Quem são os 4 astronautas que viajam rumo à Lua na Artemis 2 — e o que estão levando com eles no foguete
Crédito, NASA
- Author, Pallab Ghosh
- Role, Correspondente de ciência
- Author, Alison Francis
- Role, Jornalista sênior de ciência
- Author, Kevin Church
- Tempo de leitura: 9 min
Quatro astronautas se tornaram a tripulação mais observada desde a era Apollo.
Eles serão os primeiros, em mais de 50 anos, a orbitar a Lua, abrindo caminho para a próxima geração de missões espaciais.
A equipe é formada por três astronautas da Nasa — o comandante Reid Wiseman, Victor Glover e Christina Koch — além de Jeremy Hansen, da Agência Espacial Canadense.
Além de pilotos, engenheiros e cientistas altamente qualificados, eles também são pais e parceiros, que enfrentaram o desafio de conciliar uma missão histórica com os riscos envolvidos — tanto para eles quanto para suas famílias.
Veja o que sabemos sobre eles.
Reid Wiseman – comandante
Crédito, NASA/BBC News
Reid Wiseman é um piloto de testes da Marinha dos Estados Unidos que se tornou astronauta e passou seis meses na Estação Espacial Internacional em 2014, como engenheiro de voo da Expedição 40. Ele diz que sempre teve uma paixão pela aviação — embora, em terra, tenha medo de altura.
Wiseman comandou a missão Artemis 2, que é o segundo voo da nave Orion e o primeiro, em mais de 50 anos, a levar pessoas a viajar ao redor da Lua.
Nascido em Baltimore, no Estado de Maryland, Wiseman perdeu a esposa para o câncer em 2020 e criou sozinho as duas filhas adolescentes. Ele descreve a experiência de ser pai solo como "o maior desafio e a fase mais gratificante" de sua vida.
Mesmo assim, não escondeu das filhas os riscos da profissão. Durante uma caminhada com elas, ele detalhou onde estavam guardados o testamento e os documentos do fundo fiduciário para o caso dele não voltar da missão, e disse: "Se algo acontecer comigo, é isso que vai acontecer com vocês… Isso faz parte dessa vida."
Ele afirma que gostaria que mais famílias tivessem esse tipo de conversa — porque "você nunca sabe o que o dia seguinte vai trazer".
Crédito, NASA
Embora carregue o título de comandante, ele evita tratar a Artemis 2 como uma missão exclusivamente sua.
"Quando olho para Victor, Christina e Jeremy, vejo que eles querem muito realizar essa missão, são extremamente motivados e humildes até demais. É muito legal estar ao lado deles", diz. Ele espera que, daqui a algumas décadas, o voo seja visto como um "pequeno passo" rumo a um futuro em que pessoas vivam na Lua e, eventualmente, caminhem em Marte.
Entre os itens pessoais que a Nasa permite que os astronautas levem, Wiseman decidiu levar um pequeno bloco de anotações, para registrar seus pensamentos durante a missão.
Christina Koch – especialista da missão
Crédito, NASA/BBC News
Agora você pode receber as notícias da BBC News Brasil no seu celular.
Clique para se inscrever
Fim do Whatsapp!
Christina Koch é engenheira e física. Ela se tornou astronauta em 2013 e, em 2019, estabeleceu o recorde de voo espacial mais longo realizado por uma mulher, ao passar 328 dias a bordo da Estação Espacial Internacional. Durante essa missão, também participou da primeira caminhada espacial composta apenas por mulheres.
Nascida em Grand Rapids, no Estado de Michigan, e criada na Carolina do Norte, Koch é a primeira mulher a viajar até a Lua.
A jornada até a Artemis 2 começou com uma imagem. Quando criança, ela mantinha no quarto um pôster da Terra surgindo sobre a superfície lunar — a famosa foto "Earthrise", de Bill Anders, na missão Apollo 8 — e decidiu, ao descobrir que a imagem havia sido feita por uma pessoa, e não por uma câmera automática, que queria ser astronauta.
"O fato de haver um ser humano por trás daquela lente tornou aquela imagem muito mais profunda e mudou a forma como pensamos sobre o nosso próprio planeta", afirma. "A Lua não é apenas um símbolo para refletirmos sobre nosso lugar no Universo, mas um farol para a ciência e para entendermos de onde viemos."
Koch passou mais de 25 anos em contato com veteranos das missões Apollo, por meio de bolsas de estudos de uma fundação e de eventos comemorativos ligados à história da Nasa. Segundo ela, o principal aprendizado deixado por esses astronautas foi o espírito de camaradagem.
Como item pessoal, ela levou bilhetes escritos à mão por pessoas próximas — algo que descreve como uma "conexão tátil" com seus entes queridos na Terra.
Crédito, NASA
Em casa, as missões espaciais são um tema constante de conversa com o marido. Ela diz que ele é curioso sobre "quais são os grandes marcos, quais são as partes mais arriscadas, quando pode respirar aliviado e quando precisa ficar grudado na TV".
