Dezenas de aviões e participação da CIA com fake news proposital: como foi o resgate do piloto de caça americano abatido no Irã
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- Author, Gabriela Pomeroy
- Author, Grace Eliza Goodwin
- Tempo de leitura: 6 min
Os Estados Unidos resgataram o piloto do caça F-15 americano abatido na sexta-feira (3/4) enquanto sobrevoava o sul do Irã. Ele está gravemente ferido, segundo o presidente Donald Trump.
O republicano confirmou o resgate nas redes sociais na manhã de domingo (5/4), após as forças armadas americanas terem "realizado uma das operações de busca e resgate mais ousadas" de sua história.
Dois tripulantes estavam a bordo e ambos ejetaram da aeronave. Um deles já havia sido resgatado, ainda na sexta-feira.
Autoridades iranianas disseram que o caça foi abatido por seu sistema de defesa aérea.
Detalhes sobre a operação de resgate e como ela se desenrolou ainda estão sendo divulgados. Aqui está o que sabemos até agora.
Como foi a operação de resgate?
Os EUA e o Irã estavam em uma corrida para localizar o piloto. O Irã queria encontrar o americano com vida e ofereceu uma recompensa por qualquer ajuda na busca.
As circunstâncias exatas do resgate permanecem incertas, mas uma pessoa envolvida na operação a descreveu como uma missão "enorme".
A BBC apurou que houve um confronto entre as forças americanas e iranianas durante o resgate, e o piloto ainda pode ter se ferido durante a ejeção da aeronave.
Autoridades disseram à CBS News, parceira da BBC, que o oficial passou mais de 24 horas sozinho, escondido nas montanhas com uma pistola.
A CBS apurou que a CIA, a Agência Central de Inteligência americana, desempenhou um papel crucial na missão de resgate, rastreando o militar em uma fenda na montanha e repassando sua localização exata ao Pentágono.
A agência também conduziu uma campanha de desinformação dentro do Irã. Enquanto a operação de resgate estava em andamento, a CIA espalhou a notícia de que o militar já havia sido encontrado e estava sendo retirado do Irã.
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Piloto está ferido
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Trump afirmou que o oficial está gravemente ferido em publicação na rede Truth Social.
"As Forças Armadas iranianas estavam procurando-o intensamente, em grande número, e se aproximando. Ele é um coronel altamente respeitado. Esse tipo de operação raramente é feita por causa do risco para 'homens e equipamentos'. Simplesmente não acontece! A segunda operação veio após a primeira, na qual resgatamos o piloto em plena luz do dia, também algo incomum. Uma demonstração incrível de coragem e habilidade por parte de todos!"
O resgate de tripulantes de um jato abatido é uma das operações mais complexas e urgentes — conhecida como Busca e Resgate em Combate (CSAR, na sigla em inglês) — para as quais as forças armadas americanas e seus aliados se preparam.
As unidades responsáveis por essas missões incluem alguns dos membros mais bem treinados e especializados das forças armadas.
As missões são frequentemente conduzidas por helicópteros, que voam baixo sobre o território inimigo, juntamente com outras aeronaves militares que realizam ataques e patrulham a área.
Em sua publicação nas redes sociais, Trump disse que o aviador, um coronel, "estava atrás das linhas inimigas nas traiçoeiras montanhas do Irã, sendo caçado pelos inimigos, que se aproximavam cada vez mais".
O presidente acrescentou que a localização do aviador era monitorada "24 horas por dia" por funcionários americanos do alto escalão que planejavam a operação de resgate.
Trump disse que os militares dos EUA enviaram dezenas de aeronaves ao Irã e acrescentou que a operação foi realizada sem que nenhum americano fosse morto ou ferido.
A mídia estatal iraniana informou que tropas da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) abateram um drone americano enquanto os adversários procuravam o aviador. O drone americano caiu na província de Isfahan, no sul do Irã.
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Como os pilotos são treinados para escapar?
A tripulação de um jato abatido é altamente treinada para tais situações. "A prioridade deles é permanecer vivos e evitar a captura", disse Jennifer Kavanagh, diretora de análise militar do centro de pesquisa Defense Priorities, à BBC.
"Supondo que estejam fisicamente aptos e não tão feridos a ponto de não conseguirem se mover, eles são treinados para tentar escapar do local de ejeção o mais rápido possível e se esconder para que estejam em segurança."
"Eles também são treinados em técnicas de sobrevivência para que possam ficar sem comida ou água, ou encontrar recursos no terreno local, pelo maior tempo possível", acrescentou Kavanagh.
Onde e quando o jato foi abatido?
A mídia estatal iraniana afirmou na sexta-feira que as forças do país abateram um jato americano sobre a região sul do país.
O local exato onde o F-15 teria sido abatido não foi confirmado, mas duas possíveis províncias foram mencionadas pela mídia estatal iraniana: Kohgiluyeh e Boyer-Ahmad, além do Khuzistão.
Dois tripulantes estavam a bordo. Um deles foi resgatado em uma operação anterior, que teria incluído uma aeronave A-10 Warthog atingida sobre o Golfo Pérsico.
Um helicóptero que transportava o tripulante resgatado foi atingido por tiros, ferindo membros da tripulação a bordo, mas conseguiu pousar em segurança, informou a mídia americana.
A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) afirmou que tribos nômades que vivem nas montanhas do país atiraram em dois helicópteros Black Hawk que faziam parte da missão de resgate dos EUA.
A BBC Verify confirmou um vídeo de sexta-feira mostrando o que parecem ser três indivíduos armados atirando em direção a pelo menos dois helicópteros Black Hawk.
O principal comando militar conjunto do Irã atribuiu o abate dos dois aviões de guerra americanos aos novos sistemas de defesa aérea iranianos, de acordo com a agência de notícias estatal iraniana IRNA.
A região de Kohgiluyeh e Boyer-Ahmad é uma província montanhosa no sudoeste, lar de mais de 700 mil pessoas, incluindo nômades.
Os nômades da região são conhecidos por carregarem rifles para proteger seus rebanhos e acampamentos de animais selvagens e roubos nas remotas terras altas.
A província de Khuzistão é um polo petrolífero e de diversas outras indústrias. É lar de mais de 4,7 milhões de pessoas, com uma população diversificada, incluindo árabes, persas e outros grupos étnicos.
O que sabemos sobre o jato abatido?
O F-15E foi projetado para missões ar-solo e ar-ar. No Irã, é muito provável que tenha sido usado em funções defensivas para abater drones e mísseis de cruzeiro iranianos.
Em sua função de ataque ar-solo, o jato é capaz de lançar munições de precisão guiadas a laser e GPS, bem como outras bombas.
A aeronave tem dois tripulantes: o piloto e um oficial de sistemas de armas no assento traseiro. O oficial de armas, conhecido como "Wizzo", é responsável por selecionar alvos e garantir que as armas estejam programadas para o ataque apropriado.
Esse sistema de dois tripulantes permite que a carga de trabalho seja dividida, principalmente em um ambiente congestionado, onde o piloto está tentando evitar ameaças.
Não se sabe o que, especificamente, derrubou este jato americano.
Colaborou Ghoncheh Habibiazad, do serviço persa da BBC
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