Depois de 'politicamente acabados', Bolsonaros voltam à cena com 'candidatura forte' de Flávio, diz FT
Crédito, Reuters
O jornal britânico Financial Times publicou uma reportagem nesta terça-feira (7/4) dizendo que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) surge como "um candidato altamente competitivo" nas eleições presidenciais deste ano no Brasil.
Segundo o jornal, "no final do ano passado, a família Bolsonaro parecia estar politicamente acabada".
"Jair Bolsonaro, o ex-presidente de extrema-direita do Brasil, estava preso, condenado a 27 anos por conspiração para um golpe de Estado e libertado da prisão domiciliar após tentar romper uma tornozeleira eletrônica. Seu filho combativo, Eduardo, frequentemente visto como seu herdeiro mais provável, foi expulso do Congresso e vive em autoexílio nos EUA", escreve a reportagem.
"Mas a família está orquestrando um rápido retorno. A seis meses das eleições presidenciais brasileiras, Flávio Bolsonaro, o filho mais velho, de temperamento mais moderado, surge como um candidato altamente competitivo."
A reportagem intitulada "A Volta dos Bolsonaros" afirma que algumas pesquisas mostram Flávio Bolsonaro empatado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ou até o superando.
"O Brasil precisa urgentemente de mudanças, de um governo mais jovem, moderno e com mais energia", disse Flávio Bolsonaro em entrevista ao FT. "O problema não é a idade de Lula, mas sim o fato de suas ideias estarem ultrapassadas."
A reportagem destaca que ambos os candidatos possuem altos índices de rejeição.
"Para atrair o eleitorado de centro, Bolsonaro está enfatizando sua reputação como o membro mais moderado da família. Advogado que já foi dono de uma loja de chocolates, seu tom é menos agressivo e confrontador do que o de seu pai. Como presidente, Jair Bolsonaro era notoriamente cético em relação às vacinas contra a covid-19; Flávio Bolsonaro, por sua vez, tomou a vacina publicamente."
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Mas o jornal destaca que a plataforma de campanha de Flávio deve ser semelhante às posições de seu pai: "uma mistura de posições de extrema-direita em questões sociais e criminalidade com visões de centro-direita sobre a economia e uma crença fervorosa de que Bolsonaro pai foi condenado injustamente".
Entre as ideias destacadas pelo jornal estão a proposta de uma maioridade penal de 16 anos ou até 14 para casos de assassinato e estupro, impostos menores e mais privatizações.
O jornal afirma que a equipe de campanha de Lula deverá atacar Flávio Bolsonaro por casos como o da "rachadinha" na Assembleia do Rio e supostas ligações com milícias — ambas acusações que Flávio nega.
A reportagem do Financial Times também questiona se o senador estaria preparada para suportar as pressões de uma campanha presidencial.
"Embora Bolsonaro esteja na política há mais de 20 anos, também existem dúvidas sobre se ele consegue suportar a pressão de uma eleição presidencial. Sua campanha para prefeito do Rio de Janeiro em 2016 foi um desastre: em um debate, ele quase desmaiou e teve que desistir. Acabou ficando em quarto lugar", afirma o texto.
O texto encerra falando que Flávio recebe visitantes no escritório de Brasília que seu pai ocupava, mas se recusa a sentar na cadeira atrás da mesa.
"Jamais chegarei perto dele", diz Flávio ao Financial Times. "Seria como comparar o filho de Pelé com o próprio Pelé."
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