Duas brasileiras estão entre baleados em ataque nas pirâmides do México que deixou canadense morta
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- Author, BBC News Brasil em Londres
- Tempo de leitura: 5 min
Duas brasileiras estão entre as vítimas do ataque a tiros nas pirâmides de Teotihuacán, no México, que aconteceu na última segunda-feira (19/4), segundo o Ministério das Relações Exteriores do Brasil.
Uma delas tem 13 anos e já teve alta hospitalar. Ela está acompanhada da família. A outra vítima brasileira é uma mulher de 55 anos. Ela foi encaminhada para um hospital da região e não corre risco de vida, mas segue internada, ainda segundo o Itamaraty.
O ataque matou uma canadense e feriu mais 11 pessoas, entre elas outro turista canadense, seis americanos, três colombianos, um russo e uma holandesa.
O autor dos disparos é Julio César Jasso Ramírez, de 27 anos. Segundo a Procuradoria-Geral do Estado do México, ele carregava um documento de identidade mexicano.
As autoridades locais relataram à imprensa que ele chegou ao local como um turista e atirou contra os visitantes em uma das pirâmides. Em meio ao ataque, foi cercado pela polícia e tirou a própria vida durante o confronto.
A ocorrência foi atendida por agentes da Guarda Nacional do México e da polícia, que apreenderam no local uma arma de fogo, munições e uma arma branca.
Em entrevista coletiva nesta terça-feira (21/4), a presidente do México, Claudia Sheinbaum, afirmou que nunca viu nada parecido no México.
Sheinbaum também informou que as investigações indicam que Ramírez "apresentava sinais de problemas psicológicos". "Não se trata de algo ligado ao crime organizado. Foi um ato premeditado. Obviamente, a investigação deve continuar. Neste caso, não devemos especular", ela disse.
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Como aconteceu o ataque
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O primeiro chamado para os serviços de emergência foi recebido às 11h20 da manhã de segunda-feira, relatando um homem "ameaçando civis".
De acordo com o chefe da polícia do Estado do México, Cristóbal Castañeda Carrillo, câmeras de segurança registraram o atirador ameaçando turistas na Pirâmide da Lua, que, junto com a Pirâmide do Sol, é uma das duas principais construções do sítio arqueológico.
Forças de segurança chegaram ao local sete minutos depois.
Vídeos que circulam nas redes sociais mostram o atirador caminhando armado pelo local, enquanto outras pessoas aparecem caídas em uma das plataformas da Pirâmide da Lua.
Em um dos vídeos, é possível ouvir ele ameaçando matar os visitantes que chama de "reféns" e ordenando que alguém desça da pirâmide para avisar as autoridades para se retirarem. Ele supostamente atira em uma das pessoas e dispara vários tiros para o ar.
Laura Torres, uma jovem que visita o local, disse que viu o suspeito "atirando na pirâmide".
Segundo o relato, o atirador permitiu que algumas pessoas descessem, mas atirou contra outras ainda no local. A testemunha disse ter ouvido "mais de 20" tiros.
"Primeiro eram esporádicos, depois começaram a acontecer um atrás do outro", contou Torres a repórteres.
Crédito, Barak Hardley/Reuters
Muitos turistas entraram em pânico e começaram a correr em direção às saídas, acrescentou.
"Quando os membros da Guarda Nacional chegaram, o suposto atirador disparou contra eles", relatou Castañeda Carrillo.
Dois agentes de segurança então escalaram um dos lados da pirâmide e surpreenderam o atirador, que atirou.
Segundo a investigação, um membro da Guarda Nacional conseguiu feri-lo na perna, e o atirador usou a própria arma para se matar.
Segundo as autoridades, Ramírez portava um revólver calibre 38 com capacidade para seis cartuchos. Ele teria conseguido recarregá-lo duas vezes.
Segundo Castañeda, tudo indica que o suspeito agiu sozinho.
O Secretário Federal de Segurança, Omar García Harfuch, disse que a atuação das forças de segurança "impediu que ele continuasse o ataque e evitou a perda de mais vidas".
"Em outras palavras, se ele não tivesse sido ferido por membros da Guarda Nacional, é muito provável que esse indivíduo tivesse tirado a vida de mais vítimas", afirmou.
As pirâmides de Teotihuacán estão entre os sítios arqueológicos mais visitados do México e recebem mais de 1,5 milhão de turistas por ano. O complexo faz parte do Patrimônio Mundial da Unesco e fica ao norte da Cidade do México.
Crédito, Barak Hardley/Reuters
Quem era o atirador
Segundo as investigações iniciais, Ramírez agiu sozinho e planejou o ataque.
"Sabemos que este indivíduo visitou o sítio arqueológico previamente. Hospedou-se em hotéis próximos e, de lá, planejou os locais onde pretendia cometer o ato violento", afirmou o Procurador-Geral do Estado do México, José Luis Cervantes Martínez.
No domingo, ele se hospedou em um hotel próximo e, na manhã de segunda-feira, pegou um Uber para chegar lá. Ao entrar na zona arqueológica, carregava uma mochila, um revólver calibre 38 e uma faca. Também portava uma bolsa com 52 cartuchos de munição.
Entre seus pertences, havia "literatura, imagens e manuscritos relacionados a eventos violentos que se sabe terem ocorrido nos Estados Unidos em abril de 1999", disse o procurador.
As informações apontam para o massacre que também ocorreu em 20 de abril, mas em 1999, na Columbine High School, nos EUA, no qual dois atiradores mataram 13 estudantes em um tiroteio em massa.
Segundo o promotor, um possível motivo para Ramírez é a imitação, ou seja, a apropriação das ações de outros agressores.
"As evidências coletadas até o momento, baseadas em provas circunstanciais, traçam um perfil psicopático do agressor, caracterizado por uma tendência a copiar situações que ocorreram em outros lugares, em outros momentos e por outras pessoas."
Ramírez teria imitado as roupas de um dos atiradores de Columbine e também teria escrito em algumas anotações que "teve alguma inspiração além desta terra para fazer essas coisas".
"Neste caso, é um indício e uma hipótese investigativa de que foi isso que aconteceu", acrescentou.
Segundo a imprensa mexicana, um documento de identidade encontrado entre seus pertences indicava um endereço na Cidade do México. No entanto, as autoridades determinaram que ele era originário de Tlapa, uma cidade no estado de Guerrero, no sul do país.
Crédito, Barak Hardley/Reuters
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