Trump diz na TV que objetivos no Irã estão perto de ser alcançados

Crédito, Reuters

Tempo de leitura: 4 min

Em um pronunciamento na TV, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta quarta-feira (01/04) que o país está "se aproximando da conclusão" de seus objetivos militares na guerra contra o Irã e prometeu "terminar o trabalho" no curto prazo.

No discurso, ele descreveu vitórias "rápidas, decisivas e avassaladoras" na guerra contra o Irã, incluindo a morte de altos líderes iranianos e uma capacidade "dramaticamente reduzida" de lançar mísseis e drones.

"Os Estados Unidos estão vencendo, vencendo como nunca", acrescentou na declaração, pouco mais de um mês no início do conflito.

O presidente americano afirmou que a capacidade do Irã de lançar mísseis e drones foi drasticamente reduzida. "A Marinha do Irã acabou, sua força aérea está em ruínas, seus líderes, a maioria deles… estão agora mortos", disse.

Mas ele afirmou que a mudança de regime não era o objetivo dos americanos. "Nunca dissemos mudança de regime, mas ela ocorreu por causa da morte de todos os líderes originais. Eles estão todos mortos. O novo grupo é menos radical e muito mais razoável."

Trump também falou sobre a produção de petróleo dos Estados Unidos e da Venezuela, afirmando que os EUA não precisam de petróleo do exterior.

Ele disse que os países que dependem de petróleo do Oriente Médio devem agora assumir a liderança para manter aberto o Estreito de Ormuz.

Os envios de energia a partir do Golfo praticamente pararam depois que o Irã retaliou os ataques dos EUA e de Israel ao ameaçar atacar embarcações que tentem atravessar o Estreito de Ormuz — uma via marítima crucial para o comércio global .

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Trump afirmou: "Aos países que não conseguem obter combustível — muitos dos quais se recusaram a se envolver na decapitação do Irã… criem um pouco de coragem tardia, vão até o estreito e simplesmente tomem o controle. Protejam-no".

O presidente americano também defendeu que esses países passem a comprar petróleo dos Estados Unidos.

Com menção rápida à Venezuela, que ele já disse diversas vezes no passado ser um modelo para operações militares dos EUA no exterior, ele afirmou que a operação em janeiro no país sul-americano foi uma ação rápida, "violenta" e que deixou um governo favorável no poder.

Isso ainda não aconteceu no Irã, que ao menos publicamente se recusa a reconhecer que tenha solicitado um cessar-fogo ou que as negociações estejam levando a um fim iminente das hostilidades.

Melissa Toufanian, que foi assessora sênior do ex-secretário de Estado Antony Blinken, disse à BBC News que acredita que o público americano provavelmente está "mais confuso" sobre a guerra com o Irã após o discurso de Trump.

"Não acho que haja um único americano que tenha assistido a esse discurso hoje e vá sentir que existe um plano claro, que há um cronograma definido, que estamos mais seguros e protegidos", afirmou.

Nesta semana, Trump chegou afirmar ter iniciado negociações com o Irã e o governo iraniano nega que isso tenha ocorrido.

Ele afirmou, em uma publicação na rede Truth Social, que o "Novo Presidente do Regime" do Irã, cujo nome ele não especificou, havia pedido um cessar-fogo e que ele o consideraria "quando o Estreito de Ormuz estiver aberto, livre e desimpedido".

Nesta quarta, o Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou que a declaração do presidente Donald Trump de que o país pediu um cessar-fogo é "falsa e infundada".

Trump disse ainda que está considerando seriamente a saída dos EUA da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), a aliança militar ocidental.

Na terça-feira (31/3), durante conversa com jornalistas no Salão Oval, na Casa Branca, Trump havia dito que os Estados Unidos deixariam o Irã em "duas ou três semanas".

Segundo o presidente americano, o país tinha um objetivo, que era impedir o Irã de ter armas nucleares — e esse objetivo já foi alcançado.

"Estamos terminando o trabalho", afirmou.

Histórico do conflito

Os EUA e Israel lançaram sua campanha militar conjunta contra o Irã no dia 28 de fevereiro. Teerã imediatamente respondeu não apenas com ataques contra Israel, mas também com bombardeios contra Estados do Golfo aliados dos americanos.

Os primeiros ataques dos Estados Unidos e Israel tiveram como alvo a infraestrutura de mísseis, instalações militares e os líderes do Irã na capital Teerã e em outras partes do país.

O líder supremo iraniano desde 1989, o aiatolá Ali Khamenei, foi morto durante a primeira onda de ataques.

As forças israelenses afirmam que dezenas de outras figuras de alto escalão do poderoso Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (CGRI) também foram mortas.

O filho de Ali Khamenei, Mojtaba Khamenei, foi nomeado seu sucessor no dia 8 de março.

O Irã respondeu lançando ataques a Israel e aos Estados aliados americanos no Golfo Pérsico. O combate sofreu rápida escalada, chegando até o Líbano, acumulando mortes e danos por toda a região.

Bahrein, Kuwait, Arábia Saudita, Catar, Omã e, em particular, os Emirados Árabes foram alvejados por Teerã. Além de ataques a bases militares americanas na região, autoridades do Golfo disseram que o Irã visou infraestrutura civil, incluindo aeroportos, hotéis, áreas residenciais e instalações de energia.

O Irã vem usando o Golfo Pérsico e o Estreito de Ormuz — vias cruciais para a economia global — como principal ponto de influência.

Os preços do petróleo no mercado internacional tem oscilado e ultrapassou, em alguns momentos, patamares dos US$ 110.

Outro objetivo de Trump na guerra é impedir que o regime iraniano desenvolva armas nucleares.

Os Estados Unidos e Israel também atacaram instalações fundamentais para o programa nuclear iraniano (que o Irã defende ser totalmente pacífico) e a infraestrutura de petróleo e gás do país.

Elas incluem a ilha de Kharg, que abriga um importante terminal petrolífero, considerado a tábua de salvação econômica do Irã.

Israel também atacou South Pars, que faz parte do maior campo de gás natural do mundo.