Uma das preparações mais prosaicas foi convencê-lo de que a Artemis não é como sua missão na Estação Espacial Internacional — não haverá ligações casuais a partir da órbita, nem contatos rápidos para ele perguntar em que armário de casa está guardado determinado objeto.
"Ele não vai poder me ligar para perguntar onde está alguma coisa em casa", brinca. "Vai ter que encontrar sozinho."
Jeremy Hansen – especialista da missão
Crédito, NASA/BBC News
Jeremy Hansen é ex-piloto de caça da Força Aérea Real Canadense e físico. Ele ingressou na Agência Espacial Canadense em 2009 e, embora nunca tenha voado ao espaço antes, teve papel central no treinamento de novos astronautas no Centro Espacial Johnson, da Nasa — tornando-se o primeiro canadense a liderar esse trabalho.
Casado e pai de três filhos, ele gosta de velejar, escalar e andar de mountain bike.
Assim como Christina Koch, Hansen atribui sua fascinação pelo espaço à missão Apollo 8. Crescendo em uma área rural do Canadá, transformou sua casa na árvore em uma nave espacial imaginária depois de ver uma foto de Buzz Aldrin na superfície da Lua.
Por causa dos riscos enfrentados por astronautas das missões Apollo, ele teve grande cuidado em preparar a família para os possíveis cenários da missão da Artemis 2. Durante as férias de Natal, assistiram juntos às imagens do lançamento não tripulado da Artemis I, para que ele pudesse alertá-los de que, quando os motores principais são acionados, pode parecer por um momento que o foguete está explodindo — e tranquilizá-los de que isso é normal.
Ele também explicou que, quando ouvirem engenheiros discutindo "cenários de pior caso" ou leituras incomuns de sensores, isso pode soar mais assustador do que realmente é — trata-se apenas da maneira como as equipes testam os limites da segurança em um primeiro voo tripulado.
Se tudo correr como planejado, Hansen se tornará o primeiro não americano a viajar até a Lua — um marco que ele vê como sinal do avanço da cooperação internacional no espaço desde a era Apollo. "As missões Artemis estabeleceram um objetivo tão ambicioso para a humanidade que… países do mundo inteiro estão se unindo", afirma.
Como itens pessoais, Hansen levou quatro pingentes em forma de Lua para a esposa e os três filhos, gravados com a frase "Moon and back" e com as pedras de nascimento de cada um. O canadense também levou xarope de bordo e biscoitos de bordo em sua viagem ao redor da Lua.
Victor J. Glover – piloto
Crédito, NASA/BBC News
Victor Glover é ex-piloto de caça e piloto de testes da Marinha dos Estados Unidos. Ele foi selecionado para ser astronauta da Nasa em 2013, atuou como piloto da missão SpaceX Crew-1 e passou quase seis meses na Estação Espacial Internacional como parte da Expedição 64.
Nascido em Pomona, na Califórnia, é casado e pai de quatro filhos. Com a Artemis 2, torna-se o primeiro homem negro a viajar até a Lua.
Quem o conhece diz que ele é o mais carismático do grupo — e também o mais bem-vestido, com botas de couro marrom de grife que, de alguma forma, combinam até com o traje de voo laranja. Seu indicativo de chamada, "IKE", seria uma abreviação de "I Know Everything" ("Eu sei tudo"), uma referência aos seus três mestrados: em engenharia de testes de voo, engenharia de sistemas e arte e ciência das operações militares.
Em um evento de tapete vermelho em Nova York, em 2023, ele incorporou a imagem de um astronauta-celebridade contemporâneo, ao lado da esposa, Dionna.
Na preparação para a Artemis 2, Glover estudou documentos originais das missões Gemini e Apollo, dos anos 1960, em busca de lições de engenharia e pilotagem que ainda possam ser úteis. Segundo ele, entre gráficos e equações, é possível vislumbrar as pessoas por trás das missões — o que suas famílias enfrentavam e o que sabiam, ou ainda não sabiam, ao avançar rumo ao desconhecido.
"Nos desafiar a explorar faz parte de quem somos", afirma. "É parte de ser humano… Nós exploramos para aprender onde estamos, por que estamos aqui, para compreender as grandes questões sobre o nosso lugar no universo."
Glover levou consigo uma Bíblia, suas alianças de casamento e objetos de família, além de uma coletânea de citações inspiradoras reunidas pelo astronauta da Apollo 9 Rusty Schweickart.
Crédito, Getty Images
Em um vídeo da NASA, cada um dos astronautas resume a missão em uma única frase. "Estamos prontos", diz Koch; "Vamos", acrescenta Hansen; "Para a Lua", diz Glover. Wiseman completa a frase: "Por toda a humanidade!"
Principais notícias
Leia mais
Mais clicadas
Conteúdo não disponível