele o direito de não comparecer por ser réu em um processo criminal que investiga pontos em comum com a CPI.

A possibilidade de uma sessão fechada foi sugerida também pelo senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) porque ele considerou que o filho do presidente estaria tentando intimidar o ex-governador ao estar presente na comissão, da qual não é membro oficial.

Witzel disse que não iria se deixar intimidar, mas aceitou a possibilidade de participar de uma reunião fechada.

"Então, nessa reunião, eu faço questão de apresentar elementos para iniciar uma investigação contra pessoas que estão desvirtuando a atuação funcional, e nós vamos descobrir quem está patrocinando investigação contra governador, quem está patrocinando essa questão criminosa e o resultado é um só: 490 mil mortes", afirmou.

Agora, o presidente da CPI, o senador Omar Aziz (PSD-AM), vai consultar o departamento jurídico do Senado para saber se pode convocar uma reunião fechada e barrar a participação de Flávio Bolsonaro.

Entenda a seguir o que se sabe até agora sobre esse novo desdobramento da comissão.

Por que os senadores querem fazer uma reunião fechada?

Crédito, Agência Senado

Legenda da foto, Omar Aziz (dir.) disse que consultaria o jurídico do Senado sobre reunião fechada

A sessão da CPI foi marcada por momentos de tensão e tumulto após Flávio Bolsonaro interromper diversas vezes o depoimento.

Após uma acalorada discussão com o filho do presidente, o senador Renan Calheiros (MDB-AL) questionou se o ex-governador se sentia intimidado pela presença de Flávio Bolsonaro ali.

O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) então sugeriu uma reunião fechada, apenas com membros da CPI, para que Witzel fosse ouvido se tivesse informações sensíveis para compartilhar.

A possibilidade também foi aventada por Witzel, que sofreu um impeachment em abril de 2020 em meio a acusações de corrupção envolvendo propinas pagas por Organizações Sociais (OSs) na área de saúde.

Witzel, que sempre negou as acusações, disse à CPI que nunca recebeu dinheiro das OSs. "Eu quero saber para quem foi o dinheiro", afirmou. "Eu saí, e as OSs estão lá, operando livremente".

"Eu tenho certeza que tem miliciano atrás disso, e eu corro risco de vida", afirmou à CPI.

Witzel também declarou que não tinha como participar da gestão de leitos em hospitais federais do Rio de Janeiro, porque eles "têm dono".

"Os hospitais federais são intocáveis. Se a CPI quebrar os sigilos das OS que gerem os hospitais, vai descobrir quem é o dono dos hospitais", disse.

Questionado sobre quem seria essa pessoa e se Bolsonaro interferiu em seu governo, Witzel disse que só falaria em uma sessão reservada, porque as "acusações são gravíssimas".

Witzel acabou deixando a comissão em meio a uma discussão com o senador Jorginho Melo (PL-SC), após uma pergunta do senador Eduardo Girão (Podemos-CE) sobre suposto desvio de verbas na aquisição de respiradores durante a pandemia no Rio de Janeiro.

"O senador se referiu a mim de forma leviana, até mesmo chula. Continuei enquanto a sessão foi civilizada. Quando isso mudou, eu e meus advogados decidimos que era melhor sair", afirmou Witzel à imprensa após o encerramento da sessão.

A CPI pode fazer uma sessão fechada?

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Legenda da foto, Witzel discutiu com o senador Jorginho Mello

Ainda não há data marcada para a realização de uma sessão fechada de Witzel apenas com os membros da comissão. A expectativa é que isso seja decidido na sexta-feira (19/6).

O senador Omar Aziz (PSD-AM), presidente da CPI, disse que iria checar a possibilidade da reunião ser realizada com a consultoria jurídica do Senado.

A princípio, isso seria permitido. Os senadores já fizeram diversos encontros fechados para o público, apenas com membros da comissão, para discussão sobre temas que estão em segredo de Justiça.

O senador Otto Alencar (PSD-BA) disse que a reunião fechada é necessária para Witzel levar informações que não poderia apresentar ao plenário da comissão.

"Até porque, segundo ele, ele está ameaçado de morte", disse Alencar à imprensa após a sessão.

Witzel, que era aliado da família Bolsonaro, disse que foi perseguido pelo Planalto por fazer críticas públicas à resposta do governo federal à pandemia. Afirmou também que tem sofrido ameaças.

"A gente recebe sempre ameaças, (dizendo) que eu deveria estar morto. Quando eu tinha a minha segurança como governador, eu ficava mais tranquilo. Hoje, eu não tenho mais essa prerrogativa. Consequentemente, eu evito sair à rua, sair à noite, ter rotina", disse.

O ex-governador também afirmou que "tem certeza que tem milicianos por trás" da perseguição que estaria sofrendo.

"Miliciano não se declara miliciano. Mas a minha segurança sempre observou a aproximação de veículos. Intimidações houve", disse ele.

A CPI poderia barrar Flávio Bolsonaro?

Crédito, Agência Senado

Legenda da foto, Flávio Bolsonaro tumultuou a sessão

Flávio Bolsonaro afirmou que, se houver esta reunião, "ele iria participar", o que Randolfe Rodrigues considerou uma "clara tentativa de intimidação" da testemunha.

Aziz afirmou que checaria se é possível impedir que o filho do presidente esteja presente. Ele não é membro da comissão, mas senadores podem circular livremente pela Casa.

Embora uma reunião fechada seja plausível, nunca houve a necessidade de ativamente excluir um senador que queria participar.

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